A cumprir a 20ª época disputada por inteiro no século XXI, fazemos uma retrospetiva da Primeira Liga portuguesa. Este artigo foca-se no campeonato desde a temporada 2001/02 até à atualidade. No fundo, trata-se de uma análise opinativa sobre o futebol disputado em solo luso nas últimas temporadas, com recurso a dados estatísticos. Alguns são factos de extrema relevância, que exprimem por inteiro o estado do “desporto-rei” no nosso país, outros são simples curiosidades que complementam o nosso universo futebolístico.

Desde 2001/2002, 38 diferentes equipas pisaram os relvados do principal escalão do futebol português, fazendo a distinção entre CF “Os Belenenses” e B SAD. Até aos dias de hoje, a competição já sofreu algumas alterações. Uma das mais importantes foi a implementação dos três pontos por vitória, que está em vigor desde a temporada 1995/96. Ou seja, todas as edições da Primeira Liga que analisamos neste artigo estão de acordo com este sistema de pontuação. Outra diferença que surgiu foi o número de equipas no campeonato. Até à época 2005/06, era disputado entre 18 equipas, tal como nos dias de hoje. Mas desde 2006/07, o número de emblemas foi reduzido a 16, até 2014/15, regressando ao modelo em vigor até à atualidade.

Como no futebol o expoente máximo de felicidade encontra-se nas vitórias, falemos primeiro acerca dos títulos. O emblema que mais vezes se tornou campeão nacional na história da Primeira Liga é o SL Benfica, com 37 troféus amealhados. Mas se nos focarmos apenas nas últimas 19 temporadas, excluindo a presente visto que ainda decorre, o FC Porto lidera com larga vantagem.

Os “azuis e brancos” conquistaram 11 campeonatos, contra sete do SL Benfica, e apenas um vencido pelo Sporting CP. Ou seja, apenas os “Três Grandes” se sagraram campeões nacionais, não havendo grandes surpresas, como por exemplo na época anterior ao começo da nossa retrospetiva, em 2000/01, com o Boavista FC a conquistar o título. Mas indubitavelmente, o grande destaque vai para FC Porto e SL Benfica, que dominam o nosso futebol no presente século, e inclusivamente ambos celebraram tetracampeonatos recentemente. O emblema portuense desde 2006 a 2009, e a formação da capital desde 2014 a 2017.

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Como já vimos, o único clube a intrometer-se na hegemonia de “Dragões” e “Águias” foi o Sporting CP, na temporada 2001/2002. Curiosamente, os “Leões” estão em boa posição para vencer o tão aguardado troféu 19 temporadas depois, voltando a poder “intrometer-se” na lista de campeões nacionais.


Neste período de tempo há um clube que muitos já consideram que se tornou a quarta força clubística do país, pelos seus feitos conquistados nos últimos anos. Apesar de não ter vencido o título de campeão nacional, estabeleceu-se como um candidato ao pódio, e presença assídua nas competições europeias. Estamos a falar de SC Braga, o emblema minhoto que, a par dos “Três Grandes” e CS Marítimo, não falhou uma única temporada na Primeira Liga no século XXI.

Relativamente a pódios, se excluirmos os “Três Grandes” e SC Braga, apenas Boavista FC, Vitória SC e FC Paços de Ferreira conseguiram integrar este grupo, ainda que em raras ocasiões. Refletindo apenas na luta pelo título, a diversidade de clubes escasseia, havendo competitividade entre poucos emblemas. Olhando para a parte inferior da tabela classificativa, o campeonato é sempre empolgante até à derradeira jornada. Aí encontramos um maior equilíbrio entre as equipas, onde todos podem sair vencedores.

No panorama internacional, a segunda década do século não foi a melhor para as formações lusas. Por exemplo, na presente temporada, o FC Porto alcançou os quartos de final da Liga dos Campeões, algo que já é bastante positivo tendo em conta as adversidades do futebol português em comparação com as grandes ligas europeias, como a inglesa ou espanhola. Mas se recuarmos alguns anos, o passado é mais risonho. Nos últimos 20 anos, o FC Porto venceu uma edição da Liga dos Campeões, e duas Ligas Europa. Sporting CP, SL Benfica e SC Braga chegaram à final da Liga Europa, sendo que os minhotos foram derrotados pelos “Dragões”.

Desde 2001/2002 foram 20 temporadas, incluindo a atual, recheadas de grandes equipas e atletas que alinharam nos relvados nacionais. A qualidade da maioria dos clubes tem vindo a aumentar gradualmente, contribuindo para a cada vez maior profissionalização do futebol luso. Apesar das grandes polémicas “extrafutebolísticas” que assombram o desporto rei no panorama português, resta-nos apreciar o verdadeiro desporto dentro das quatro linhas. Um desporto que está repleto de qualidade, e é tantas vezes ofuscado por assuntos externos que nada ajudam o nosso futebol.

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