A CRÓNICA: LARGURA + PROFUNDIDADE + EFICIÊNCIA = GOLOS

Na última jornada antes do final do ano, Boavista FC e SC Braga encontraram-se no Estádio do Bessa para um duelo que vinha, num passado recente, sorrindo para os axadrezados: três vitórias diante dos arsenalistas nos últimos três jogos.

Jesualdo Ferreira queria começar com o pé direito em casa, mas foi o SC Braga que entrou praticamente a vencer no encontro. Aos 2′, Paulinho falhou um cabeceamento, já na pequena área, após cruzamento de Ricardo Horta, mas, no minuto seguinte, após um mau atraso de Chidozie, Fransérgio intercetou a trajetória da bola, fintou Léo Jardim e entregou a Paulinho, que faturou pelo quarto jogo consecutivo. O avançado português igualou, desta forma, a sua melhor série de jogos a marcar, dado que tinha faturado em quatro jogos seguidos por duas vezes na última temporada.

Em pleno dilúvio, ao minuto 14, Iuri Medeiros pegou de relâmpago a defesa axadrezada. Primeiro, a luz, ao intercetar num ápice um mau passe no meio-campo adversário, e depois o autêntico “estouro”, um remate indefensável para aumentar a vantagem bracarense.

Num jogo rápido, com bastante chegada às balizas, o Braga não tirava o pé do acelerador e, aos 25′, Ricardo Horta, desmarcado por um passe de Sequeira que tinha como destinatário Fransérgio, apareceu nas costas dos centrais boavisteiros e, na cara do guarda-redes brasileiro da casa, não perdoou. Perdoou, sim, cinco minutos depois, após uma tabela com Paulinho, quando apareceu novamente na cara de Léo Jardim, mas não conseguiu ultrapassar o último homem do Boavista.

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Já perto do intervalo, surgiu a primeira grande oportunidade do Boavista. Numa transição rápida conduzida por Elis, Angel Gomes recebeu, puxou para o pé predileto, mas Mateus esteve a altura e manteve a baliza arsenalista inviolada até ao meio-tempo. Grande prestação do SC Braga no primeiro tempo, marcado pela velocidade de execução, eficácia, dinamismo e, sobretudo, pela exploração exímia da profundidade e largura da defensiva da casa.

A segunda parte não começou da melhor forma para os arsenalistas, que viram Sequeira sair lesionado logo ao terceiro minuto do segundo tempo. Além da lesão do lateral, os bracarenses festejaram por duas vezes, aos 57′ e aos 62′, golos que viriam a ser anulados por fora de jogo.

O Boavista ia criando perigo sobretudo nas bolas paradas e foi mesmo de canto que marcou. Hamache bateu à direita e Devenish marcou para os homens da casa. No entanto, os homens de Jesualdo Ferreira, quatro minutos depois, iriam sofrer o quarto golo, com Paulinho a assistir Ricardo Horta para um remate colocado que só parou no fundo das redes de Léo Jardim.

O Braga poderia ter chegado à mão cheia de golos aos 71′, depois de um contra-ataque perfeito. Tudo feito ao primeiro toque, Fransérgio desmarcou Paulinho, que, em posição frontal à baliza, atirou para uma soberba intervenção de Léo Jardim. Os arsenalistas podiam ter feito mais um golo aos 87′, mas, novamente Léo Jardim, impediu Ricardo Horta de dilatar ainda mais a vantagem no marcador.

O Boavista, em cima do minuto 90, numa altura em que os axadrezados estavam por cima na partida, podia ter reduzido a desvantagem no marcador, mas Matheus respondeu rápido a um remate forte de Mangas.

O SC Braga sobe, provisoriamente, ao terceiro lugar da Liga, no que foi uma exibição arrebatadora dos homens de Carlos Carvalhal.

 

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Primeira parte do SC Braga – Os arsenalistas entraram com tudo no jogo e foram incisivos na exploração da largura e profundidade da defesa axadrezada. O conjunto de Carvalhal fez três golos sem resposta em menos de meia hora e podia não ter ficado por aí.

