Andreas Samaris: um glorioso Spartan encarnado

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Poderá algum benfiquista não gostar de Samaris? Chegou no Verão de 2014 ao Sport Lisboa e Benfica e desde aí já conta com cinco épocas de águia ao peito, estando agora na sexta.

Um médio todo-o-terreno que nunca se conseguiu fixar definitivamente em nenhuma posição do campo. Surgiu como um 6 e foi perdendo o lugar para o Fejsa. Em Abril de 2016 perdeu a titularidade e a partir daí, já sob o comando de Rui Vitória, foi desaparecendo aos poucos da equipa principal do SL Benfica, tendo-se eclipsado totalmente no segundo semestre de 2018.

Foram dois anos e meio onde apesar de ter havido pouco Samaris no SL Benfica, nunca faltou SL Benfica em Samaris. Nunca deixou de respeitar o clube e muito menos de vibrar intensamente com os jogos dos seus companheiros de balneário. Nunca desistiu, nunca virou as costas ao relvado e sempre que entrou deu tudo o que tinha.

E quando tudo parecia perdido, quando já não havia luz que o iluminasse de camisola encarnada, quando já todos esperavam por ver o seu contracto expirar, Samaris entrou de rompante no 11 titular, agarrou o seu lugar e foi uma das caras da revolução encarnada e do título de 2018/19. Em Janeiro, já com Bruno Lage, o grego viu os seus constantes esforços recompensados e como um verdadeiro guerreiro escalou o fosso em direcção ao céu.

Não, o grego não é um jogador extraordinário. Tem uma polivalência nascida do seu esforço e capacidade de aprendizagem e assim pode ocupar qualquer posição do meio-campo e ainda actuar no centro da defesa. É o suficiente para ter muito mais impacto nas escolhas dos seus treinadores. Até porque com Samaris o SL Benfica tem mais personalidade e uma maior identidade.

O momento actual do grego – um novo desaparecimento – deve-se ao paradoxo das suas qualidades. Em meses passou de zero a titular indiscutível e agora a jogador de reserva. Esta descida do céu à indiferença é o resultado natural do futebol actualmente praticado pela equipa.

Pelas alterações de Julho – vendas de jogadores, mudanças tácticas e surgimento de novos jogadores – o contexto da equipa de Lage mudou drasticamente e Samaris – tal como Seferovic – foram os mais prejudicados. Há uma coerência no seu baixar de rendimento.

Bruno Lage já abordou a utilidade de ter um jogador com a polivalência de Samaris e assim não se percebe como o grego tanta vez nem convocado é. O treinador do SL Benfica referiu que não convoca um médio que possa substituir o Florentino… Mas porquê? Qual o sentido disso? Não fará mais falta no banco um suplente para mexer no meio-campo do que um terceiro central? E com Samaris tem-se opção paras as duas posições. Não tem lógica Jardel empurrar Samaris para a bancada.

Samaris desapareceu das escolhas de Bruno Lage na época 2019/2020
Fonte: SL Benfica

Qual a diferença do Samaris da época transacta para a época actual? A diferença está precisamente naquilo que lhe é pedido e lhe é oferecido. Em Janeiro, o futebol encarnado transfigurou-se com a alteração ocorrida no centro do terreno. O Benfica passou a jogar com dois médios de pressão e de bola e também com um segundo avançado a procurar o jogo interior e o futebol entre-linhas.

Samaris e Gabriel sem bola fizeram uma dupla temível, porque dão à equipa uma capacidade imensa de pressão sobre o adversário, condicionando o seu jogo e permitindo à equipa recuperar a bola mais depressa e mais subida no terreno. Com bola, além de serem dois jogadores que sabem tratar a “redonda”, que a sabem receber, temporizar e passar e que sabem ler o jogo e movimentar-se para os espaços certos, ainda tinham um apoio central que lhes permitia jogar curto e subir em progressão. Era neste futebol que Samaris funcionava. Era possível ter a sua personalidade em campo enquanto as suas principais qualidades eram exploradas. Não era um ‘6’, nem um ‘8’, e muito menos um ’10’. Samaris era parte de uma dupla de médios.

Nesta época, o que foi pedido a Samaris, e o que lhe é pedido quando entra, é que se imponha por si dominando uma posição especifica do terreno. Ou no lugar de Florentino, como número ‘6’, sendo o jogador responsável pelas compensações defensivas, ou ao lado do Florentino, como número ‘8’, sendo o principal responsável pela construção do jogo encarnado. Neste contexto, já se pede mais ao grego do que aquilo que pode dar e ainda se lhe retira o apoio frontal que tinha para o jogo curto e de progressão, o que o obriga a um constante procurar do passe longo.

Depois de um mau arranque, no pouco que tem jogado nem se tem exibido a mau nível. Gostava de ver Lage reeditar a dupla de médios da época passada, aproximando o futebol da equipa ao melhor futebol da época 2018/19. Isso também iria exigir um redescobrir de um segundo avançado – Chiquinho poderá estar a evoluir nesse sentido. Mas, pelo menos, quero Samaris no banco. Tem de ser opção para mexer no jogo. A sua qualidade, a sua polivalência e o seu espírito fazem falta ao Sport Lisboa e Benfica.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Daniel Oliveira
Daniel Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
Primeira palavra bola. Primeiro brinquedo bola. E assim sempre será. É a ver jogos que partilha os melhores momentos de amizade. É a ver jogos que faz as melhores viagens. É a ver jogos que esquece os maiores problemas. Foi na paixão pelo jogo que sempre ultrapassou os outros desgostos de amor. Agora a caminhar para velho pode partilhar em palavras aquilo que sempre guardou para si em pensamentos e pequenos desabafos.                                                                                                                                                 O Daniel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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