A CRÓNICA: EQUIPA DA CASA ACORDOU NA SEGUNDA PARTE

Os dois últimos classificados da série D do Campeonato de Portugal defrontavam-se, mas com objetivos distintos. O Lusitano FCV lutava ainda para manter viva a hipótese da manutenção, enquanto o CCDR Vila Cortês do Mondego já despromovido tentava deixar outra imagem à época. À partida deste jogo, os visitantes apenas contavam quatro pontos, fruto de uma vitória, um empate e 16 (!) derrotas.

O jogo começou como se esperava, com a equipa da casa por cima na partida. No entanto, o Lusitano não tinha grande imaginação para criar lances de perigo, abusando dos passes longos dos centrais diretamente para Braz ou Hélder Rodrigues. Braz foi o rosto do desperdício da equipa da casa. A melhor oportunidade acabou por ser o livre direto em posição frontal de Zé Francisco, a proporcionar uma grande defesa a Nuno Morais a sacudir o remate perto do poste direito da baliza.

Quem não marca, sofre. O Vila Cortês aproveitava sempre que recuperava a bola na defesa para construir transições rápidas. Os visitantes acabariam por marcar aos 36´, numa dessas situações, com André Jesus a cruzar do lado direito do ataque, para Moutinho à boca da baliza fazer o primeiro, perante alguma lentidão da defesa da equipa da casa.

Na segunda parte, os viseenses entraram com mais objetividade. Anael entrou na equipa do Lusitano e deixou a sua marca pouco depois. Mauro deixou de calcanhar para o francês no vértice esquerdo da grande área dos visitantes fazer um belo golo, num remate cruzado, aos 51´. Dois minutos passaram e Zé Francisco com novo livre direto, em posição frontal, atirou para o fundo da baliza, com o guarda-redes ainda a tocar na bola.

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O Vila Cortês acabou por aproveitar algum relaxamento na pressão do Lusitano para chegar ao empate. Aos 68´, na primeira vez em que entrou na grande área da equipa da casa, numa boa jogada coletiva, Diogo Curto assistiu de cabeça para André Jesus, que também de cabeça atirou para o 2-2. Contudo, o Lusitano acabou por chegar novamente à vantagem, num livre marcado por Leal para dentro da grande área com Braz desta vez a não desperdiçar. Anael viria ainda a bisar e a fazer o quarto golo para o Lusitano, num alívio incompleto dos visitantes. Vitória justa para a melhor equipa que ficou patente na segunda parte.

 

A FIGURA

FINAL DO JOGO
CAMP. PORTUGAL 20/21 – SÉRIE D – 19 J

Lusitano FC 4-2 Vila Cortês
Raphael A. 54′, Braz 71′, Anael 53′ e 77′ / Paulo 35′ e André 68′)

#SomosTodos

Publicado por Lusitano Futebol Clube em Domingo, 7 de março de 2021 

Anael – Entrou no início da segunda parte e ajudou a desbloquear o ataque do Lusitano. Deu rapidez e criatividade, necessários para ultrapassar a muralha dos visitantes. Fez dois grandes golos.

 

O FORA DE JOGO

CAMPEONATO DE PORTUGAL – ÉPOCA 2020/2021
“Luís Almeida, o herói da 1ª manutenção no Campeonato de Portugal, está de…

Publicado por Lusitano Futebol Clube em Sexta-feira, 29 de maio de 2020

Luís Almeida – Não acrescentou nada à dinâmica da equipa da casa. Esteve a primeira parte em campo sem se notar. Para um atacante de uma equipa favorita à partida e que assumiu o jogo, é pior que pode acontecer.

 

ANÁLISE TÁTICA – LUSITANO FCV

Sem Xandão para o centro da defesa, Paulo Meneses apostou num 4-4-2, num dos esquemas táticos mais ofensivos da época. Braz e Hélder Rodrigues eram os elementos mais ofensivos sem uma posição bem definida e com Zé Francisco e Mauro a auxiliar. Smolovic era o trinco no meio campo, com maior capacidade para o jogo aéreo do que o jogo pelo chão.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Ruca (6)
Calico (7)
Raphael Almeida (8)
Jake (6)
Smolovic (7)
Leal (6)
Zé Francisco (7)
Mauro (6)
Luís Almeida (5)
Hélder Rodrigues (8)
Diogo Braz (6)
SUBS UTILIZADOS
Anael (9)
Sena (6)
Tiago Almeida (-)
Tatiano (-)
Gui (-)

ANÁLISE TÁTICA – CCDR VILA CORTÊS DO MONDENGO

Rui Nascimento apostou numa tática defensiva num 5-4-1, em que os médios se juntavam à defesa para formar uma muralha de nove elementos a proteger a baliza de Nuno Morais. André Jesus era o elemento mais ofensivo, que era acompanhado por Moutinho, Hugo Vaz e André Barra nas transições ofensivas.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Nuno Morais (6)
Rafael Santos (7)
João Oliveira (6)
Miguel Hortelão (6)
António Conceição (6)
Aires (7)
André Barra (6)
Moutinho (7)
Hugo Vaz (6)
André Jesus (7)
SUBS UTILIZADOS
Carvalheira (6)
Diogo Curto (6)
Sétimo (-)
Renato Almeida (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Lusitano FCV
BnR: Que análise faz ao jogo? A equipa apenas acordou na segunda parte?

