A CRÓNICA: UM INSPIRADO GODWIN APLICA A PRIMEIRA DERROTA DO CAMPEONATO AO SL BENFICA B

No segundo jogo da quarta jornada da Segunda Liga, o Estádio Pina Manique recebeu o primeiro classificado e ainda invicto SL Benfica B. Já o Casa Pia AC chegava a esta quarta jornada apenas com uma vitória, curiosamente também frente a uma equipa B, mas do FC Porto.

Apesar da manhã cinzenta, o jogo começou logo com uma grande intensidade imposta por ambos os coletivos, com as duas equipas determinadas a assumir o comando da partida.

E logo aos quatro minutos, após um cruzamento feito da direita do ataque do Casa Pia AC, um corte incompleto de Filipe Cruz deixou Leonardo Lelo de frente para a baliza, que prontamente apontou o primeiro tento para a equipa da casa.

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A reação da equipa de Nélson Veríssimo foi muito positiva, e logo após o golo sofrido a equipa soube ter bola e ser paciente na procura da baliza adversária. Ao minuto 14 da primeira parte, a equipa chega à igualdade. Um grande passe em profundidade isola Henrique Araújo que, com um ligeiro toque, tira o guarda-redes da frente e remata para o primeiro do SL Benfica B.

Com o marcador novamente empatado, o ritmo manteve-se com as duas equipas muito empenhadas em assumir a liderança. Mas a equipa visitada parecia querer mais, e Godwin lá na frente ia causando muitos problemas à defesa das águias.

Tanto trabalhou que a recompensa acabou por aparecer. Após um cruzamento de Lelo ao segundo poste, a bola acaba por sobrar para Godwin, que marca o segundo para a equipa da casa.

Já na liderança do marcador, o Casa Pia AC não relaxou e começou de imediato a procurar o golo da tranquilidade. E já ao cair da primeira parte, Godwin, num remate de fora de área, quase abriu caminho para o terceiro golo. Valeu a excelente intervenção de Fábio Duarte, mantendo assim o jogo em aberto para a segunda parte.

Após o regresso dos balneários, o rumo do jogo pouco mudou, com a equipa do Casa Pia AC a querer dar continuidade ao bom momento do jogo. No lado visitante era notório algumas dificuldades em conseguir ligar jogo com os homens da frente, e as oportunidades iam sendo escassas.

Ao minuto 54, num ataque rápido da equipa da casa, o avançado Godwin, após tirar um jogador da frente, rematou para a tranquilidade da equipa.

Obrigado a correr atrás do resultado, o técnico Nélson Veríssimo promoveu algumas alterações, fazendo entrar Ronaldo Camará e Ndour. Mas o rumo do jogo pouco se alterou, muito por causa do suspeito do costume, Godwin, que continuava endiabrado na frente.

E ao minuto 74, o Casa Pia AC chegava ao quarto golo, com Godwin a assinar o hat-trick na partida. Se a tranquilidade já era uma realidade, o quarto golo acabou por sentenciar a vitória dos homens de Pina Manique.

Já para lá dos 90 minutos, e com o resultado praticamente fechado, apareceu Pedro Ganchas que reduziu para o SL Benfica B.

No final, fica a imagem de uma primeira parte muito intensa, mas onde a inspiração de Saviour Godwin superiorizou-se a qualquer outro fator. Um resultado que significa a primeira derrota no campeonato para os jovens do SL Benfica B, e três pontos importantes para a subida na classificação do Casa Pia AC.

 

A FIGURA

Godwin esteve endiabrado frente ao SL Benfica B
Godwin esteve endiabrado frente ao SL Benfica B
Fonte: Casa Pia AC

Saviour Godwin (Casa Pia AC) – Começou bem a partida, ao estar envolvido na jogada do primeiro golo do Casa Pia AC, tendo depois explodido por completo. Fez as três posições do ataque e foi sempre uma enorme dor de cabeça para a defesa encarnada. Godwin marcou três golos e foi sempre fulcral na manobra ofensiva da sua equipa.

 

O FORA DE JOGO

Meio-campo do SL Benfica B – Nunca encontrou resposta para a superioridade exibicional do adversário, tendo sido dominado durante toda a primeira parte. Na segundo tempo, os dois golos do Casa Pia AC nesse período nasceram em perdas de bola no meio-campo do SL Benfica B.

