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Gonçalo Guedes deixou o Benfica neste mercado de inverno, tendo rumado para a capital francesa, Paris, para representar o Paris Saint-Germain. O jovem português vinha a protagonizar exibições de elevada qualidade de águia ao peito e meteu muitos tubarões europeus atentos ao antigo camisola 20 dos encarnados. Consumada a decisão, o rapaz, que para muitos era visto como sobrevalorizado, saiu para o clube francês em janeiro por 35 milhões de euros. O Benfica encheu os cofres com esta transferência e o PSG ganhava um ativo jovem e de grande potencial para o plantel.
O Benfica apresentava, já desde muito cedo esta época, um boletim clínico de lesionados considerável. Até há bem pouco tempo, os encarnados, embora contassem com seis pontas de lança na equipa, viam-se reduzidos a dois ou três, limitando as opções a Rui Vitória. Guedes foi um dos mais ativos, ganhando depressa um lugar de destaque na frente ofensiva do clube da Luz. Após a sua saída, já o boletim clínico ficava mais leve, dando assim continuidade aos bons resultados que apareciam com Guedes no onze. Mas será que ficou tudo igual?

Ninguém pode negar que a primeira metade da época, o Benfica era a equipa que mais bem sabia jogar em Portugal. Mesmo com tantas lesões, havia sempre um substituto à altura para fazer exatamente o que o outro estava lá a fazer e a qualidade de jogo, ora mantinha-se, ora aumentava. Salvo raras exceções, o Benfica sabia jogar, tinha opções, mesmo quando as lesões as limitavam.
Agora, a quebra que tanto se previa acontecer nos encarnados parece ter aparecido. No entanto, esta prolonga-se por mais tempo do que aquilo que era suposto. Uma equipa de tamanho calibre, tem de manter as rédeas na mão com todos os cavalos, sem nenhuma vez se deixar cair, apesar de se permitir um balanço na cela.
Foto de Capa: SL Benfica
Episódios como o jogo frente ao Paços de Ferreira, que terminou num empate a zeros e que pôs em causa a liderança do campeonato antes do clássico, não fosse o empate caseiro do FC Porto frente ao Setúbal, vêm aparecendo com alguma regularidade. O adepto benfiquista teme por antecedência o sofrimento que pode vir a ser causado pela falta de ideias do lado mais ofensivo da equipa.
O bom de um plantel largo como o do clube encarnado é que se pode aproveitar os bons momentos dos vários jogadores que vão trocando entre si. Depois da saída de Guedes, Mitroglou entrou na sua forma fantástica e aliviou os adeptos com vários golos. Mas, não deixa de existir uma clara diferença na frente de ataque.
No empate que se deu no último jogo, viu-se um Benfica apático com falta de ideias. Não havia deslumbre de nenhum jogador, uma jogada individual que fizesse um brilharete e possibilitasse ocasiões de meter a bola na rede do adversário. Faltava velocidade no ataque. Mitroglou que é um jogador de área na sua forma de jogar e, que nunca foi um jogador de uma velocidade extrema, esteve completamente desaparecido. Jonas, que ainda tenta recuperar o ritmo depois de tanto tempo de paragem, não conseguiu fazer das suas jogadas de génio e classe para romper a muralha amarela. Nem Jiménez, que entrou mais tarde na partida, conseguiu dar velocidade e profundidade à equipa, tal como Zivkovic que começara a jogar na ala, em detrimento da posição central de ponta de lança.
Olhando para a primeira metade da época, e transpondo o tipo de jogo e a forma incrível do internacional português, Gonçalo Guedes, não seria nada de extravagante dizer que, talvez, com Guedes o jogo seria outro.

Fonte: SL Benfica
Gonçalo Guedes é rápido, forte, persistente e tem muita qualidade nos pés. Um jogador que não foi totalmente substituído no onze encarnado desde que partiu para França. Com ele em campo, a mobilidade seria outra, a pressão seria outra, as oportunidades seriam outras e o resultado poderia também ser outro. Ele vinha buscar jogo e tinha a capacidade de o entregar ao mesmo tempo que acompanhava a jogada. Pressionava muito alto, obrigando o adversário a jogar mal e a cometer erros que corriam o perigo de ser fatais. Era um jogador que, de tão móvel que era, podia não ser sempre ele a surgir com ideias, mas os espaços que abria no seu jogo inteligente e rápido sem bola, podiam ter dado muito jeito ao Benfica em várias situações, nomeadamente no último jogo em Paços de Ferreira. O Benfica fez de tudo para vencer, mas, cá para mim, o que faltava ali para quebrar a muralha era Gonçalo Guedes.
Apesar de tudo, o Benfica continua líder e esperemos que assim se mantenha. Vamos encontrar o nosso Guedes noutro jogador, assim como sempre se tem feito com tantos outros. Mas apressemo-nos que o sprint final está aí.
Saudações Benfiquistas!
Foto de Capa: SL Benfica












