A pandemia que deixa o desporto de formação ligado às maquinas

- Advertisement -

A pandemia que assola o mundo neste momento trouxe consequências que podem ser irreparáveis em vários setores da sociedade. As medidas impostas para travar o agravamento do número de infetados e para se evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde – ainda que com resultados positivos para o seu propósito – serão, certamente, nefastas a curto, médio e longo prazo para o desporto de formação.

Desde março deste ano que milhares de crianças e jovens portugueses estão privados de competir no desporto que praticam e, aqueles que têm treinado, fazem-no com muitas limitações para evitar o contacto entre pessoas, no cumprimento das normas da Direção-Geral de Saúde (DGS). Esta paragem forçada está a ser duramente criticada por vários dirigentes de clubes, uma vez que representam uma interrupção no desenvolvimento enquanto atletas que pode ser irrecuperável, além dos enormes prejuízos financeiros.

No caso dos jovens futebolistas que são juniores, por exemplo, um ano sem competir pode implicar o fim do sonho de progredir para as equipas seniores do seu clube. Como não jogam e sem possibilidade de manterem o ritmo competitivo, não terão a possibilidade de demonstrar o “seu futebol” e de evoluir enquanto jogadores, o que poderá fazer com que percam a oportunidade de serem escolhidos para subir de escalão. O presidente da Confederação do Desporto de Portugal, Carlos Paulo Cardoso, deu conta destas consequências em declarações à Agência Lusa: “Do ponto de vista desportivo, estamos a perder uma geração porque, nestas idades jovens, de 14, 15 ou 16 anos, há um momento em que não fazendo aquilo naquela altura perde-se o desenvolvimento físico das pessoas.” Acrescentou ainda que “há um hiato, uma etapa de desenvolvimento que não se verifica naquele momento e que, não se verificando, não é recuperável mais tarde”.


A ansiedade que toda esta mudança gera na vida dos atletas de formação é outro dos grandes efeitos negativos do panorama atual. Muitos sentem-se desolados por não conseguirem competir no desporto em que tanto investiram fisicamente, psicologicamente e, claro, financeiramente, uma situação agravada por não terem uma data para que tudo regresse ao normal. “Isto tem sido uma ‘montanha russa’ em termos emocionais. Há uma grande situação de incerteza desde o início da pandemia. Esta incerteza leva à ansiedade, a alguma confusão, a algum desapontamento, à exaustão e, nalguns atletas, até à frustração e à revolta, por não poderem fazer aquilo de que gostam “, afirmou à Agência Lusa o psicólogo, Jorge Silvério.

Tudo isto deverá levar a um grande número de desistências no desporto de formação, com danos irreparáveis tanto no desenvolvimento destas crianças e jovens, como na sustentabilidade dos clubes. Muitas instituições sobrevivem com o dinheiro das mensalidades pago pelos atletas dos escalões de formação, pelo que, uma diminuição significativa do número de inscrições poderá colocar em causa a continuidade destes emblemas e assim, empurrar para o desemprego treinadores, dirigentes e demais funcionários.

Com esta paragem na competição dos escalões de formação apenas estamos a contribuir para o aumento de jovens sedentários e, provavelmente, para um crescimento ainda mais acentuado dos números de obesidade infantil no país, uma vez que está mais que provada a importância do desporto para contrariar estas tendências. É urgente uma reavaliação da situação por parte da DGS e de todos os agentes envolvidos para que possamos continuar a lutar para travar esta pandemia… sem matar o desporto de formação.

Diana Oliveira
Diana Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
A Diana é licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto e, desde cedo, que a escrita faz parte de si. Poder conjugá-la com o futebol, outra das suas paixões, é a cereja no topo do bolo. A Diana escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Alejandro Grimaldo pode deixar Bayer Leverkusen no verão e foi oferecido a clube espanhol

Alejandro Grimaldo foi oferecido ao Atlético Madrid. Bayer Leverkusen aberto a uma saída do lateral no verão de 2026.

Regresso de David Jurásek ao Slavia Praga saudado: «Talvez ainda não estivesse totalmente preparado para um clube de topo estrangeiro como o Benfica»

David Jurásek regressou ao Slavia Praga e deixou definitivamente o Benfica. O lateral foi elogiado por Branislav Sokoli.

Sporting: Souleymane Faye viaja este domingo para Lisboa

Souleymane Faye vai reforçar o Sporting neste mercado de inverno. Extremo de 22 anos prepara-se para viajar rumo a Portugal.

André Luiz com reflexão depois do Rio Ave x Benfica: «Tem dias que as coisas não saem como a gente quer»

André Luiz deixou uma pequena reflexão depois da derrota do Rio Ave contra o Benfica. Avançado tem sido associado às águias.

PUB

Mais Artigos Populares

Pisa e Nottingham Forest iniciam conversações por alvo do Benfica deste mercado de inverno

O Pisa e o Nottingham Forest estão interessados em contratar Lorenzo Lucca. Ambos os clubes querem um empréstimo.

Marítimo goleia Lusitânia de Lourosa e continua confortável na liderança da Segunda Liga

Mais um passo do Marítimo a confirmar o grande momento de forma. Madeirenses golearam Lusitânia de Lourosa na 18.ª jornada da Segunda Liga.

Wolverhampton empata com Newcastle e aumenta série sem perder

O Newcastle empatou 0-0 com o Wolverhampton na jornada 22 da Premier League. Lobos continuam série sem perder.