Paulo Meneses: Acho que não foi uma má entrada. Nós entrámos bem nos primeiros 20 minutos. Tivemos algumas oportunidades, em que fomos perdulários. Quando uma equipa tem uma, duas, três, quatro oportunidades e não consegue fazer golo, pensa que vai ser fácil. Na minha opinião, baixámos um pouco a intensidade de pressão e a intensidade de reagir à perda da bola que nós tínhamos alertado para esse facto. Começamos a cometer erros básicos e pusémo-nos a jeito. A partir dos 20/25 minutos, o Vila Cortês equilibrou, também por mérito deles e numa confusão, conseguiram fazer o 1-0 e complicou um pouco o jogo. No intervalo, ajustamos, fizemos uma substituição, trocámos um extremos pelo outro e conseguimos fazer logo nos primeiros minutos o 1-1 e o 2-1. O Vila Cortês ainda respondeu e depois nós com alguma qualidade, mais serenidade e também com algumas substituições conseguimos pôr-nos acima do jogo e fazer o 3-2 e o 4-2.

Bola na Rede: A pressão sobre o portador da bola foi essencial para mudar o rumo da partida na etapa complementar?
Paulo Meneses: Sim. Na primeira parte, não tivemos bem nesse aspeto. É algo que tem a ver com a nossa identidade, com a nossa forma de defender, encurtar espaço para o portador da bola. Tivemos muito melhor nesse aspeto, foi algo que nós falámos no balneário ao intervalo. Passou por aí a nossa dinâmica, ser mais agressivo, ser mais intenso para depois não dar tanto espaço nem tempo para o adversário pensar e roubarmos a bola mais à frente. Tivemos alguns contra-ataques rápidos fruto dessa pressão intensa e mais rápida, onde nós conseguimos recuperar muitas bolas no campo adversário.

Bola na Rede: Esta vitória dá ânimo para a luta difícil pela manutenção [Lusitano é penúltimo a sete pontos da linha de água]
Paulo Meneses: Sim, dá ânimo. Há duas jornadas atrás, nós tínhamos falado que esta jornada seria muito importante porque havia confrontos diretos entre as seis equipas do fundo da tabela. Tínhamos de chegar a esta jornada com hipóteses matemáticas para nos manter e esperar que houvesse perda de pontos do Espinho, do Castro Daire, que aconteceu e também do Águeda. Nós tínhamos de ganhar o nosso jogo e tudo aquilo que tínhamos perspetivado há umas semanas atrás deu-se. Agora, não digo que está tudo mais fácil, mas conseguimos encurtar distância e estamos vivos! Vamos lutar até ao fim que é o que faz parte da nossa identidade, do nosso ADN, da cultura e da tradição deste clube. É essa mensagem que temos para dentro.

Bola na Rede: Nos últimos quatro jogos, a equipa conquistou sete pontos e só perdeu por uma vez. Considera que equipa está melhor nas suas competências dentro do campo?
Paulo Meneses: Sim, eu já referi isso várias vezes. Desde o dia que aqui cheguei, vão passando semanas e jogo atrás de jogo e a equipa tem crescido em todas as vertentes. Estamos mais competentes a defender, a sair para o ataque, mesmo em ataque organizado, que não é nossa característica, conseguimos ser competentes nesse aspeto. Conseguimos jogar e construir desde atrás. Por isso, o crescimento não é só a nível individual que tem sido muito grande e depois acrescenta ao coletivo. Realço que temos muitos jogadores jovens e eles têm acompanhado esse crescimento. Os jogadores mais velhos ajudam-nos nesse processo, estão muito identificados com as dinâmicas coletivas e se não fosse assim, seria muito mais difícil ganhar os pontos que conquistámos até aqui. Temos de seguir nesse caminho que é o caminho certo e ganharmos os três jogos que faltam para termos hipóteses matemáticas para ficarmos nesta divisão.

Bola na Rede: Nos próximos jogos, vamos ver uma equipa próxima à da segunda parte ou adaptada às características dos adversários?
Paulo Meneses: Nós temos um ADN muito próprio e uma mentalidade muito definida. Tem de ser a identidade da segunda parte, não temos outra alternativa porque a primeira parte tivemos os primeiros 20 minutos, mas depois baixámos e isso não pode acontecer. Quando nos reunimos ali todos, pusemo-nos a jeito e não podemos abordar o jogo assim. Na segunda parte, fomos a equipa que temos sido a maior parte dos jogos.

