Mais uma temporada do Campeonato de Portugal aproxima-se do fim e, mais que o futebol jogado, o tema de conversa constante vem de fora das quatro linhas e, surpreendentemente, sem corrupção à mistura. É que toda a organização foi afetada por casos de secretaria, equipas a perder e a recuperar pontos ao longo da época e um crónico problema com os clubes do interior, sem capacidade para competir com as equipas do litoral, que raramente estão acima dos últimos lugares da classificação.

Mas o que chateia mesmo os adeptos e dirigentes dos clubes do terceiro escalão do futebol português acaba por nem ser a incompetência ou falta de jeito da Federação, mas sim o completo desinteresse em fazer do Campeonato de Portugal algo de qualidade e que as pessoas e os clubes possam desfrutar de futebol sem ter de pensar nas voltas e reviravoltas na secretaria que danificam por completo a tão badalada verdade desportiva.

Basta olhar para a Liga Revelação, o imensamente publicitado campeonato para o escalão sub-23 que teve a sua estreia esta temporada. A FPF moveu mundos e fundos para tornar esta competição apelativa para clubes e adeptos e os resultados, honestamente, são positivos e há aqui pernas para andar.

O caso “Casa Pia” foi o mais badalado da temporada, com pontos deduzidos e repostos ao longo da segunda volta
Fonte: FPF

Isto torna ainda mais impensável a falta de condições que há no Campeonato de Portugal, desde custos insuportáveis para os clubes do interior (os mais afetados pelo fim da III Divisão), fortes polémicas com tráfico de jogadores, até aos já falados casos de secretaria que, no espaço de três meses, deram três tabelas classificativas diferentes, numas com o Real SC a ir a play-off, noutras o Casa Pia e noutras até era o Oriental de Lisboa que ficava na terceira posição, à frente do conjunto de Pina Manique.

Mas a falta de tacto da Federação em organizar competições não se fica pelo Campeonato de Portugal, alastrando-se também à Taça de Portugal. As constantes polémicas com os estádios dos clubes pequenos que têm a sorte (ou, desde há algumas épocas, azar) de apanhar um dos grandes do futebol português a verem a sua casa interditada e a terem de jogar longe da sua terra, desvirtuando completamente a tão aclamada “festa da Taça”. O caso mais inacreditável foi mesmo o do Lusitano de Évora que, em 2017/18, foi sorteado com o FC Porto na 3.ª eliminatória da prova-rainha. Porém, o conjunto eborense foi impedido de jogar no seu estádio e obrigado a disputar o jogo no Estádio do Restelo… A 140 quilómetros de distância.

Nesta altura, deixa-nos a questionar se não será preciso criar uma liga para os clubes não-profissionais, de forma a parar o parco interesse da FPF em melhorar as divisões inferiores e dar condições a clubes pequenos que merecem muito mais respeito de quem manda no futebol.

 

Foto de Capa: FPF

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