Publicidade

SL Benfica | Quem são os intocáveis para a próxima época?

Pedro Cantoneiro · 5 min

Como procederá o SL Benfica no mercado de verão?
Foto: Diogo Cardoso/ Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Fracasso a toda a linha, a temporada do SL Benfica pode acabar em lampejo de sucesso, com a Taça de Portugal, prova válida mas de pouco volume dada as expectativas do universo benfiquista.

A um plantel apetrechado por 98,5 milhões de euros de investimento a todos os setores, melhorando (e muito) um plantel de consumo interno herdado do antecessor, a Jorge Jesus caberá agora nova reestruturação da equipa – ao jackpot prometido que chegaria da Liga dos Campeões e posteriormente encaminhado para cofres gregos concilia-se a falta de garantias quanto ao próximo prémio, situação caricata que expõe a fragilidade das finanças encarnadas e obriga a concentrar atenções na matéria prima a seu dispor, sob contrato.

Repetir as grandes movimentações ao estilo do Verão passado é miragem dependente de uma precoce mas competente performance desportiva, alta rotação exigida logo em agosto sob pena de não comprometer mais um planeamento e evitar outra venda desesperada como foi a de Rúben Dias. É nestas condições, sem regalias, que os benfiquistas se prepararão. Os mesmos luxos serão, assim, irrepetíveis para já.

Sem certezas nem garantias, a duas eliminatórias de distância, há que arrumar a casa e varrer o excesso de salário ou, pelo contrário, de falta de compromisso com o clube. A nível de contratos a prazo só Jardel, situação previsível dada a decadência da forma física do brasileiro que deu tanto ao clube em dez anos, mas que sai com o sentimento de dever cumprido.

A massa adepta assim o reconhece, entregando-lhe o respeito que não entregou a outros, mais espampanantes mas com metade do brio. Em situação semelhante encontra-se Andreas Samaris, ainda que o seu contrato se prolongue até 2023 – por agora, recupera de lesão impertinente na duração e gravidade.

Um dos nomes na porta da saída por opção poderá ser Jan Vertonghen, o central belga que viu recentemente o seu nome a ser incluído dos 26 “Diabos Vermelhos” belgas que tentarão a sua sorte no Euro 2020 – ele, como capitão, seguirá viagem com o futuro clubístico certamente ainda por definir.

Jan Vertonghen foi uma peça importante na época do SL Benfica
Jan Vertonghen foi uma peça importante na época do SL Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Chegado ao SL Benfica em agosto de 2020 depois do término de contrato em Londres, a mudança surpreendente foi justificada, pela imprensa, como conjugação ousada entre tentação quanto a nova experiência cultural, preferência por clube ambicioso e num projeto que o mantivesse à tona da elite europeia – a chamada ao Euro confirmou o SL Benfica como escolha acertada, apesar da fraca época global.

Contudo, apesar do contrato de três anos e das 42 participações em campo, viu o futuro ser ameaçado pela chegada de Lucas Veríssimo. O brasileiro obrigou a equipa a mudar para um sistema de três centrais e não é certo que assim se mantenha na próxima temporada.

A Vertonghen interessa sobretudo jogar e ter protagonismo em contexto de Liga dos Campeões, chamariz dos grandes craques, e continuar a sua carreira ao mais alto nível, como fez no FC Ajax e ao serviço dos Spurs. E se em Portugal não lhe agradar por muito mais tempo a convivência do Seixal, há sempre uma porta aberta em Amesterdão.

Aliás, em fevereiro de 2020 era essa a mais forte hipótese como destino de Jan Vertonghen em 2020-21, quando até Erik Ten Hag se mostrou complacente com a sugestão. “Jan tem história no Ajax. Claro que vamos seguir a sua situação de muito perto”, afirmava ao programa Rondo do portal Ziggo, principal patrocinador ajacied, rematando de maneira inequívoca – para canto – uma hipotética limitação quanto à sua idade e tendo em conta a prioridade holandesa de valorização do talento jovem: “Neste caso, a idade é uma não-questão. Se alguém é bom o suficiente como ele é, a idade não interessa”.