CCDR Vila Cortês do Mondego

Bola na Rede: Que análise faz a esta partida?

Rui Nascimento: Teve a ver um bocadinho com o que tem sido a nossa realidade. Já contra o Vildemoinhos, quando foi em casa, jogámos a meio da semana, um plantel que é totalmente amador. É muito complicado, tivemos um jogo intenso na quarta-feira. Ao intervalo apesar de estarmos a ganhar, veio ao de cima o desgaste físico dos jogadores e a boa entrada em campo do Vildemoinhos que faz dois golos muito rápidos, em dois lances bem conseguidos. Falta de concentração isso refletiu-se. Depois conseguimos empatar, apesar de não estarmos a merecer, porque estávamos muito por baixo do jogo. Quando o jogo devia estar controlado, sofremos mais um golo de uma falta muito longe que dá tempo para tudo. Nem defesa, nem guarda redes, ninguém reagiu e foi um golo fácil. Depois, a partir daí, psicologicamente a equipa foi abaixo e, fisicamente eu já estar a contar com isso por isso, tentei refrescar um bocadinho a espaços para ver se aguentávamos, mas notou-se. Aliás, acabámos só com dez porque o André [Jesus] já não tinha condição e já não tínhamos substituições para fazer. Em resumo, jogámos bem no primeiro tempo, organizámo-nos, disputámos o jogo de igual para igual, saímos para o intervalo a ganhar mas fisicamente fomos abaixo e não conseguimos contrapor.

Bola na Rede: As várias mexidas no onze titular da última partida para esta estiveram relacionadas com questões físicas?
Rui Nascimento: Sim, foram todas por questões físicas. Aliás, reparou-se, num ou noutro lance, que havia alguns condicionalismos com um ou outro jogador, mas o nosso plantel é curto, as opções não são muitas. Tendo sempre a esperança de que as coisas nos corressem bem pela parte anímica que é o que deveria ter acontecido até ao intervalo. Depois a equipa baixa muito a cabeça, isto tem a ver com a classificação, com os resultados que tem tido e não consegue ir à luta de igual para igual porque, se o fizessem, conseguiríamos disputar o jogo, como provámos aqui no primeiro tempo. Infelizmente, tanto aqui como na Guarda [derrota por 0-3], só jogámos e ganhámos um dos períodos, mas o Lusitano, nos dois períodos, marca mais golos do que nós e mereceu ganhar.

Bola na Rede: O Vila Cortês continua com quatro pontos, a três jogos do fim. Esperava mais desta equipa? O que falhou nesta época?
Rui Nascimento: Logo à partida, na série onde estávamos muito complicada, sabíamos que conseguir a manutenção iria ser uma tarefa muito árdua. Aliado a isso, vieram uma série de fatores, quer de investimento, quer de elementos que deixaram de fazer parte do plantel por situações pessoais e profissionais que nos condicionaram bastante e, depois é aquela espiral negativa que, no futebol é mortífera. Os resultados não aparecem, as derrotas começam-se a sobrepor umas em cima das outras e animicamente a equipa não soube reagir. Infelizmente, como as equipas da AF Guarda sentem sempre dificuldades em contrapor, não conseguíamos reagir e cada vez que nós podíamos reagir, aconteceu alguma coisa. Jogos adiados por várias razões. As nossas melhores fases também não as tivemos. Quando estávamos bem, adiámos com o lusitano duas vezes, com o Castro Daire três, com o Anadia… Uma data de jogos que foram adiados na fase em que estávamos melhor e ficámos com uma série de jogos muito complicada fora. Isso levou-nos a três/quatro derrotas seguidas e, depois, é difícil sair desse buraco, dessa espiral negativa. Por mais que se queira, e hoje aqui foi notório, uma equipa que, no primeiro tempo, disputaria o resultado com qualquer adversário, mas assim que, há alguma situação que não conseguimos controlar, o jogo leva a isto e foi assim a época até agora.

Bola na Rede: Para além de quererem deixar uma boa imagem nos últimos jogos da época, quais são os objetivos da equipa? Lançar alguns jogadores para a próxima época?
Rui Nascimento: Sim, mas apesar de que não temos muito por onde escolher. O nosso plantel já está definido assim há muito tempo e toda a gente já teve o seu período de jogo. Agora, vamos aproveitar para dar alguns minutos a vários jogadores jovens e, que possivelmente poderão ser o futuro do clube. Estruturar, e aprendemos muito no Campeonato de Portugal, ainda melhor o clube para o próximo ano, ainda sem saber se é no Campeonato de Portugal ou Distrital. Para já Campeonato Distrital, reformular o clube para que com as condições que já temos, em próximos anos, possamos vir aqui novamente. Aliás, com uma postura diferente, com um plantel constituído de forma diferente e, claro, com uma competitividade muito maior.

 

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