A CRÓNICA: VITÓRIA DOS VISITANTES NUM JOGO COM POUCAS OPORTUNIDADES

As contas da manutenção estão acesas como poucas vezes se tem visto. A seis jornadas do fim, há apenas sete pontos a separar o penúltimo SC Farense e o 10.º Portimonense SC. Entre estes estão Boavista FC e CS Marítimo, que se encontraram no Estádio do Bessa numa partida a contar para a jornada 29. Os emblemas encontravam-se em 15.º e 16.º respetivamente, com apenas um ponto entre eles.

As equipas chegaram à partida em formas similares, com sete pontos nos últimos cinco jogos para os axadrezados, contra os seis dos madeirenses no mesmo período. Com o CD Nacional a afundar-se no último lugar, resta aos clubes escaparem ao 17.º lugar que significa despromoção direita, mas ainda ao 16.º, que terá que disputar um playoff contra o terceiro classificado da Segunda Liga.

Anúncio Publicitário

Apesar da necessidade das equipas em pontuarem, a primeira parte foi marcada por um absoluto vazio de ideias ofensivas. Com um ligeiro ascendente dos madeirenses, que tinham mais bola mas sem conseguir criar grande perigo, vimos apenas uma aproximação de relevo à baliza adversária.

Aos 23′, o CS Marítimo faz uma recuperação de bola numa zona adiantada do campo, que resulta num contra-ataque. René Santos cruza a bola para a cabeça de Joel Tagueu, que fez uma diagonal a partir da esquerda para a grande área, mas o avançado não consegue colocar a bola longe do alcance de Léo Jardim. O guarda-redes conseguiu afastar a bola confortavelmente por cima da baliza.

O Boavista FC não conseguiu um único lance de perigo, com uma dificuldade gritante em ligar os setores. Os primeiros 45 minutos deixaram muito a desejar, com as equipas a terem que mostrar muito mais na segunda metade para conseguir sair da partida com os três pontos tão desejados.

O jogo tinha que melhorar, e foi isso mesmo que aconteceu. O Boavista FC começou melhor, a controlar mais a posse de bola, e a finalmente conseguir fazer algumas aproximações perigosas. Aos 53′, Angel Gomes liderou um bom ataque, com boas combinações e boa condução de bola, mas que acabou com um remate fraco de Elis, deixando Amir com uma defesa fácil.

Mas ainda assim, e depois de uma boa oportunidade para cada lado por volta dos 60′, foram os visitantes que abriram as hostilidades na cidade do Porto. Aos 63′, Pedro Pelágio consegue fazer uma desmarcação para Joel que entrou na área com Léo Jardim na sua frente. O avançado não foi egoísta, e à chegada do guarda-redes aos seus pés, pica para o lado onde estava Ali Alipour. O iraniano roda à meia-volta, e remata para dentro da baliza boavisteira.

Os axadrezados faziam agora mais pressão no ataque, mas deixavam a equipa muitas vezes exposta na defesa, principalmente nos minutos em que Sauer e Paulinho, dois médios com mais apetência ofensiva, faziam de duplo-pivô defensivo. Os madeirenses conseguiam por esta altura criar mais perigo no contra-ataque.

A partida foi chegando perto do fim, e ninguém foi capaz de alterar o marcador. A partida acabou em vitória do CS Marítimo, que ultrapassa agora o Boavista FC na luta pela manutenção.

A FIGURA

Rafik Guitane – numa partida em que o critério e a criatividade pecaram, Guitane foi a grande força destabilizadora. O médio francês emprestado pelo Rennes mostrou o seu grande nível técnico e tático. Fez receções orientadas, progressões com bola, mostrou qualidade no passe, bem como uma boa ocupação de espaços entrelinhas.

O FORA DE JOGO

Boavista FC
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

 Yusupha Njie – o avançado, que até estava em bom momento de forma, foi incapaz de criar qualquer tipo de perigo à defesa do CS Marítimo. Não foi competente em apoios, em segurar a bola, nem no ataque à profundidade.

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

O Boavista FC jogou no seu habitual sistema de três centrais, o mais usado da época. Gustavo Sauer voltou a fazer o papel híbrido de ala-esquerdo/médio/extremo, abrindo quase sempre na ala no momento ofensivo, mas fechando mais por dentro, principalmente na segunda parte em que o sistema parecia por vezes mais um 4-3-1-2, com Chidozie a fazer de lateral-esquerdo defensivo no momento sem bola.

Show era o médio mais defensivo, com bastante responsabilidade na construção, algo que não pareceu deixá-lo muito confortável. Nuno Santos e Angel eram, na primeira metade, os homens criativos do meio-campo, mas nunca foram capazes de ligar entre eles ou com os dois da frente, Yusupha Njie e Alberth Elis.