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Defesa do Boavista – Há muito trabalho para Jesualdo Ferreira fazer na sua defesa. Erros na primeira fase de construção, falhas na marcação e constantes bolas na profundidade entre os centrais condenaram o Boavista à derrota neste jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

O Boavista FC apresentou-se em 4-3-3, com Angel Gomes a fazer de falso 9 e com Elis e Yusupha a partirem em diagonais das alas, de forma a explorarem as costas dos centrais bracarenses. Os “panteras” conseguiram criar oportunidades, mas cometeram erros fulcrais na saída com bola. Há trabalho para Jesualdo Ferreira fazer na primeira fase de construção.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Léo Jardim (5)

Reggie Cannon (5)

Devenish (4)

Chidozie (4)

Hamache (5)

Show (4)

Angel Gomes (6)

Nuno Santos (5)

Paulinho (5)

Elis (6)

Yusupha (5)

SUBS UTILIZADOS

Benguché (5)

Mangas (5)

Nathan (5)

Pérez (-)

Morais (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

O SC Braga apresentou-se em 4-4-2, com Fransérgio a aparecer ao lado de Paulinho. Os arsenalistas primaram pela exploração da largura e profundidade, lançando Sequeira e Esgaio nas alas, com Ricardo Horta e Iuri Medeiros a darem apoio mais por dentro. Os homens de Carvalhal saíram muitas vezes em contra-ataque ao primeiro toque, com várias diagonais a confundirem a defesa adversária e a isolarem, quase sempre no centro, Paulinho ou Ricardo Horta.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (6)

Esgaio (6)

Rolando (6)

Raúl Silva (6)

Sequeira (6)

Fransérgio (7)

João Novais (7)

Al Musrati (6)

Ricardo Horta (8)

Iuri Medeiros (7)

Paulinho (8)

SUBS UTILIZADOS

Zé Carlos (6)

Gaitán (-)

André Horta (-)

Abel Ruíz (-)

Bruno Rodrigues (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Boavista FC

BnR: Esgaio e Sequeira apareceram muitas vezes sozinhos na ala, dando origem a situações perigosas para o Boavista. Cannon e Hamache estavam a fechar demasiado dentro ou houve alguma falta de compromisso defensivo dos restantes jogadores?

Jesualdo Ferreira: Aos 15 minutos, o Braga chegou ao 2-0 e aos 25′ ao 3-0, o que tínhamos planeado para o jogo foi por água a baixo. Acho que a minha equipa foi sempre muito objetiva naquilo que queria. Discutimos o jogo durante 90 minutos, tivemos ocasiões para fazer golo, mas quando se joga contra uma equipa como o Braga tem de haver atenção redobrada, não podemos falhar na saída de bola. Normalmente as outras equipas deixam de estar em campo e nós não deixamos, alteramos a nossa disposição tática. Para mim foi importante sentir que há uma equipa quer quer fazer coisas importantes nesta época. Nesta jornada, o Boavista era uma das equipas mais batidas, isso é o que vamos trabalhar no futuro. Para já tentei incutir-lhes posicionamentos, agora vamos trabalhar durante a semana porque isto não se muda de um dia para o outro. É evidente que temos de lidar com lesões, com menor capacidade, com a falta de confiança. A única questão a retirar do jogo é: fomos capazes de lidar com o insucesso.

SC Braga

BnR: Paulinho igualou a sua melhor série de jogos consecutivos a marcar. São já quatro. Queria perguntar-lhe como tem visto este bom momento do jogador e se teme que haja mais uma janela de transferências atribulada com muitos clubes a querer tirá-lo de Braga.

Carlos Carvalhal: Não estou minimamente preocupado. Ele vai ficar até ao final do ano e não sai em Janeiro, a não ser pela cláusula. Espero que feche o circo na comunicação social, principalmente com uma potencial saída para o Sporting. Esta especulação afeta as equipas e quero então dizer que o Paulinho está de corpo e alma no Braga, vai continuar a fazer muitos golos e, no final da época, vai fazer a transferência que tanto anseia e que nós também tanto queremos, porque também é bom para os cofres do Braga.

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