Vitória SC | A Muralha do Castelo

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A baliza do Vitória SC é, de algumas temporadas para cá, alvo de muitas críticas. Independentemente das conquistas do clube e da posição ocupada no campeonato, o guarda redes é comummente referido como o elo mais fraco da equipa. Vamos conhecer os dois guarda-redes do Vitória e o porquê de serem tão criticados.

Douglas é o elemento mais experiente do plantel do Vitória. O guardião brasileiro de 37 anos chegou à cidade-berço na temporada 2010/2011, mas foi em 2012/2013 que agarrou a titularidade da baliza vitoriana, convencendo nesse momento a estrutura e a exigente massa associativa que era o homem certo para o lugar. Contudo, os anos iam passando e as lacunas de Douglas iam-se acentuando. Revelou-se um guarda redes ágil e muito bom entre os postes, com reflexos interessantes, mas a quantidade de lances em que teve responsabilidade direta com golos dos adversários foi aumentando.

Apesar da sua altura não ser uma problemática do seu jogo, nunca possuiu muita segurança em sair dos postes. Contudo, acredito que o grande problema de Douglas seja a sua concentração. Muitos dos “frangos” que sofreu não foram provenientes de defesas falhadas ou alguma falha técnica no sentido da ação de defesa, que revelassem que ele não sabia defender. Provieram, sobretudo, de alguma falta de visão periférica em entender para onde socar a bola, para onde passar e também de falta de atenção em alguns momentos em que me parece que facilitou em demasia alguns lances. Contudo, Douglas teve também vários jogos memoráveis, em que se revelou absolutamente decisivo. Apesar de ser sempre um elemento muito cobrado pela massa adepta do Vitória, é também acarinhado, pois está há dez temporadas no clube e isso é sempre algo digno e merecedor de muito respeito.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Miguel Silva é o outro homem da baliza vitoriana. Miguel Silva tem 25 anos e é natural de Guimarães, clube que se nota com facilidade ser o do seu coração. Após parte da formação ter sido realizada no CD Ponte e no FC Vizela, mudou-se para o Vitória em 2013/2014 para a equipa de sub 19. A partir daí obteve um crescimento sustentado que lhe permitiu chegar à equipa principal sendo visto como um diamante da formação vitoriana e um potencial ativo valioso para o clube.

A partir da época 2015/2016 começou a dividir a baliza com Douglas, originando uma incerteza na titularidade de uma posição tão específica e crucial como a de guarda-redes. Porém, e apesar do amor notório ao clube e que é reconhecido pelos adeptos, as competências de Miguel Silva também não se têm revelado as melhores. Ao surgir no espaço mediático do futebol nacional, revelou-se um guarda-redes com muitas falhas de concentração. A excentricidade com que aborda muitos lances confunde-se com uma apatia na hora de decisão, o que leva a muitos erros da sua parte, erros esses que não deveriam acontecer a este nível. Apesar de não ser de todo um guarda redes consensual dentro do Castelo do Rei, os 25 anos de Miguel Silva podem permitir-lhe ainda evoluir e atingir um nível interessante de forma a confirmar o potencial que demonstrava há algumas temporadas atrás.

Apesar da problemática em torno da baliza do Vitória, a verdade é que os responsáveis do futebol vitoriano não encetaram esforços para contratar algum jogador que demonstrasse a solidez que, por exemplo, Nilson obteve durante a sua passagem por Guimarães durante sete temporadas. Jonathan foi um reforço que trouxe expetativas numa mudança, mas a lesão grave com que veio do Moreirense FC (onde efetuou duas épocas interessantes) afetou claramente a sua integração, não tendo feito qualquer jogo pelo Vitória, apesar de ainda ter contrato com o clube.

O nome mais falado e mais pedido pelos adeptos do Vitória continua a ser, no entanto, o de Cláudio Ramos. O atual guarda redes do CD Tondela é um dos melhores do nosso campeonato há várias épocas e tem o condão de ter sido formado precisamente no Vitória SC, clube a que se refere sempre com muito carinho. Porém, e apesar do desejo dos adeptos, nunca foi noticiado um interesse formal ou informal no jogador.

Apesar do Vitória ter efetivamente um problema na baliza, é importante mencionar que a lealdade de Douglas e a ainda juventude de Miguel Silva não podem ser esquecidas. Independentemente da possível aposta do clube num outro guarda redes, este terá de ser indiscutível e de créditos firmados no futebol para satisfazer um clube com as pretensões elevadas como o Vitória SC.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

António Sousa
António Sousahttp://www.bolanarede.pt
O António é um famalicense de gema e um amante do futebol e do desporto. Com o sonho em ser treinador de futebol bem presente, é através da escrita que encontra a melhor forma de se expressar. Apologista do jogo interior e do futebol ao domingo à tarde.                                                                                                                                                 O António escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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