A CRÓNICA: 11 CONTRA 11 E NO FIM VENCEU QUEM FOI (MUITO) MELHOR, A ACADÉMICA OAF

Abertura da jornada 24 em Coimbra, na já famosa noite de quinta-feira coimbrã, e vitória expressiva, esclarecedora e justa da melhor equipa em campo. Individual e coletivamente, houve mais e melhor Académica do que Penafiel e o resultado só peca por escasso. Assim, os da casa colocam fim a uma série de dois jogos sem vencer, enquanto os forasteiros igualam a pior série da época (oito jogos sem vencer) e averbam a maior derrota da temporada.

Primeiros quinze minutos pautados por um equilíbrio a todos os níveis, com oportunidades, pouco claras, a surgirem em ambas as áreas. O primeiro quarto de hora não fazia antever o que se seguiria na restante primeira parte. A Académica tomou as rédeas do jogo e não as deu sequer a experimentar aos forasteiros.

Aos 23 minutos, Chaby atirou em arco à junção dos ferros superior e direito da baliza à guarda de Luís Ribeiro. Primeiro aviso. Nove minutos volvidos e surge o segundo aviso, na forma de um castigo máximo, após falta sobre Mike Moura. Perdulário, o veterano Zé Castro rematou fraco e sem nexo pela relva e viu o guardião visitante não só defender mas agarrar a bola. No entanto, haviam sido entregues os dois avisos. À terceira, foi de vez. Traquina, lançado em profundidade, encarou Luís Ribeiro, endossou a bola para a sua direita para servir Leandro e este rematou para o golo, com a trajetória da bola a não ser intercetada por nenhum dos dois penafidelenses que tentaram travar a sua marcha até às redes.

A segunda parte iniciou-se com um Penafiel bem-intencionado e disposto a mudar (sempre o primeiro passo), mas com uma Académica mais perigosa do que o seu visitante. No entanto, a intenção precedeu, de facto, a ação e os forasteiros criaram perigo – e que perigo! – aos 53 minutos. Na sequência de um canto, Jeferson fez estremecer a trave da baliza defendida por Mika.

Aos 65 minutos, num dos poucos momentos de perfume futebolístico da segunda parte, João Mendes serpenteou pela defensiva adversária e, dentro da área penafidelense, desferiu um remate rasteiro que bateu Luís Ribeiro pela segunda vez. Um quarto de hora volvido e novo golo para os da casa, novo golo para João Mendes. Bola bombeada para a área penafidelense na sequência de um livre, mau alívio da defensiva alvirrubra e remate certeiro do “16” da Briosa. Até ao final, só deu Briosa, que criou mais um par de situações de perigo, valendo ao Penafiel Luís Ribeiro, guardião que merecia outro resultado. No entanto, foi mesmo com um 3-0 que se encerrou a partida.

A FIGURA

Fonte: Académica OAF

João Mendes – Excelente exibição do médio/avançado da Académica, coroada com dois golos. Mas não valeu apenas pelos tentos. João Mendes correu, jogou, fez jogar, ajudou a dar perfume ao futebol academista e auxiliou no (grande) dinamismo ofensivo apresentado pela Briosa. Apesar de exibições de grande nível de Traquina, Chaby, Osei, Dias, entre outros, conseguiu sobressair e ser a figura do encontro. 

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Penafiel

FC Penafiel – Péssima exibição alvirrubra, sem que haja a possibilidade de apontar individualidades. Falhou todo o coletivo penafidelense, com extensão ao banco. Exceção feita aos primeiros minutos da partida e aos primeiros instantes do segundo tempo, nos quais o Penafiel traçou um esboço de futebol, os visitantes não conseguiram nunca impor-se, nem travar o ímpeto dos da casa. Foi muito pouco Penafiel para muita Académica.