Outro caso bicudo para a gestão encarnada é o de Luca Waldschmidt, alemão contratado ao SC Freiburg por 15 milhões mas que teimou em consagrar-se como o “nove e meio” pelo qual a equipa implorou em muitas fases – as opiniões divergem quanto à sua capacidade futebolística, numa discussão em que até Jorge Jesus parece entrar. Dos 41 jogos em que foi utilizado, a mediana quantia de 26 titularidades – nas quais foi 22 vezes substituído!

Luca Waldschmidt foi uma das grandes contratações do SL Benfica
Luca Waldschmidt não foi aposta regular de Jesus
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Na Primeira Liga, de possíveis 2430 minutos, completou 1400, tempo que ainda assim lhe permitiu marcar sete golos, que acrescem a dez no total das competições. Não foi, consequentemente, convocado para o Euro 2020, golpe baixo nas suas aspirações, premeditado pela ausência na convocatória dos últimos jogos da qualificação da Maanschaft, em março.

E apesar do seu score internacional desde a chegada a Portugal não parecer vergonhoso (chamado em setembro, outubro e novembro, participando em quatro de oito jogos possíveis – titular duas vezes, em amigáveis com a República Checa e a Turquia), um dos seus objetivos primordiais nesta mudança para a Primeira Liga fica assim comprometido – a grande afirmação em contexto europeu, fora da Bundesliga, para servir como rampa de lançamento para a seleção.

O mesmo se pode dizer de Julian Weigl, ainda que o seu estatuto na equipa se tenha consolidado a partir de janeiro e seja, neste momento, o único com lugar cativo no meio-campo. É, portanto, um dos intocáveis.

Outras incógnitas situações como a de Svilar (que até termina contrato em 2022), Grimaldo (sempre com muitos pretendentes para a compra do seu passe e a possibilidade de gerar encaixe avultado), Gabriel, Cervi (o namoro do RC Celta de Vigo prolonga-se, sem fim à vista) ou Pizzi ainda não foram resolvidas e estima-se que apenas Odysseas Vlachodimos tenha a sua saída consumada.

Ao penúltimo dos citados, cabe a si a decisão perante as evidências – a perda da titularidade no onze, o acumular da idade e a cada vez menor preponderância na manobra da equipa.

Pizzi foi relegado para um plano secundário no SL Benfica
Pizzi tem sido relegado para segundo plano
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pizzi foi o jogador com mais participações do plantel (47 jogos), porém é uma estatística que não atesta bem a sua desvalorização: apenas 31 titularidades, 19 no contexto da Primeira Liga, números sem paralelo nos últimos sete anos (só comparáveis aos da primeira época na Luz) e que retratam bem a fase de menor fulgor. Altura certa para mudar de ares?

Do onze inicial, Helton Leite, Lucas Veríssimo, Otamendi, Julian Weigl, Rafa, Everton – com um final de época acima da média – e Diogo Gonçalves serão certamente valores seguros na próxima construção do plantel e sob os quais se rodearão as restantes peças do tabuleiro.

A base parece finalmente estar definida para Jorge Jesus, à qual poderemos acrescentar Darwin Núñez, pelas características ao gosto do técnico, e Haris Seferovic, que viu Pedro Gonçalves roubar-lhe o segundo prémio de melhor marcador no sprint final. Ao avançado suíço o futuro ficará definido pela prestação no Europeu: exibições bem conseguidas nas titularidades mais do que prováveis que acrescentará ao currículo internacional e um grande contrato poderá aparecer, numa idade (29) em que são imperativas decisões de futuro imediato, contrabalançado as necessidades profissionais e pessoais.

Pedro Cantoneiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.