A CRÓNICA: FICOU A IDEIA DE QUE ERA PROÍBIDO REMATAR 

Jogo grande em perspetiva, nesta penúltima jornada da fase de acesso à Segunda Liga (zona sul), entre o primeiro e o segundo classificado do grupo, o CF Estrela da Amadora e o SC União Torreense. O futebol de ataque, positivo e vistoso, habitualmente praticado por ambas as equipas, fazia adeptos de todo o país esfregar as mãos, num jogo que seria decisivo e poderia até mesmo ditar já quem subiria à Segunda Liga.

O árbitro principal Bruno Vieira apitou para o começo do jogo e assistimos a bastante equilíbrio, se calhar até em demasia. As duas equipas dividiam a posse de bola e nenhuma criava verdadeiro perigo. Nota para o infortúnio de dois jogadores, Silas, para os visitantes (perto dos 10 minutos), e Hélder Laton, para os da casa (a rondar a meia hora), que tiveram de abandonar o terreno de jogo de maca; desejos de rápidas melhoras para ambos.

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A palavra “equilíbrio” era a que melhor definia a primeira parte, no entanto, a curtos espaços, era o Torreense que por mais ocasiões aparecia perto das imediações da área adversária, com destaque para Filipe Andrade.

Pausa para descanso e esperava-se que os jogadores viessem com as baterias recarregadas, para não voltarmos a ver a repetição da primeira parte, que foi, no mínimo, pobre. Durante o intervalo, a luz faltou no Estádio e a segunda parte atrasou cerca de 15 minutos.

No começo da segunda parte, assistimos ao primeiro remate do jogo, Ulisses Oliveira perdeu as vergonhas e chutou do meio da rua para boa defesa de Filipe Leão. O Torreense entrou melhor e a procurar o golo. No entanto, perto dos 15 minutos da segunda parte, grande contrariedade para a turma de Filipe Moreira, que via Zezinho ser expulso, após ter visto o segundo amarelo.

Depois da expulsão, em vantagem, o Estrela procurou subir as suas linhas e ter mais bola no meio-campo adversário, apesar disso, não criava grandes situações de perigo. O tempo foi passando, o perigo não foi criado e o resultado mantinha-se. Só para lá dos 90 é que houve novo remate, no entanto, sem grande perigo para a baliza do guardião do Torreense.

Apesar da falta de oportunidades durante todo o jogo, na segunda parte sempre houve mais emoção, mais intensidade e mais lances que poderiam resultar em perigo. No entanto, não há como negar, o jogo, que se esperava ser uma das grandes partidas desta fase, acabou por deixar um pouco a desejar, face às quase raras ocasiões criadas.

Fica agora tudo por decidir na última e derradeira jornada, sendo que o Estrela, o Torreense e o Vitória ainda têm hipóteses de chegar ao primeiro lugar do grupo e, consequentemente, subir à Segunda Liga.

Foto de Capa: SCU Torreense

A FIGURA
Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Sérgio Conceição – Foi sempre dos mais inconformados com o resultado. Esteve seguro a defender e ia bastantes vezes ao ataque, sendo protagonista de vários cruzamentos, alguns deles bastante perigosos. Continua a ser uma das boas e mais constantes figuras deste Estrela.

O FORA DE JOGO

Primeira parte – Primeira parte bastante fraca, que não condiz, em nada, com o valor e a qualidade destas duas equipas. 45 minutos, zero remates, pouco futebol e dois jogadores lesionados com aparente gravidade; penso que isto diz tudo daquilo que foram uns 45 minutos duros de assistir.

 

ANÁLISE TÁTICA – CF ESTRELA AMADORA

O Estrela montou-se no seu habitual 3-4-3, com Sérgio Conceição e Diogo Clemente encarregues com os respetivos flancos e com Diogo Leitão e Xavier Fernandes no apoio ao ponta-de-lança, Paollo Madeira.

Depois da expulsão do homem do Torreense, o Estrela, naturalmente, subiu mais as suas linhas e foi mais pressionante, sufocando e remetendo, assim, o adversário para a sua área.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Filipe Leão (6)

Zé Pedro (6)

Yuran Fernandes (7)

Hélder Laton (-)

Xavier Fernandes (6)

Diogo Leitão (6)

Paollo Madeira (6)

Diogo Clemente (6)

Chapi Romano (6)

Sérgio Conceição (7)

Andrré Duarte (6)

SUBS UTILIZADOS

Filipe Gaspar (6)

Luís Mota (6)

Leandro Tipote (6)

Chidera Nwoga (6)

Telmo Watche (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – SCU TORREENSE

Logo de início, os visitantes mostraram ser uma equipa agressiva (no bom sentido) e tentaram explorar a velocidade dos seus dois avançados, que são bastante rápidos.