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Não abdicou do seu habitual 4-4-2 clássico (três linhas) o timoneiro academista. Quer a atacar, quer a defender, Barnes Osei e João Mendes formaram a linha mais avançada do sistema da Académica. Ricardo Dias, com funções mais defensivas e de equilíbrio, e Leandro, nas lides mais ofensivas, constituíram o eixo da linha intermediária. Traquina e Chaby alinharam pelas alas esquerda e direita, respetivamente. No entanto e como já é hábito, procuraram várias vezes os terrenos interiores, abrindo alas para os laterais Moura e Moura – Mike pela direita e Francisco pela esquerda.

Apesar de o desenho ser o mesmo e as dinâmicas as habituais, a Briosa apresentou-se mais volátil do que tem sido costume e os seus futebolistas aparentaram ter mais alegria e perfume no seu jogo, durante o primeiro tempo. Na segunda metade, também por crescendo do Penafiel, os academistas preteriram o dinamismo pela segurança, o perfume ofensivo pela gestão defensiva. Ainda assim, fizeram dois golos. 

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Mike (6)

Arghus (6)

Zé Castro (6)

Francisco Moura (6)

Chaby (7)

Ricardo Dias (8)

Leandro (7)

Traquina (8)

João Mendes (9)

Osei (8)

SUBS UTILIZADOS

Brito (5)

Djousse (-)

Ki (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL

A teoria indicava um 4-1-4-1, a prática não o permitiu muitas vezes. Foi raro ver Ronaldo sozinho na frente de ataque, sendo comum Schons acompanhar o seu colega na manutenção da linha mais adiantada. Em particular, na pressão (na forma tentada) à construção academista, com o sistema de Miguel Leal a transmudar-se para um 4-4-2.

Quando a Académica transpunha essa pressão, Ronaldo ficava, de facto, na frente com a singela companhia dos centrais da casa, sendo o penafidelense com o menor compromisso defensivo (por indicação de Miguel Leal). No momento de construção (face pouco visível da exibição penafidelense), a turma visitante mantinha duas linhas muito recuadas e afastadas da linha da frente, onde três ou quatro homens trabalhavam em busca de espaço para atacar a profundidade. Quando o encontravam, um dos jogadores mais recuados procura a supressão de linhas com um passe vertical. Foi uma solução que nunca o chegou a ser, utilizada muitas vezes (talvez demasiadas) por um Penafiel que, percebia-se, não acreditava ter capacidade para elaborar uma construção mais complexa.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Ribeiro (6)

Coronas (4)

Felipe Macedo (4)

Jeferson (5)

Paulo Henrique (4)

Rafa Sousa (5)

Ludovic (4)

Romeu Ribeiro (4)

Alan Schons (4)

Gleison (4)

Ronaldo (5)

SUBS UTILIZADOS

Miguel T. (4)

Kalika (4)

Capela (4)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Penafiel

Bola na Rede: O FC Penafiel tinha, até hoje, sete derrotas: seis pela margem mínima e uma por 2-0, na primeira jornada do campeonato. Hoje, sofreu a pior derrota da época. Considera que foi também a pior exibição do Penafiel na temporada?

Miguel Leal: Foi das piores, com certeza. Defensivamente, costumamos ser mais coesos, mais organizados, e hoje um jogador da Académica fintava dois ou três jogadores e isso não é norma. Portanto, algo não esteve bem. Vamos ver o que podemos melhorar para o próximo jogo.

 

Académica OAF

Bola na Rede: A Académica entrou para este jogo a 15 pontas da manutenção matemática e a 15 pontos da subida. A dez jornadas do fim, a cabeça da Académica está a olhar para baixo, para cima ou não está nem para aí virada?

João Carlos Pereira: A cabeça da Académica está virada para o próximo jogo, porque não faz sentido de outra forma. Neste momento, já estamos a preparar o jogo, já estamos a delinear estratégias. Os nossos jogadores sentem que estamos a crescer enquanto equipa, temos tido um bom desempenho e é continuar.

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O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.                                                                                                                                                 O Márcio escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.