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Caça às pérolas

Diana Oliveira · 3 min

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O futebol português está a mudar. Na verdade, um pouco por toda a Europa assiste-se a mudanças no paradigma das contratações, notando-se uma maior tendência para o mercado asiático. Mas porquê que isto acontece?

Há menos de uma década, a predominância nas transferências para o campeonato português era de jogadores oriundos da América do Sul. Não há muitos anos – corria o verão de 2013 – Pinto da Costa, presidente do FC Porto, assumiu, durante uma visita à Venezuela, que “o mercado sul-americano em geral é aquilo que nós procuramos para reforçar a nossa equipa”.

Esta não era apenas uma vontade do líder portista, mas uma visão partilhada por vários clubes portugueses: através de um scouting forte nesta zona, era possível descobrir jovens jogadores que pela sua qualidade e possibilidade de progressão se apelidavam de verdadeiras “pérolas”. Contudo, esta procura desenfreada originou uma saturação deste mercado, o que conduziu a uma subida dos valores das transferências e tornou a América do Sul menos apetecível. Esta situação levou a uma queda no poder de compra dos clubes portugueses relativamente aos gigantes europeus, que, por terem maior capacidade financeira, passaram a pagar verdadeiras fortunas por jogadores até então pouco conhecidos.

Desta forma, tornou-se imperativo uma viragem no padrão de contratações. Os clubes portugueses começaram, então, um processo de procura noutros campeonatos dos craques que, outrora, importavam principalmente do Brasil, Colômbia, Argentina e México.

A região dos Balcãs, mais concretamente a Sérvia e a Croácia, afiguraram-se como um mercado aliciante, tendo em conta a relação qualidade-preço. O facto de o SL Benfica ter apostado em vários jogadores sérvios ajudou a despertar a atenção para esta zona, contribuindo também para que estes jogadores se interessassem pelo campeonato português.

Ao clube da Luz seguiram-se outros e, atualmente, são vários os croatas e os sérvios a integrarem plantéis nacionais, como é o caso de Nikola Stoiljkovic, atualmente no Boavista FC e de Lazar Rosic do Moreirense FC, ambos sérvios e contratados pelo SC Braga há cerca de três anos.

O Rio Ave FC é também um caso de sucesso neste tipo de contratações, tendo sido o responsável pela vinda do croata Krovinovic, que suscitou a cobiça de vários clubes e foi mais tarde transferido para o Benfica, estando atualmente emprestado ao clube inglês West Bromwich. Os vila-condenses contam esta época com o defesa croata Toni Borevkovic e o médio sérvio Nikola Jambor. O defesa sérvio Dejan Kerkez e o médio croata Josip Vukovic, do CS Marítimo, compõem outros exemplos.

Koki Anzai integra o lote de japoneses que o Portimonense trouxe do país asiático
Fonte: Portimonense

Mais recentemente, assistiu-se a uma maior aposta no mercado japonês. O Portimonense SC é a expressão dessa mudança, tendo oito nipónicos integrado o plantel algarvio desde 2009. Shoya Nakajima, agora no FC Porto, ilustra da melhor maneira a qualidade destes jogadores, tendo demonstrado atributos muito interessantes que o distinguiram no campeonato português.

Esta nova procura por jogadores asiáticos assenta em vários fatores, sendo que o interesse neste continente surgiu com a passagem da Taça Intercontinental para o Japão em 1980, passando a ser denominada Taça Toyota, já aqui com o objetivo de impulsionar o futebol deste país e gerar patrocínios. Mais tarde, a disputa do Campeonato do Mundo de 2002 na Coreia do Sul e no Japão contribuiu também para uma maior divulgação e envolvimento das nações asiáticas em torno do futebol.

Este interesse crescente conduziu a grandes investimentos, relacionados também com o período economicamente favorável que estes países atravessam. Outro motivo é a dimensão populacional do continente asiático e o grande entusiasmo dos adeptos por este desporto, sendo conhecidos por seguirem apaixonadamente os seus compatriotas que atuam noutros campeonatos.

Esta mudança de paradigma está presente também na recente aposta nos países árabes, resultantes igualmente de um investimento e evolução do seu futebol, sendo também já responsáveis por exportarem vários jogadores para a Europa.

Contudo, ao analisar a preferência de mercados dos clubes portugueses não podemos, ainda, excluir a importância da América do Sul, uma vez que continua a ser uma grande aliada no que toca a transferências, continuando a fabricar vários jogadores que atingem o seu auge no outro lado do atlântico. Ainda assim, os exemplos abordados anteriormente indicam que estamos claramente a assistir a um ponto de viragem no mercado futebolístico, cuja tendência em apostar no recente mercado asiático tem vindo a dar frutos.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Diana Oliveira

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