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Olhanense: Será o futuro rubro ou negro?

André Maia · 4 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

O dia é 10 de maio de 2014. O local é Setúbal. Eram perto das 18 horas da tarde quando se confirmou o esperado: o Sporting Clube Olhanense era despromovido da primeira divisão de futebol e descia ao segundo escalão do futebol português, após mais uma derrota, por 3-1 frente ao Vitória de Setúbal. No total dessa época foram 18. O Olhanense ficava em último lugar do campeonato, com os mesmos pontos do Paços de Ferreira e exatamente o mesmo número de vitórias, empates e derrotas. Valeu a diferença de golos.

Após cinco épocas consecutivas na Primeira Liga, tinha chegado ao fim um período de alguma regularidade no máximo escalão do futebol nacional, com resultados até satisfatórios, sem grandes sobressaltos – aliás, os Rubro Negros até fizeram um dos seus melhores resultados da história, com um 8º lugar em 2011/2012. O início do fim foi na época seguinte, 2012/2013, com o clube a fugir à despromoção por apenas um ponto, juntando ao insucesso desportivo um lote imenso de dívidas às finanças.

Fonte: SC Olhanense
Um dos raros momentos de festejo no clube de Olhão
Fonte: SC Olhanense

A estas dívidas juntou-se também outro problema: segundo o Decreto-Lei n.º 10/2013, aplicado pela primeira vez na época 2013/2014, todas as sociedades desportivas que pretendessem participar em competições profissionais teriam de criar uma sociedade jurídica desportiva, as chamadas SAD (Sociedade Anónima Desportiva). O SC Olhanense, não tendo uma SAD até à temporada mencionada, teve de formar uma de modo a poder participar nessa época desportiva.

Em junho de 2013 é então criada – um pouco à pressa e sem reflexão – uma sociedade anónima desportiva para o Olhanense, beneficiando o clube de um investimento de 1,5 milhões de euros por parte de investidores italianos, encabeçados por Igor Campedelli, ficando os mesmos a deter 80% do capital social da SAD. Apesar do elevado peso dado pelo clube aos seus investidores, até aqui tudo parece estar bem, com os algarvios a resolverem dois problemas de uma só vez: a não existência de uma sociedade desportiva e as dívidas às finanças e segurança social. Quase quatro anos volvidos podemos dizer que afinal não, nada está bem.

Foto de Capa: SC Olhanense

Estamos agora em abril de 2017. O SC Olhanense acabou de ser novamente despromovido, desta vez da II Liga para o Campeonato de Portugal, abandonando os campeonatos profissionais. Está em último lugar, o 22º, com 68% de derrotas, dívidas e uma massa associativa profundamente desiludida com o (mau) trabalho realizado nas últimas épocas. Mas quais foram, afinal, as chaves para a queda do Olhanense?

O ponto fulcral passa, indubitavelmente, pelo domínio italiano imposto no clube nas últimas quatro temporadas: um autêntico desastre que parece, por vezes, um ato de aproveitamento próprio por parte dos investidores italianos. O domínio italiano no clube algarvio já teve muitas caras: primeiro foi o ex-presidente do Cesena Igor Campedelli – foi o primeiro administrador da SAD do clube, investigado em Itália por crimes de fraude fiscal, mas que nem dois anos durou no comando da sociedade.

Depois apareceu Nicola Pecini – pouco se soube sobre este ator, mas assumiu a área técnica da SAD após a saída de Campedelli, tendo como principal ato de gestão a parceria não assumida com a Sampdoria, controlada pelo seu irmão, Riccardo Pecini.

Entretanto, tudo acontece. Tudo, menos coisas positivas: o Olhanense está na II Liga; o Estádio José Arcanjo não é considerado apto para jogos das competições e é hipotecado; há salários em atraso; chegam regimentos de jovens jogadores vindos de Itália, pouco experientes e em regime de empréstimo, o que não dá regularidade à equipa nem consistência competitiva – neste ponto posso mesmo dizer, após pesquisa, que desde a chegada dos investidores italianos ao clube, o Olhanense já recebeu 31 jogadores provenientes de Itália, uma média de 8 jogadores por temporada.

Bruno Saraiva é um homem da casa Fonte: SC Olhanense
Bruno Saraiva é um homem da casa
Fonte: SC Olhanense

Porquê o súbito interesse dos clubes italianos no clube português? Primeiro pelas óbvias boas relações de amizade entre os administradores do clube. Depois porque a lei fiscal portuguesa se mostra mais vantajosa para o futebol quando comparada com a lei italiana. Por último, porque o futebol português goza da inexistência de leis quanto a integração de jogadores estrangeiros: ou seja, o Olhanense tem sido utilizado como um autêntico reservatório de jovens italianos, um escoador que serve os interesses dos seus administradores e não os do clube.

Entre as falhas de comunicação entre a SAD e a presidência de Isidoro Sousa, considerada nula pelos adeptos pela falta de poder, chega outro administrador italiano à SAD, o atual dirigente máximo, o ex-árbitro Luigi Agnolin. Após outros dois treinadores italianos, os Rubro Negros chegam agora ao Campeonato Nacional de Seniores pela mão de Bruno Saraiva, treinador da casa e adepto.

A pergunta que se faz agora é: será que o futuro passara a ser mais rubro, ou continuará negro?

Foto de Capa: SC Olhanense

André Maia

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