A CRÓNICA: RELAXAMENTO IA CUSTANDO CARO

A Académica OAF recebeu e bateu o CD Cova da Piedade por 2-1, na jornada 20 da Segunda Liga 20/21, agarrando-se à liderança da mesma e colocando pressão nos mais diretos rivais – GD Estoril Praia, CD Feirense e FC Vizela.

Primeira parte muito e bem disputada, com domínio pouco pronunciado da Académica OAF. Apesar do bom futebol praticado, o primeiro tempo mostra-se próprio para cardíacos, uma vez que a emoção marca ausência e o centro do terreno é a zona mais pisada.

O remate de pé esquerdo de Guima, à entrada da área, por volta dos 20 minutos, é o único lance dos 45 minutos iniciais que contrasta com o amorfismo junto das balizas de Mika e de Adriano Facchini.

“Nova parte, nova vida”. A segunda metade, em contraciclo com a homóloga, começa com uma oportunidade para cada lado mais claras do que o céu que cobre o Cidade de Coimbra, nesta véspera de São Valentim. Numa primeira instância, um cruzamento de Hugo Firmino encontra Alex Freitas ao segundo poste, que atira ao lado do… primeiro poste.

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Oportunidade absurdamente desperdiçada pelos homens de Mário Nunes e, na resposta, oportunidade desperdiçada pelos homens de Rui Borges. Traquina, imbuído do espírito do Open da Austrália, atinge a bola vinda da direita com um fantástico volley alto, mas o esférico, imbuído do espírito do Super Bowl, sobrevoa a trave da baliza norte do Calhabé.

Seguem-se oito minutos de domínio da Briosa, entremeados com algumas oportunidades pouco entusiasmantes de golo para os estudantes. No entanto, não há cova que segure este Cova (“ain´t no grave gonna hold this Cova down”, diria Johnny Cash) e os visitantes ressurgem na partida aos 59 minutos, com mais uma oportunidade não consumada junto ao segundo poste. Seguem-se sete minutos de domínio piedense.

Por volta dos 20 minutos do segundo tempo (aos 21´, mais concretamente), Guima lembra-se de que é hora do seu habitual remate de pé esquerdo à entrada da área (ver terceiro parágrafo) e dispara, com potência e colocação, para as redes de Facchini.

66 parece ser o número mágico para a Briosa. Golo aos 66 minutos e expulsão de João Meira, número 66 do CD Cova da Piedade, a 11 minutos do fim. Todavia, a Briosa tem Piedade e permite que os visitantes se entusiasmem ao ponto de João Vieira, entrado aos 82´, empate a partida aos 84´.

É aqui que entra Hitchcock em ação. À entrada do tempo de descontos, rutura de Bruno Teles na área piedense e falta de Alex Freitas, em estreia para esquecer. Fabinho assume a marcação da grande penalidade e fecha o marcador num importante 2-1 favorável aos estudantes.

 

A FIGURA

Guima – Esteve bem em todos os momentos do jogo. Encheu o campo a defender, auxiliando Diogo Pereira, e tomou excelentes decisões no ataque, a melhor delas o remate que deu o 1-0 à Académica.

 

O FORA DE JOGO

Bruno Alves – Acabou por sair lesionado em cima do fecho da primeira parte. Viu-se perdido nas dinâmicas da Académica no miolo do terreno e não apresentou a intensidade necessária para as contrariar.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Rui Borges admitiu, na antevisão à partida, que a Académica tinha feito na jornada anterior, contra o Estoril, o melhor jogo em termos táticos. Por isso, embora num jogo com contornos diferentes, era de esperar o mesmo rigor para defrontar o Cova da Piedade.

A Briosa foi a jogo num 4-2-3-1. O quarteto defensivo foi constituído por Fabiano, Rafael Vieira, Silvério e Bruno Teles. O meio-campo teve necessariamente que ser alterado, devido à expulsão de Ricardo Dias frente ao Estoril. Para o seu lugar, ao lado de Guima, entrou Diogo Pereira, formando uma dupla de médio mais trabalhadores, dando espaço para Chaby expressar o seu futebol de maior risco suplantado por estes dois homens. Na frente, o trio Traquina, João Mário e Bouldini.

