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Teatro dos pesadelos

Júnior Barroso · 4 min

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Numa altura em que tanto se fala da quebra exibicional do Benfica em relação a épocas anteriores, após duas derrotas consecutivas com o Manchester United, está assim confirmada a pior série de sempre do clube da Luz na Liga dos Campeões Europeus.

Após o desaire em casa com o CSKA de Moscovo e a desastre em Basileia, as hipóteses de uma passagem para a fase seguinte da competição, tornou-se cada vez mais complicada, sobretudo tendo em conta que se avizinhavam dois jogos, frente ao cabeça-de-serie do grupo, o Manchester United de José Mourinho, Matic e Lindelof.

Numa breve síntese dos dois jogos, pode-se muito bem apontá-los como duas derrotas imerecidas para as águias. Contudo, em dois jogos que o Benfica poderia muito bem ter alcançado um ponto em cada, continuo a demonstrar a má fase que o clube atravessa e a perda de qualidade e intensidade evidente em relação às duas épocas anteriores.

Embora este, “Benfica de consumo interno” que se vem falando, desde o início desta pré-época, consegue, não só, desapontar neste campeonato, como ainda não conseguir um único ponto num grupo acessível que, teoricamente, passaria à fase seguinte, juntamente com o Manchester United. Pior que isso, continua a ser a falta de ligação entre o meio campo e a frente de ataque, numa equipa sem ideias e completamente desnorteada em termos defensivos, com jogadores que não conseguem não só cumprir em termos de posicionamento como não têm, de todo, nível para esta competição.

Raúl Jimenez foi incapaz de marcar nos dois jogos frente ao United Fonte: Manchester United
Raúl Jimenez foi incapaz de marcar nos dois jogos frente ao United
Fonte: Manchester United

Engane-se quem pensar que os melhores resultados foram feitos perante a equipa orientada por Manchester United. Para nem falar em jogos cuja motivação acresce, face a uma equipa cheia de estrelas, salvo sejam os jovens lançados por Rui Vitória que conseguiram de alguma forma, tornar estes dois jogos com menos dissabores. O Sport Lisboa e Benfica não só não jogou para ganhar, como jogou contra uma equipa que não jogou para vencer.

Estes dois jogos, mostraram bem a confiança de Mourinho quanto à passagem da fase seguinte e, como o seu principal foco, continua a ser a Primeira Liga. Numa primeira mão no Estádio da Luz, onde o Benfica está acostumado a impor o seu futebol, face a qualquer que seja o seu adversário, contentou-se em, para além de não conseguir jogar, limitar o jogo do adversário, conformando-se coma  falta de qualidade de jogo que o Manchester United veio cá apresentar e, de certa forma, esquecendo-se da importância de qualidade nestas exibições para, não só garantir a continuidade nas competições europeias, como para elevar a motivação de uma equipa na qual, nada corre como desejado.

Assim sendo, apesar do Manchester United ser, claramente, a equipa favorita para estes dois jogos, era necessária outra atitude de um Benfica, sobretudo no cariz ofensivo e que, tirando um ou outro lance bem-sucedido, foi um mar vago de ideias, sem identidade e sem combinações entre os seus jogadores, capaz de fazer frente a um apático United, claramente com os olhos nos jogos dos fim-de-semana seguintes para a Premier League.

Esta falta de qualidade preocupa, sobretudo porque não parece, de todo, que seja resolvida por uma falta de motivação. Não me parece que estas duas exibições tenham sido culpa das ausências de Luisão ou André Almeida, mas sim da quebra exibicional de Pizzi, que continua sem intensidade necessária para fazer a diferença, falhando um número enorme de passes como vimos, sobretudo em Old Trafford, num Douglas completamente pouco entrosado e, incrivelmente, inadaptado ao futebol europeu (apesar da época passada em Espanha) e com falta de ritmo e qualidade para segurar o jogo de 1×1 quer de Martial, quer de Rashford.

Salvio continua àquem daquilo a que nos habituou Fonte: SL Benfica
Salvio continua àquem daquilo a que nos habituou
Fonte: SL Benfica

Um Salvio que, embora bastante participativo no apoio ao lateral, Douglas, continua atípico e com graves falhas posicionais e na decisão, um Samaris que, embora confira um jogo mais agressivo e combatente no meio campo, peca na sua ingenuidade e, sobretudo, na falta de capacidade de se manter concentrado nos 90’ de jogo.

Dito isto, o cenário é preocupante e não deve ser esquecido por estes resultados que poderiam sobretudo ter terminado em empates, até porque o Benfica jogou para uma equipa rodada e sem grande iniciativa, como estão acostumados, frente a um irreconhecível tetracampeão português.

Salve-se as exibições dos jovens, Svilar Diogo Gonçalves e Rúben Dias, que conseguiram responder de forma bastante satisfatória, face ao carácter experiente e exigente destes jogos. Estes jovens que parece continuar a sair com fartura da equipa B do Benfica e que pode, esperemos, colmatar a falta no meio campo e na criatividade que este jogo tanto precisa.

Terminando, jogo a jogo, vitória a vitória, onde o 4x2x3x1 parece ser o caminho, com Raúl Jiménez a titular.

Foto de Capa: SL Benfica

Júnior Barroso

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