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Baixinho? Eu? Poupa-me

Ruben Brêa Marques · 3 min

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A constante transformação do futebol quase numa ciência exata tem feito nascer variadíssimos estereótipos, sendo que, alguns deles, parecem que de exatos têm muito pouco. Se no futebol, como em todas as áreas, existe sempre alguém que pensa fora da caixa (Guardiola, Sampaoli, Sarri, etc), grande parte embarca no rebanho e segue cegamente as linhas estereotipadas e o conceito do “ideal”, que, por si só, já é bem discutível.

O parágrafo anterior serviu para introduzir o tema deste artigo. O estereótipo a “abalroar” é o do guarda-redes. Guarda-redes moderno é um guarda-redes completo. Seguro a sair dos postes, forte entre os postes, tranquilo a jogar com os pés e confiante a jogar fora da grande área, mas…pode ter isto tudo, mas se não tiver 1,90 metros não vale a pena. Parece que não, mas há clubes e agentes desportivos que fazem a filtragem através dos traços físicos, mesmo que a nível de qualidade sejam exatamente aquilo que procuram.

Este estereótipo não está enraizado em todo o lado, é verdade. Desde a América Latina a países como Espanha ou França (dois países que têm ligas que estão entre as cinco melhores do mundo) este estereótipo não existe. São vários os guarda-redes na casa de 1,80 ou até menos (por exemplo, Sergio Álvarez e Jordi Masip tem ambos 1,78 e são titularíssimos nas suas equipas). Em Portugal, o cenário é diferente.

Desde a Primeira Liga à Segunda Liga, a passar no Campeonato de Portugal e até nos distritais, são vários os agentes desportivos a descartar guarda-redes “baixinhos”. Curiosamente, na seleção Nacional, três das principais quatro opções são “baixinhos”. Ora vejamos.

Rui Patrício, senhor e dono da nossa baliza, com o seu imponente 1,90, é a exceção. Mas é a exceção não pela estatura, mas pela qualidade. É um verdadeiro monstro, que evoluiu em cima de erros atrás de erros, que o tornaram um dos melhores guarda-redes da Premier League. As suas “sombras” é que só são “baixinhos”.

Cláudio Ramos, Beto e Anthony Lopes. Três excelentes guarda-redes com trajetos e a viverem momentos completamente diferentes.

Beto é o “mais baixinho” e o mais renomado, com uma carreira invejável
Fonte: FPF

Beto, internacional por quinze vezes e um dos capitães de equipa, tem 36 anos e é o senhor e dono da baliza do Göztepe SK da Primeira Liga Turca. Apesar da mega carreira construída, onde representou o Sevilla FC, FC Porto e Sporting CP e já venceu o campeonato Nacional e a Europa League (esta por três vezes), Beto tem “somente” 1,79m. Como é que os ‘cientistas da bola’ explicam um trajeto de sucesso destes de um guarda-redes desta estatura?

Anthony Lopes é dono da baliza de um dos maiores clubes de França e da Europa
Fonte: FPF

Prosseguimos com Anthony Lopes. O luso-francês é um pouco mais alto, tem 1,84m, mas para muitos continua a ser baixinho. No entanto, Anthony cresceu e formou-se em França, onde esse estereótipo não existe e, fruto do seu talento, saiu da equipa de juniores do Olympique Lyonnais e afirmou-se na equipa principal. Desde a época 13/14, Anthony, de 28 anos, é o titular indiscutível da baliza. É internacional português por sete ocasiões.

Cláudio Ramos tem ‘atirado’ Anthony Lopes para fora das últimas convocatórias da seleção Portuguesa
Fonte: FPF

Terminamos com o recém-chegado à seleção. Cláudio Ramos, internacional por uma vez, de 26 anos, a defender a baliza do CD Tondela, conseguiu o impensável. Não só quebrou a estereotipada barreira da estatura, como conseguiu chegar à seleção jogando numa equipa ‘pequena’ da Primeira Liga. De ‘apenas’ 1,82m, mais um exemplo de sucesso, fruto de uma qualidade inegável.

O objetivo deste artigo é somente chamar a atenção, recorrendo a factos, que os estereótipos não fazem grande sentido no desporto, nomeadamente no futebol. Falamos na estatura dos guarda-redes, mas podíamos falar na dos defesas centrais, trincos, etc. O único critério que devia e deve existir no futebol, é o da qualidade, compromisso e consistência.

 

Foto de Capa: FPF

Ruben Brêa Marques

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