Na manobra ofensiva, destaque para a tentativa de aproveitamento das costas dos médios interiores do adversário. Sem a bola, os estudantes pressionaram bastante alto a construção de jogo dos piedenses. Uma vez a defender de forma organizada, Chaby alinhou-se com Bouldini para formar o 4-4-2 em que a equipa defendeu.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Fabiano (5)

Rafael Vieira (6)

Silvério (5)

Bruno Teles (5)

Diogo Pereira (5)

Guima (7)

Chaby (6)

Traquina (5)

João Mário (5)

Bouldini (5)

SUBS UTILIZADOS

Leandro Sanca (4)

Fabinho (5)

Mayambela (-)

Dani Costa (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD COVA DA PEIDADE

O 4-3-3 que o Cova da Piedade trouxe para o jogo fazia esperar uma equipa com vontade de não entregar todo o protagonismo à Académica. Os dois médios interiores, Bruno Alves e João Patrão, apresentam habitualmente capacidade para reter a bola em seu poder e, consequentemente, acrescentarem capacidade ofensiva à equipa. No meio-campo, atrás destes dois criativos, Robson Shimabuku foi o elemento mais defensivo. O setor mais recuado compôs-se por Gonçalo Tavares, João Meira, de regresso ao onze, Kiko Zarabi e Gonçalo Maria. Na frente de ataque, dois extremos puros, Firmino e Alex Freitas, no apoio ao ponta de lança Blondell.

Mesmo com os jogadores da Académica sempre por perto, a equipa foi conseguindo mostrar apetências com a bola. Passes curtos e, ao primeiro toque na procura dos jogadores de frente para o jogo, mostraram-se eficazes na construção de jogadas ofensivas.

Os comandados de Mário Nunes denotaram bastante preocupação no condicionamento a Diogo Pereira com essa vigilância a ficar ao encargo de João Patrão. Ainda assim, foram muitas vezes confundidos pela grande movimentação imposta pelos jogadores da Briosa na zona média.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Adriano Facchini (5)

Gonçalo Tavares (5)

João Meira (4)

Kiko Zarabi (6)

Gonçalo Maria (5)

Robson Shimabuku (6)

João Patrão (5)

Bruno Alves (4)

Alex Freitas (4)

Hugo Firmino (5)

Anthony Blondell (5)

SUBS UTILIZADOS

Thabo Cele (4)

João Oliveira (5)

Miguel Rosa (5)

João Vieira (5)

Cristiano Gomes (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académica OAF

BnR:  Que avaliação faz às novas dinâmicas que implementou no meio-campo, com a entrada do Diogo Pereira no onze e com a exploração das costas dos médios interiores contrários?

Rui Borges: Tentamos perceber que dinâmicas podem permitir entrar nos blocos do adversário. Agora, a bola devia ter andado muito mais rápido, para depois termos mais capacidade de decisão no último terço e no ataque à largura e profundidade. O João Mário esteve muito bem a acelerar no corredor. O jogo pedia mais jogo posicional aos nossos médios, mas, lá está, a bola devia ter andado muito mais rápido para encontrar esse espaço nas costas dos médios interiores adversários.

CD Cova da Piedade

BnR: O que é que pediu aos seus jogadores para eles aparecerem mais incisivos no ataque na segunda parte? Como se digere ter chegado ao empate com 10 e acabar por não levar ponto?

Mário Nunes:  Ao intervalo, não foi feito nada a não ser pedir aos jogadores para se libertarem. A equipa adversária tem qualidade, mas nós também temos. Estamos a entrar de forma demasiado respeitadora nos jogos. Quando com a bola, tínhamos que fazer mais. Não o fizemos, na primeira parte. No final, o que conta são que os três pontos foram para o outro lado.

 

Rescaldo com opinião de Francisco Grácio Martins e Márcio Francisco Paiva

Artigo revisto por Mariana Plácido