Vivemos num país onde se destaca muito a volatilidade da opinião pública e no futebol não é excepção. Vivamos numa sociedade onde se passa muito rapidamente do oito ao oitenta, de bestial a besta. Passando esse facto para o futebol português, há os exemplos dos rivais lisboetas que já passaram por essas mesma situações no decorrer da temporada.

Comecemos pelo Sporting CP, que despediu José Peseiro à passagem para o mês de Novembro, sendo este substituído por Marcel Keizer, um treinador que era um desconhecido para grande parte da nação sportinguista. O treinador holandês iniciou o seu percurso no Sporting com sete vitórias consecutivas. As goleadas, os muitos golos marcados e o bom futebol rapidamente conquistaram os adeptos leoninos, levando-os a criar a hashtag #Keizerball.

Uns tempos mais tarde, as coisas mudaram. No mês de Fevereiro, o Sporting sofre duas derrotas consecutivas contra o Benfica e é eliminado da Liga Europa pelo Villarreal, clube que tem lutado para não descer na Liga Espanhola. Em 2/3 meses, os adeptos do Sporting passaram do #Keizerball para os lanços brancos.

Bruno Lage já foi alvo de alguma contestação na Luz
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

No outro lado da Segunda Circular, o SL Benfica mudaria de treinador no início de 2019, com Rui Vitória a não resistir à senda de más exibições e resultados e a ser substituído por Bruno Lage. O então treinador da equipa B conduziu a equipa a uma recuperação no campeonato que muitos julgavam ser impossível.

Em dois meses, o Benfica de Bruno Lage recuperou a liderança do campeonato, ganhou em Alvalade e no Dragão e aplicou a maior goleada no campeonato dos últimos 50 anos, sendo levado ao “endeusamento” por parte dos adeptos. Passado pouco mais de um mês, a equipa é eliminada da Taça de Portugal e da Liga Europa, que aumentou acentuadamente a contestação dos adeptos, dizendo que Bruno Lage deveria sair do Benfica caso não seja campeão.

Esta mentalidade espelha bem a realidade do futebol português (e não só). Uma mentalidade onde os resultados estarão sempre acima do projecto, do processo, da qualidade do jogo. A necessidade que os adeptos têm de criar ídolos faz muitas vezes com que estes não tenham capacidade de gerir as suas expectativas, e que não entendam que os resultados vão e vêem, mas que a qualidade prevalece.

 

Fonte: Sporting CP

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