Comemorar 22 anos à frente de uma instituição como o CS Marítimo, com reconhecimento a nível nacional, não é tarefa fácil.

Se até em clubes grandes essa estabilidade é algo raro de conseguir e de fulcral importância, em equipas com menos recursos financeiros, mais difícil se torna. Para um clube insular, se adicionarmos as deslocações ao continente, as dificuldades em termos de orçamento para se formar uma equipa competitiva, são ainda mais. Já dizia o provérbio: “Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. José Carlos Rodrigues Pereira, de 66 anos, natural de Santa Cruz – Funchal – manda na sua casa, e apesar do “pão” não abundar, vai dando para as encomendas.

É (só) o segundo presidente com mais tempo à frente de um clube na primeira divisão do futebol nacional, só atrás de Jorge Nuno Pinto da Costa (FC Porto).

Polémico, com intervenções como aquela onde sugeriu “a extinção da Liga Portuguesa de Futebol Profissional”, é um homem que defende a frontalidade dos seus treinadores, à sua imagem, embora nunca se coíba de criticar o trabalho dos mesmos (e dos jogadores) quando as coisas não correm bem.

Teve períodos onde as relações com os principais clubes portugueses não foram as melhores: com o FC Porto, instituição com a qual amizade se deteriorou depois da contratação algo “conturbada” de Kléber aos maritimistas e com o Sporting CP, na altura do infame Bruno de Carvalho, aquando da tentativa falhada de contratação de Danilo Pereira em 2015, o que envolveu mesmo alguma troca de acusações. Só com o SL Benfica é que as relações sempre se mantiveram mais calmas, porém, com alguma turbulência na altura do “Jogo da Mala”. Declarações proferidas por João Gabriel, ex-responsável pela comunicação encarnada, a que Carlos Pereira não deixou de responder, como aliás, é seu apanágio: frontal e sem medo das palavras.

Equipa de Primeira Liga

Para além do futsal, futebol de praia, hóquei em patins, andebol, basquetebol e voleibol, a face mais visível e mediática do Marítimo é o futebol. Em fase de pré-época para a temporada 2019/2020, o Marítimo vai ter a 35ª participação na principal divisão do futebol nacional. Ou seja, todos os anos da era “Carlos Pereira” e mais alguns antes disso. Desportivamente, mais estável seria impossível. Porém, nos últimos anos, nem tudo foi um mar de rosas.

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Em 2018/19, começou Cláudio Braga e terminou Petit, com a equipa a lutar pela manutenção. Nos dois anos anteriores, um 6º e um 7º lugar, que já são mais de acordo com os pergaminhos verde-rubros, sucederam a uma série de classificações mais “pobres”. Para este ano, a aposta recai em Nuno Manta Santos, treinador que deu nas vistas pelo trabalho efetuado no CD Feirense.

Numa análise aos dados, chegamos à conclusão de que o Marítimo é um clube com dimensão europeia. Nada de muito evidente quando comparado com os três grandes e o SC Braga, mas é talvez a quinta/sexta força nacional neste aspeto. Após a chegada da direção encabeçada por Carlos Pereira, a equipa teve cinco presenças na Taça UEFA/Liga Europa. Antes, apenas tinham sido duas. A última participação em competições europeias foi em 2012/13, onde não passou da fase de grupos da Liga Europa.

Na mesma entrevista ao canal oficial do clube, o presidente afirmou que neste momento, o objectivo principal é “garantir a manutenção rapidamente”. “Em segundo lugar, fazer o máximo de pontos possível e em terceiro, difícil mas não impossível, tentar chegar à Europa”. Está lançado o desafio para o plantel e equipa técnica.
Carlos Pereira comemora 22 anos de presidência do Marítimo
Fonte: CS Marítimo

Salvo alguma hecatombe no clube insular, Carlos Pereira vai continuar a ser a figura máxima dos maritimistas, tendo sido reconduzido pelos sócios, em fevereiro, para mais um mandato de quatro anos, que termina em 2022. Até lá, se tudo correr como esperado, serão comemoradas as bodas de prata assentes num projeto sólido e que se pretende cada vez mais desenvolvido nas bases do desporto nacional: orçamento reduzido, contratações cirúrgicas e aposta na “prata da casa”.

Já existe uma academia, um centro de estágios, um ginásio… Toda uma estrutura para que a aposta passe pela formação. Para breve, os planos passam por terminar a construção da sua “fortaleza”, ou seja, o estádio. “Tivemos muito trabalho e esse vem sempre antes do sucesso. São 22, por mim serão mais 22, porque me sinto jovem, com força e vontade para continuar. Nunca serei problema, sempre solução”, disse ao canal do CS Marítimo.

Foto de Capa: CS Marítimo