Nesta história os últimos capítulos confundem-se com os primeiros. Onde Luís Machado e Sturgeon demonstram que o eventual pouco reconhecimento dos demais responsáveis do futebol português não é mais que a falta de atenção para aquilo que são jogadores de equipa, que para além de desequilibrarem o adversário equilibram a equipa.

Mas esta história, que não finaliza, renasce no corpo de um ‘jovem’ adulto do nosso futebol: Edinho. É ele a ponta do icebergue numa equipa suficientemente fria, calculista, e ao mesmo tempo de coração quente.

Edinho está a provar que há poucos pontas de lança como ele no nosso campeonato
CD Feirense

Edinho é a imagem deste Feirense na sua máxima plenitude. Com ele não há bola perdida. Com ele cada lance é o último. Com ele há uma entrega total de corpo e alma. Cansa ver este senhor de 36 anos num permanente combate com os defesas adversários, procurando espaços, tentando tabelar, vindo atrás, ao lado esquerdo, ao lado direito, numa busca constante por ser feliz. A mesma felicidade que o próprio acredita que o levará de volta à camisola das quinas.

Esta história é assim uma história portuguesa. De um Portugal representado em campo quase sempre por sete ou oito jogadores lusos. Provando que ainda há plantéis nacionais que fazem jus ao nome.

Mas como em todas as histórias de encantar, também nesta há um príncipe. E esse príncipe chama-se Nuno Manta Santos.

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Nuno Manta não teve um manto protector. Numa longínqua época desta mesma história mais não era que um perfeito desconhecido perdido nas dificuldades que o mundo nos coloca. Mas Nuno Manta é muito mais que isso. O actual treinador do Feirense é um homem que nunca desistiu dos seus sonhos. E esta é de longe a maior lição que o, em tempos professor, nos pode ensinar.

Nuno Manta Santos tem na sua postura um dos seus maiores trunfos
Fonte: CD Feirense

Este príncipe tem nele a simplicidade, a humidade e a generosidade que tornam impossível dele não gostar.

Tal como os príncipes, Manta Santos é amado. Amado não pela sua posição, mas sim pela sua integridade, por se entregar de coração ao seu clube de sempre e de no seu franco sorriso encontrarmos uma equipa que com e por ele promete uma entrega total.

Esta história de encantar tem pois como figura central a personagem perfeita de qualquer história de encantar. Porque não conseguimos deixar de gostar do homem e do treinador que Nuno Manta Santos é. E não conseguimos não nos apaixonar pela sua história. Porque não encontramos ninguém mais perfeito para aquela cadeira que este mesmo príncipe.

Esta história não tem o seu fim escrito. Em vez disso tem páginas em branco prontas e desejosas de ser pintadas pelo azul carregado desta caneta dourada.

Estaremos ansiosos para vos relatar o restante desta história, acreditando numa história de encantar que será contada durante noites a fio e que a hora de fechar os olhos acontecerá somente quando, por volta do mês de Maio, se alcance algo histórico para um clube que tende a desafiar até os menos desafiados.

Pois que assim seja: que se torne real a história encantada do azul carregado da Feira.

Foto de Capa: CD Feirense