Quem serão os Ases dos ares da Primeira Liga 2019/20?

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Numa das épocas mais atípicas de que há memória – e dificilmente será superada nesse capítulo – não chegava uma pandemia para atrapalhar as contas, também agora não se sabe quem realmente desce à Segunda Liga. Ainda não é certo se temos um histórico a descer de escalão ou se, por mais uma vez, consegue escapar às garras da “Segunda” e das finanças.

De forma a proteger populações e agilizar os encontros, tivemos equipas a carregar a casa às costas e a assentar os seus quartéis generais noutras latitudes. De facto, foram mais os pontos aleatórios numa época pouco brilhante do que seria de esperar. O que não parece ser afetada é a competência dentro das quatro linhas.

Essa ou se tem ou se não tem. Simples assim. Neste artigo vou abordar a competência dos clubes da Primeira Liga num aspeto muito específico do jogo; a bola parada e o aproveitamento que daí decorre. É recorrente ouvir, aqui e acolá, que determinada equipa é mais forte na bola parada e que depende muito desse momento para a conquista dos pontos.

Verdade ou não, os números da época estão aqui vertidos e alguns representam uma verdadeira surpresa. Quanto à faturação por “via aérea” não há surpresas e as suspeitas confirmam-se e não deixam margem para dúvidas; os dragões foram quem levantou mais vezes vôo para alcançar o título.

Foram, de longe, a equipa mais goleadora de cabeça em casa (10 golos) e fora de portas têm também o melhor registo, igualados pelo CD Santa Clara (sete). No lado oposto surgem o Belenenses SAD e CD Aves, sem qualquer golo apontado de cabeça em casa. O “Galo” pouco usou as asas fora de casa; os gilistas apontaram apenas um golo de cabeça longe do seu terreno.

Uma das razões da descida dos algarvios pode estar no facto de dependerem demasiado da produção ofensiva através dos lances de bola parada.

É no âmbito da organização defensiva que surgem as surpresas. Os grandes não desaparecem, mas as equipas de menor dimensão dão o salto na estatística. As equipas mais permeáveis em casa são Rio Ave FC e Belenenses SAD, com sete e oito golos sofridos, respetivamente. Fora de portas, foram os tondelenses e os avenses que mais sofreram; oito golos pelos auriverdes e 11 pela equipa da Vila das Aves.

No extremo oposto desta análise surgem Sporting CP e CS Marítimo – os leões sofreram apenas um golo de cabeça em casa e os insulares repetiram o registo, mas enquanto visitante. No total, as equipas menos batidas peloas ares foram, no entanto, os dois grandes que disputaram o título até ao fim, uma equipa que ficou às portas da Europa e um despromovido; FC Porto, SL Benfica, Vitória SC e Portimonense SC sofreram apenas cinco golos de cabeça em toda a prova.

Quanto ao peso destes números face ao total de golos apontados por cada equipa, as surpresas prolongam-se. A equipa que mais dependeu do jogo aéreo para pontuar vive num impasse relativamente à divisão onde vai competir no próximo ano; o Portimonense SC marcou 37% dos seus golos através de remates de cabeça.

Segue-se, de perto, o CD Santa Clara com exatamente um terço dos golos apontados de cabeça (33%) e um pouco mais atrás surgem os tondelenses (27%). Belenenses-SAD (sete porcento), FC Famalicão (11%) e Rio Ave FC (13%) raramente recorrem a este meio de obter golos.

Pelo contrário, o CD Santa Clara surge como uma das equipas mais permeáveis, sofrendo 29% dos seus golos pelos ares. Seguem-se, de perto, Rio Ave FC e CD Tondela com 25%. Por fim, Portimonense SC (11%), Vitória SC (13%) e FC Famalicão (14%) foram as equipas menos feridas de cabeça em relação ao universo de golos concedidos em toda a Liga.

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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