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Obrigado, Rei das Subidas

Mário Silva da Costa · 2 min

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Algumas sensações são bastante difíceis de explicar. Quando perdemos o maior orador que conhecemos, é doloroso. Quando perdemos um verdadeiro mestre do ofício que adoramos, é doloroso. Quando perdemos um ser humano incrível, é doloroso. Quando perdemos uma das figuras que mais admiramos e respeitamos, é doloroso. Perder Vítor Oliveira, que reúne todas estas características, nem sei bem o que é.

No fundo, parece que alguém com quem nunca tive a felicidade de conversar era para mim, simultaneamente, uma das pessoas mais próximas. E isto nem se trata de futebol. Falar de recordes de subidas, falar de qualidades táticas, falar de currículos nem sequer é relevante. Trata-se verdadeiramente de uma grande perda para o país.

Se aprecio tanto isto do futebol, é porque há pessoas como Vítor Oliveira que trabalharam uma vida inteira para fazer do futebol algo melhor. E se Portugal é tão ligado ao futebol, então é seguro dizer que Vítor Oliveira trabalhou uma vida inteira para fazer bem a Portugal. Hoje é seguro afirmar que temos um país mais pobre.

Independentemente das preferências clubísticas, ou até sequer do gosto por futebol de cada cidadão, era humanamente impossível prestar atenção a um discurso de Vítor Oliveira e não admitir que existem figuras dotadas de genialidade, e que deambulam no meio de nós. Se calhar não lhe foi dado o destaque que obviamente merecia, mas também, e num momento destes, quero mesmo acreditar que era feliz assim.

Costuma-se dizer que o futebol é imprevisível. Porra, ao pé de uma situação destas, qualquer resultado é facílimo de prever, porque isto sim é imprevisibilidade. Ver um herói em carne e osso partir surpreendentemente a meio de um passeio matinal é algo que apanha toda a gente de surpresa, e é daquelas surpresas que aleijam e muito.

Vou deixar aqui um obrigado, mas, quer dizer, é insignificante ao pé da grandeza de um herói como Vítor Oliveira. Não queria mesmo vê-lo descansar, porque era quando ele trabalhava que nos presenteava com toda a sua excelência. Ainda assim, trata-se mesmo de um adeus.

Até sempre, mestre Vítor Oliveira.

Muito obrigado.

Mário Silva da Costa

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