Num 3-5-2, era Ricardinho que ocupava a posição mais ofensiva do miolo e que tinha a função de ligar o meio-campo à frente de ataque. Para além desta ligação, Ricardinho, devido à sua mobilidade, também descaía para os corredores, procurando, assim, surpreender e criar superioridade.

Depois da expulsão, a equipa de Torres Vedras jogou numa espécie de 5-2-2, com Daniel Martins a ocupar a posição de lateral esquerdo e Ricardinho a fazer dupla com Tocantins no ataque, se bem que, muitas das vezes, baixava para terceiro médio.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marcelo Valverde (6)

Mamadou Traoré (6)

Benny (6)

Zezinho (4)

Ragner Paula (6)

Filipe Andrade (7)

Ricardinho (7)

David Rosa (6)

Welinton Matos (6)

Silas (-)

Ulisses Oliveira (6)

SUBS UTILIZADOS

Gustavo Tocantis (6)

Daniel Martins (6)

Ailson Tavares (-)

 

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CF Estrela Amadora

BnR: Nos últimos 15 minutos do jogo mudou o seu esquema tático. Passou de um 3-4-3 para uma espécie de 4-3-3, com os laterais bem subidos, pode-nos dizer o que pretendeu com esta mudança?

Rui Santos: Sim, era mais um 4-2-4. Foi um risco que decidi correr, devido ao facto de acreditar que o Torreense já não ia conseguir causar-nos muito transtorno do ponto de vista defensivo e, naturalmente, o que nós queríamos era desmobilizar a linha defensiva do Torreense, jogando pelos corredores, criando superioridade numérica pelos corredores, com Tipote, Chidera e o ala do lado contrário a chegarem a zonas de finalização, e com os médios a chegarem perto. As nossas intenções foram boas, penso que, enquanto treinador, fiz o que tinha a fazer e, infelizmente, não conseguimos marcar, mas pronto, estamos na luta, somos o primeiro classificado, dependemos só de nós. Vamos a Leiria, sabemos que têm uma belíssima equipa, tivemos dificuldades quando jogámos com eles aqui, mas tudo pode acontecer e nós vamos trabalhar a semana inteira com a convicção que vamos ganhar a Leiria.

SCU Torreense

BnR: Após a expulsão, qual foi a mensagem que tentou transmitir aos seus jogadores?

Filipe Moreira: A partir de um determinado momento, há um maior controlo da bola por parte do Estrela e os nossos jogadores estão mais longe do meu raio de ação. Ora, a tendência geral da parte dos nossos jogadores é que defendam mais perto da sua baliza, o que é perfeitamente normal. Surgem mais bolas pelos flancos, há mais possibilidades de cruzamento e por muito que tentemos puxá-los para cá, torna-se complicado. Algumas vezes tivemos critério na saída, outras nem tanto. Ainda tivemos um lance de bola parada em que conseguimos incomodar, mas nesse capítulo o Estrela até teve mais que nós. Portanto, não há mais nada que possa pedir aos meus jogadores, porque estava a ser muito complicado a partir de um determinado momento.

BnR: Durante a primeira parte, vimo-lo bastante interventivo, a corrigir o posicionamento dos homens da frente quando não tinham bola e quando pressionavam o adversário. O que é que estavam a fazer menos bem e o que é que queria que eles fizessem?

Filipe Moreira: Nós, por vezes, de forma prática, temos uma equipa que sabe ter a bola, mas o momento da decisão, no momento vertical, na saída, dá um alimento muito superior à equipa, em certos momentos não foram tão rentáveis como eu idealizava e com isso causámos menos problemas ao Estrela e, nesse aspeto, melhorámos muito em relação ao que tinha acontecido com o Setúbal, porque entrámos muito mal, com o Leiria, porque entrámos muito mal, passámos a entrar mais no jogo, não demos avanço, mas mesmo assim ainda faltou qualquer coisa para podermos chegar à vantagem e o jogo ter sido diferente, mas o futebol é assim mesmo. Não vale a pena fazermos mais cenários, é analisar as coisas friamente. Estamos dentro até ao último momento, que é quando o árbitro entender acabar o campeonato e as contas fazemos depois.

Artigo revisto por Joana Mendes

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