Esta é a história recente de um clube que teima em querer fazer história. Esta é a história de um clube que há pouco mais de quatro meses recebia na última jornada da Primeira Liga o Estoril-Praia SAD, sabendo que uma derrota o atiraria de novo para a 2.ª Liga. Esta é a história desse mesmo clube que no dia 13 de Maio de 2018 garantiu, pelo terceiro ano consecutivo, a permanência histórica na Primeira Liga, ao empatar a zero com os estorilistas.

Volvidos quatro meses este clube prepara-se para ter na sua história um novo capítulo: e que capítulo! Um capítulo que se deseja pintado a ouro, com letras azuis, de um azul igual ao céu de Verão. O mesmo céu que tem descido ao Marcolino de Castro em cada dia que a sua equipa ali joga, reflectindo-se nas camisolas azuis de cada um dos seus 11 guerreiros.

Este é o novo capítulo de uma história que se deseja perdurar nas vozes das gentes da Feira mesmo depois da memória se esquecer.

Este capítulo começa numa baliza escondida por um guarda-redes que tem secado quase todas as tentativas (frustradas) de atingir as suas redes.

Um capítulo que na segunda página começa com um extremo agora tornado defesa direito. Com um defesa esquerdo que outrora também ele fora consagrado como homem de ataque. O mesmo homem que saiu há um ano pela porta das traseiras, e que regressa agora pela porta principal.

Anúncio Publicitário

Uma história que nas páginas centrais prossegue com os cortes de dois defesas tão desconhecidos quanto decisivos na caminhada imperial de uma defesa que tão somente é a menos batida dos Campeonatos Profissionais de Portugal. Uma dupla de todo improvável, ou não fosse um deles à poucos meses um crónico suplente da equipa fogaceira.

A meio deste capítulo, na sua página seis, não cabem “homens de cabedal”. Nesta página viajamos para bem perto, onde habita um homem da casa de seu nome Cris. Formado na Feira, voltou há seis anos e faz do meio campo do Feirense o seu habitat natural.

Estará o CD Feirense a caminho de um feito histórico?
Fonte: CD Feirense

Ainda nas páginas centrais vamos, desta vez, mais além. Aterramos em Cabo Verde, guiados pelos pés de dois homens que são somente os capitães desta história de encantar. Com eles é-nos oferecida a objectividade, a clareza, e o realismo que a ambição também necessita. Nos pés de Babanco, ou mesmo de Marco Soares, está a consciência das necessidades imediatas da equipa a cada momento do jogo numa prova expressa de maturidade.

Esta é a história de uma equipa onde a criatividade rodeia aqueles que outrora foram renegados. Nas páginas onde a fantasia se confunde com o terreno, a bola aconchega-se nos pés de Crivellaro e Tiago Silva. Estes dois médios em uníssono cozinham as delícias que poucos acreditavam ser possíveis de sair dos seus pés.