O alargamento da Liga Portuguesa para 18 clubes foi aprovado, em circunstâncias muito polémicas de que todos certamente se lembrarão, por maioria, pelos clubes em 2013 e foi implementado na época 2014/2015, tendo uma das vagas sido ocupada pelo Boavista FC.

A discussão não é de agora e tem vindo a ser debatida ao longo dos anos: será viável termos actualmente um campeonato português disputado por 18 equipas? E que balanço fazemos hoje desse alargamento?

Antes de mais, há que realçar um ponto prévio: a Liga Portuguesa sempre padeceu da falta de conhecimento e de profissionalismo da grande maioria dos dirigentes que estão à frente não só dos vários clubes, mas também das instituições que “mandam” no futebol português.  Há uma enorme carência em verdadeiros gestores desportivos, como os há na Inglaterra e na Alemanha, com capacidade e competência para gerir clubes e instituições e principalmente as avultadas receitas que o futebol gera.

Em vez disso, temos muitas vezes em lugares de direcção ou decisão indivíduos que mal sabem ler e escrever. Esta realidade explica que naquele ano de 2013 viesse a ser tomada uma medida que muito impactou o nosso futebol, sem sequer estar alicerçada nalgum estudo que demonstrasse que o campeonato tornar-se-ia mais dinâmico e competitivo.

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Chegados aos dias de hoje, que balanço fazemos desse alargamento?

Não melhorou a média de competitividade da liga portuguesa (haver mais jogos não significa maior competitividade e, por conseguinte, mais qualidade). Não resolveu o problema da carência de jogadores portugueses na prova (pois, caso contrário, aí é que Taça da Liga deixaria de ter a pouca justificação que ainda tem). E não melhorou a situação financeira dos clubes, sobretudo dos mais pequenos. É que estes quando foram “aliciados” a votar favoravelmente esse alargamento apenas olharam para o lado da receita e negligenciaram o problema da despesa.

Depois há o óbvio. Um país com 10 milhões de habitantes concentrados nos grandes centros urbanos do litoral do país, em que cerca de 90% é adepto de um dos Três Grandes, não se compadece com um campeonato megalómano com tantas equipas, à semelhança de países com populações cinco vezes maiores que a de Portugal. Aliado a este factor, é o facto de os estádios estão cada vez mais vazios: apenas 5 clubes registam, na corrente época, médias de assistência superiores a 10.000 espectadores.

Por outro lado, creio que se agravou ainda mais o “fosso” que existe entre os Três Grandes e os restantes, tanto a nível competitivo, como também a nível económico. É que o “grosso” das receitas destina-se ao espectro dos Três Grandes enquanto os restantes clubes repartem entre si o resto. Ora, a redução do número de clubes poderia reajustar uma melhor distribuição destas receitas.

Os confrontos entre os grandes são, de longe, os jogos com maior assistência
Fonte: Liga Portugal

Quanto à competitividade da nossa Liga, e não querendo insinuar qualquer nexo de causalidade, desde o alargamento, as equipas portuguesas passaram a ter, com regularidade, resultados menos positivos nas competições europeias. Nunca mais tivemos, sequer, semifinalistas nessas competições ao contrário do que aconteceu em épocas em que a Liga apenas era disputada por 16 equipas. Por exemplo, na época 2010-2011, houve 3 semifinalistas portugueses na Liga Europa. No actual modelo, verificamos que em média o clube campeão conquista, em média, 84% dos pontos em disputa, mas, em contraposição, são escassas as vezes em que os clubes que disputam competições europeias conseguem passar a fases mais decisivas das mesmas.

Por outro lado, a menor distribuição de receitas pelos clubes traduz-se em plantéis mais fracos e, por conseguinte, em partidas menos atractivas para os espectadores.

Urge, pois, ajustar esta competição à real dimensão do nosso país, começando por reduzir o número de equipas no principal escalão e extinguido, de vez, a Taça da Liga.

Foto de Capa: Liga Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

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