Nos segundos 45′, Jesualdo Ferreira introduziu Paulinho e, como já referido, adaptou o seu sistema. De forma a conseguiu criar superioridade no meio-campo, juntou quatro médios – Show como trinco, Sauer e Paulinho como interiores e Angel Gomes como “10” – deixando os dois avançados na frente. Na defesa, Chidozie descaía mais na esquerda quando a equipa não tinha bola. A equipa cresceu bastante a partir desse momento, e foi algo confirmado a partir da entrada de Hamache.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Leo Jardim (6)

Reggie Cannon (5)

Devenish (4)

Adil Rami (5)

Chidozie Awaziem (5)

Gustavo Sauer (5)

Show (5)

Nuno Santos (5)

Angel Gomes (6)

Yusupha Njie (4)

Alberth Elis (5)

SUBS UTILIZADAS

Paulinho (6)

Hamache (5)

 Kuku Fidelis (5)

 Nathan Santos (5)

Sebastian Pérez (-)

ANÁLISE TÁTICA – CS MARÍTIMO

O CS Marítimo, sob comando do espanhol Julio Velázquez, apresentou-se num 4-3-3 clássico, com o habitual central René Santos a funcionar com o pivô do meio-campo. Como interiores, estavam Pedro Pelágio e Rafik Guitane. Sem bola, era o francês que se aproximava mais de Alipour, mas na organização ofensiva, este baixava mais, pelo menos numa fase inicial, devido à sua capacidade de passe e de resistência à pressão.

Nas alas, começou Joel Tagueu na esquerda, sempre com bastante liberdade para fazer diagonais a atacar a área no último terço. Na direita Edgar Costa foi o escolhido, mas devido ao seu pouco envolvimento em campo nos primeiros minutos, foi trocando de posição com Guitane, mudança essa que foi recorrente ao longo da partida.

Os madeirenses procuravam construir jogo com bastante paciência, com trocas de bola entre os defesas e médios mais recuados, mas raramente conseguiu ligar com Alipour na frente para este depois poder combinar com os jogadores mais criativos. Sem bola, apesar de não apresentar uma linha muito alta, o CS Marítimo tinha a clara intenção de reagir de forma imediata à perda de bola, e também de cair em cima do adversário quando este entrasse no seu bloco médio, algo muito evidente pelos constantes apelos de Velázquez à pressão.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Amir Abedzadeh (6)

Cláudio Winck (5)

Zainadine Júnior (6)

Léo Andrade (5)

Fábio China (6)

René Santos (6)

Pedro Pelágio (6)

Rafik Guitane (7)

Edgar Costa (5)

Joel Tagueu (5)

Ali Alipour (5)

SUBS UTILIZADAS

Jorge Correa (6)

 Franck Bambock (-)

Jean Irmer (-)

Marcelo Hermes (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BOAVISTA FC

BnR: Na primeira parte a sua equipa teve bastantes dificuldades em ter a bola no meio-campo e fez uma alteração tática ao intervalo para passar um 4-4-2 losango. Pedia-lhe uma análise a essa troca, e se teve pelo menos alguns dos efeitos pretendidos.

Jesualdo Ferreira: Nós temos vindo a tentar gerir as questões de natureza tática, de acordo com os jogadores que temos. A tentativa de jogar com uma defesa mais sólida, com 5, tem a ver com a história desta época. Muitas vezes passa pelos jogadores não saberem gerir a bola, e foi isso que aconteceu na primeira vez. Na segunda parte, mesmo com uma reorganização da equipa, não conseguimos trazer dificuldades ao CS Marítimo.

Como sabem, os últimos quatro jogos vão ser feitos dentro dum calendário que não vai permitir muito descanso. Vai exigir muito do Boavista FC, mas também dos adversários. Por isso, vamos tentar encontrar o melhor sistema para todos os jogadores.

CS MARÍTIMO

BnR: Na primeira parte esteve por cima da partida, mas foram raras as aproximações à área adversária. Na segunda, com o jogo mais partido já conseguiu várias oportunidades de golo. O que é mudou ao intervalo para tentar animar a partida?

Julio Velázquez: Respeito a sua opinião, mas não concordo a 100%. Acho que fizemos um grande jogo, do primeiro ao último minuto. Acho que merecemos a vitória, e podíamos ter ganho por mais. Mudamos algumas coisas ao intervalo, mas não porque não gostei da primeira. Acho que temos feitos coisas muito boas com bola nos últimos jogos, e hoje o primeiro objetivo era o três pontos, mas queríamos também continuidade durante os 90 minutos.

Atacar com bola, progredir com bola, e tivemos claramente por cima. Ajustamos ao intervalo mas para melhorar algumas coisas que já estávamos a fazer bem na primeira parte, principalmente com bola. Sem bola fizemos alguns ajustes para tapar os espaços, principalmente os do Angel, que não conseguiu ter grande espaço.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome