A Crónica: nulo inesperado entre os dois melhores ataques

Coimbra, sábado, 11 horas. Encontro que se antecipava escaldante entre dois candidatos à subida, no rescaldo do Dia de S. Valentim. Em termos de futebol jogado, ninguém ficou desapontado. No entanto, o bom espetáculo ficou órfão de golos, com o nulo a impor-se, pese embora a procura de ambas as equipas por alterar o teimoso resultado.

O equilíbrio foi a nota dominante, com as melhores oportunidades, ainda assim, a pertencerem aos estudantes. No primeiro tempo, Barnes Osei causou vários calafrios à defensiva visitante, tendo mesmo atirado duas bolas aos ferros da baliza à guarda de Godinho, que num dos lances ainda tocou na bola. O Mafra tentava responder, mas não causava grande perigo.

Na segunda metade do encontro, o nível exibicional de ambas as turmas caiu, com a expulsão de Osei, aos 64 minutos, a impelir os comandados de Vasco Seabra a procurarem incisivamente o golo da vitória, sem sucesso. Mesmo com dez elementos, a turma de João Carlos Pereira tentou ferir o Mafra, mas o fôlego e a capacidade de decisão não assistiram os estudantes na busca por esse desiderato.

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A FIGURA

Fonte: Académica OAF

Ricardo Dias – O capitão academista foi o dínamo defensivo da Briosa. Desconstruiu, construiu, acalmou o jogo e tentou acelerá-lo quando possível e desejável, sobretudo com passes verticais. Disputou os lances com calma e serenidade e transmitiu-a à equipa – exceto a Osei, que não teve cabeça aos 64 minutos, conforme consta abaixo. Foi, a par de Zé Tiago – o dínamo ofensivo do Mafra – o melhor em campo, tendo vantagem sobre o “8” dos visitantes por ter conseguido cumprir a sua função: evitar jogadas de perigo do adversário. Zé Tiago esteve bem, mas foi inócuo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Académica OAF

Barnes Osei – Estava a ser dos melhores, se não o melhor, em campo. Minou a defensiva do Mafra e atirou duas vezes ao poste. Desapareceu na primeira metade do segundo tempo e na segunda metade desse mesmo segundo tempo… desapareceu literalmente. De forma ingénua e incompreensível, tocou ostensivamente a bola com a mão quando tinha já um amarelo. Viu o segundo e o consequente vermelho e dinamitou as hipóteses da Académica chegar à vitória.

 

Análise Tática – Académica OAF

A Académica apostou no seu habitual 4-4-2, bem definido no momento defensivo. No momento ofensivo, por força das descidas de Chaby para se dar ao jogo, Barnes Osei atuava como elemento singular do ataque da Briosa, procurando e encontrando a profundidade que o bloco alto do CD Mafra proporcionava (foi assim que Osei atirou por duas ocasiões ao poste).

O sistema tático montado por João Carlos Pereira assentou no dinamismo dos homens da frente – Osei, Chaby e Leandro, que permutava com Chaby com regularidade – e na capacidade de desconstrução e construção de Ricardo Dias, o homem que mais e melhor “meteu gelo” no jogo academista, quando necessário.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Mike (6)

Arghus (6)

Silvério (6)

Francisco Moura (6)

João Mendes (5)

Ricardo Dias (7)

Leandro (6)

Traquina (5)

Chaby (6)

Osei (5)

SUBS UTILIZADOS

Lacerda (5)

Brito (5)

Zé Castro (-)

 

Análise Tática – CD Mafra

A turma visitante expressou-se em campo num volátil 4-4-2, apenas bem definido no momento defensivo e somente quando a construção adversária se fazia a dois. Quando a Académica construía a três (com Ricardo Dias) o meio-campo do Mafra evoluía para um losango, com Zé Tiago a auxiliar os dois da frente na pressão alta. Sem fugir aos seus pergaminhos, a equipa de Vasco Seabra defendia com um bloco muito cerrado e alto.

Fruto da subida do bloco (a linha defensiva sempre próxima da linha divisório do terreno de jogo), o veloz Osei encontrou demasiadas vezes a profundidade nas costas da defensiva forasteira. A meio da primeira parte, começou a notar-se uma tentativa de correção dessa situação, com Osei a ser acompanhado de perto por ambos os centrais (mas ainda assim a fazer mossa).

No momento ofensivo, clássica construção a três – centrais e Franco, no primeiro tempo, Tavares no segundo – com a consequente largura máxima dada pelos laterais e com o inerente jogo interior proporcionado pelos alas. Com a subida dos laterais, o Mafra conseguiu várias vezes colocar uma linha de cinco de costas para a baliza, com o jogador dessa linha mais próximo da bola a dar linha de passe para tabelar ou rodar e atacar a baliza.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Godinho (5)

Rúben Freitas (6)

Juary (6)

João Miguel (6)

Joel (5)

Tavares (5)

Franco (6)

Nuno Rodrigues (5)

Lucas Silva (5)

Zé Tiago (7)

Paul Ayongo (6)

SUBS UTILIZADOS

Rui Gomes (5)

Barrera (5)

Areias (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD Mafra

BnR- A posição de guarda-redes é um pouco ingrata, basta um erro para se ser culpado de um mau resultado. No entanto, há momentos que tornam os guarda-redes heróis. Numa das oportunidades desperdiçadas pelo Osei, o Godinho ainda toca na bola. Sente que o Mafra sai daqui com um ponto muito graças a essa defesa? 

Godinho- Todos os lances são importantes. Acho que não é justo dizer que o Mafra sai daqui com um ponto por causa disso, porque também tivemos muitas oportunidades e o guarda-redes da Académica também fez uma boa exibição.

 

BnR- Foi apenas o segundo jogo na II Liga em que o Mafra não consegue marcar. Ainda assim, quer na Madeira quer em Coimbra, a equipa, mesmo sem marcar, pontuou. A equipa sente-se frustrada nestas situações por sentir que um pouco de eficácia teria dado os três pontos ou sente que mesmo sem marcar conseguiu pontuar em duas casas onde é difícil fazê-lo? 

Vasco Seabra- Se antes de qualquer jogo disserem para assinar por baixo o empate, nós dizemos logo que não. Os jogadores trabalham para ganhar, mas depois, claro, há vicissitudes que podem deixar-nos frustrados por ganharmos um ponto só ou deixar-nos felizes por nos termos agarrado a um ponto. Sentimos que este ponto foi conquistado por nós. Mas também sentimos que podíamos levar os três pontos. É uma situação positiva para nós, porque em duas casas difíceis pontuámos mesmo sem marcar.

 

Académica OAF

BnR- Eu retiro duas coisas da exibição da Académica: a excelente prestação defensiva e a ineficácia ofensiva. Qual das duas o mister retém com mais afinco? 

João Carlos Pereira- Eu prefiro sempre olhar para o copo meio-cheio. Por um lado, fizemos mais um jogo em casa sem sofrer golos e frente a um dos melhores ataques. Por outro lado, conseguimos criar oportunidades frente a uma das melhores defesas. Faltou eficácia, mas também faltou sorte. O futebol encerra em si também um pouco de fortuna.

Foto de Capa: Bola na Rede