 

ANÁLISE TÁTICA – CASA PIA AC

Os gansos começaram por defender em 5-3-2, mas quando tinham a bola (o que ocorreu durante largos minutos na primeira parte) os alas, Leonardo Lelo e Galo, subiam no terreno e a equipa saía a jogar com três centrais.

Era através dos alas e de bolas longas que o Casa Pia AC conseguia avançar no terreno e ameaçar o SL Benfica B, tendo o primeiro golo nascido numa variação de flanco já em cima da grande área adversária.

A equipa apresentou uma defesa compacta e, estando na frente do marcador, defendia em 5-4-1 para assegurar superioridade numérica face aos médios adversários.

A coesão defensiva foi a imagem de marca do Casa Pia AC no segundo tempo, tendo-se baseado nela para depois lançar os dois golos que a equipa marcou nesse período.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Batista (6)

Galo (6)

Vasco Fernandes (7)

Zach (8)

Leonardo Lelo (8)

Zolotic (7)

Banjaqui (8)

Vitó (7)

Lucas Soares (7)

Saviour Godwin (10)

João Vieira (7)

SUBS UTILIZADOS

Lucas Silva (7)

Jota (6)

Nuno Borges (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA B

O SL Benfica B tentava pressionar em zonas avançadas do terreno, forçando ocasionalmente o erro do adversário. A equipa defendia em 4-1-4-1, que depois se transformava num 4-3-3 a atacar.

Com bola, as águias tentavam completar passes rápidos e incisivos para os homens da frente, apostando muitas vezes na velocidade dos extremos, Samu e Umaro Embaló, tendo chegado ao golo através de um contra-ataque.

Na 2ª parte o SL Benfica B teve mais posse de bola, mas pouco assustou a baliza de Ricardo Batista, tendo apenas chegado ao golo no período de descontos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Fábio Duarte (5)

Filipe Cruz (5)

Tomás Araújo (5)

Pedro Ganchas (6)

Rafael Rodrigues (5)

Diogo Capitão (5)

Paulo Bernardo (4)

Martim Neto (4)

Samu (6)

Umaró Embaló (4)

Henrique Araújo (6)

SUBS UTILIZADOS

Jair Tavares (6)

João Resende (6)

Ronaldo Camará (6)

Miguel Nóbrega (4)

Cher Ndour (7)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Casa Pia AC

BnR: Assistimos a uma primeira parte em que o Casa Pia conseguiu controlar o jogo e anular o meio campo adversário. Depois, na segunda parte, marca dois golos após duas recuperações de bola a meio campo. Crê que esse controlo do meio campo foi um dos principais fatores para a vitória?

Filipe Martins: Nós ganhámos a batalha do meio-campo devido aos três jogadores da frente e devido ao trabalho da nossa linha por trás, a controlar as costas dos nossos médios. O jogo do Benfica B é muito isto: projetar os laterais, assumir o jogo com os dois centrais montando um triângulo com o trinco, onde tem o tempo e o espaço para instalar o Paulo Bernardo e o Martim Neto nas costas dos nossos médios. E se tiverem esse espaço aberto, têm muita gente entrelinhas, têm a largura máxima nos extremos. Se conseguirem instalar os dois oitos nas costas dos nossos médios, depois com um jogador [Henrique Araújo] que, para mim, arrisco-me aqui a dizer que vai ser o futuro ponta de lança da Seleção Portuguesa. Neste momento é um craque, neste momento tem coisas que não existem, e há só que olhar para ele. Se calhar é aquele jogador que não é brilhante aos olhos de muita gente, mas além de ser um finalizador nato, tem boas movimentações, ele é um craque”.

 

SL Benfica B

BnR: Após o primeiro golo sofrido o Benfica B reage bem e consegue depois chegar ao empate, mas depois de sofrer o segundo golo a equipa acaba por não reagir da mesma forma. Acha que essa reação menos positiva pode ter influenciado o desenrolar do jogo?

Nélson Veríssimo: Pode ter sido, esta é uma equipa muito nova e não quero de todo justificar a derrota com isso, mas agora isto vai fazer parte do processo de crescimento da equipa. Uma equipa nova, aqui ou ali com alguma falta de maturidade para apurar um ou outro momento do jogo, mas vai fazer parte do processo de crescimento e tenho a certeza que este jogo claramente vai contribuir para aquilo que será o crescimento da equipa mais à frente”.

Rescaldo de opinião de Afonso Santos e Gonçalo Tomaz

 

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