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Conquistadores: ontem, hoje e sempre!

Inês Figueiredo Mendanha · 2 min

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Em 1143, D. Afonso Henriques conquistava a independência de Portugal, deixando meia Europa boquiaberta. Quase nove séculos depois, um clube vulgarmente categorizado como ”pequeno” ou “aspirante a grande”, que usa como símbolo o nosso primeiro Rei, ousou fazer algo semelhante: levar o nosso nome para as bocas do mundo, com uma campanha europeia sensacional, à custa de um começo aos tropeções na Primeira Liga.

Os amantes de futebol lembrar-se-ão do começo de época do Vitória SC: um rolinho compressor; ora esmagando o AS Jeunesse Esch nas pré-eliminatórias da Liga Europa, ora cumprindo contra o CD Feirense para a Taça da Liga, ora triturando o FK Ventspils, ora estreando-se na Liga com um empate caseiro frente ao Boavista FC.

Detectou-se logo um padrão: um senhor Vitória na Europa e um “vitoriazinho” por terras lusitanas. Aliado às grandes noites europeias, o VSC conseguiu frente ao FCSB aquilo que a Liga nunca conseguiu: unir o futebol português, ainda que só por 180 minutos, que gritou em uníssono pelo Vitória, ali a representar Portugal, e a provocar a decapitação ao ilustre presidente dos romenos. Mas nas competições internas, continuava o descalabro.

Parecia que a fantasia de Davidson e a irreverência de Rochinha só funcionavam com equipas com nomes impronunciáveis, que a frieza de Tapsoba derretia em Portugal, que a balança de Pêpê só se equilibrava por terras estrangeiras. Por uns tempos, julguei haver 2 Vitórias: o de Guimarães que lutava por cá para se afirmar como candidato ao título, e o de Portugal, que nos fazia subir a pique nos rankings europeus.

Felizmente, e com muito dedo de Ivo Vieira, a equipa percebeu que descendo de divisão, não podia jogar nas competições europeias e passou a haver um Vitória igual a si em qualquer lado, independentemente do adversário ou do nome da competição. Isto teve uma contrapartida, e embora o VSC tenha ficado no grupo mais difícil da Liga Europa, a sua ascenção em Portugal contrastou com a sua queda no começo da Liga Europa.

No entanto, o Vitória, fazendo jus ao símbolo que o acolhe, conquistou os amantes de futebol, com a sua exibição no Emirates, em que, além de ter feito o que nenhum clube português ousara até à data. Marcaram um golo ao poderoso Arsenal FC, em Inglaterra, com o seu espírito lutador frente ao Standart Liége, com o outro grande jogo frente aos ingleses e, para terminar com chave de ouro, já sem a matemática do seu lado, foi à Alemanha vencer o Eintrach Frankfurt. Uma eliminação inglória, para quem saiu de cabeça erguida e pelo meio até ceifou uma cabeça. Entretanto, foi subindo a pique na classificação da liga portuguesa; hoje, já ocupa o 5º lugar, e que lhe assenta muito bem.

Após um começo irregular, o Vitória foi subindo na classificação da Primeira Liga
Fonte: Vitória SC

Agora em final do ano, fazem-se os habituais balanços. Importa assim fazer um balanço desta década do VSC: começou a impor-se aos lugares do meio da tabela e tem vindo a subir, ano após ano, a ombrear com os “grandes”, a distanciar-se dos rivais, a posicionar-se no lote dos temíveis de Portugal, sempre aos ombros dos fervorosos adeptos, a conquistar Portugal. Mais uma vez. Vejamos quanto tempo leva a igualar o feito do seu padroeiro. A Europa e o país que se ponham a pau.

Foto de Capa: Vitória SC

 

Inês Figueiredo Mendanha

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