Numa altura em que emergem cada vez mais jovens talentos no futebol português, existem certos tipos de situações que dão que pensar. Mas, afinal, em que consiste apostar num jogador?

Quando Tiago Fernandes, então treinador interino do Sporting, apostou em Miguel Luís no onze inicial contra o Arsenal FC, em pleno Emirates, fiquei a pensar nessa questão. Até ao momento, o médio, campeão europeu de sub-17 e sub-19, só tinha entrado nos descontos dos jogos contra o GS Loures e o CD Santa Clara. Miguel Luís viria a manter a titularidade no jogo seguinte contra o GD Chaves, mas com Marcel Keizer no comando técnico dos leões, ainda não teve minutos em campo.

No Benfica, também já ocorreram situações semelhantes, principalmente na época passada, com dois jogadores que já jogam juntos há muito tempo: Diogo Gonçalves e João Carvalho. O extremo alentejano deu nas vistas na pré-temporada, mas só teve direito a alguns minutos nos primeiros jogos oficiais da temporada. Surpreendentemente, em outubro/novembro seria titular nos dois jogos contra o Manchester United FC e também nos jogos do campeonato contra o CD Aves, CD Feirense e Vitória SC. Depois de ter saído ao intervalo do jogo contra o CSKA em Moscovo, nunca mais voltou a marcar presença no onze e mal jogou até ao final da temporada.

Miguel Luís foi surpresa no onze inicial contra o Arsenal
Fonte: Sporting CP

João Carvalho só começara a ter minutos em dezembro. Com algumas boas exibições a partir do banco, após a lesão de Krovinović, teve oportunidades como titular nos jogos contra o Belenenses SAD e o CD Aves, mas, sem corresponder, acabaria por ser o primeiro a ser substituído em ambos os jogos e não teria mais oportunidades. Ambos acabaram a época a jogar na equipa B.

Outro caso semelhante esta temporada é o de João Felix. Depois de ter sido titular e ter feito uma assistência no jogo contra o Moreirense FC, só voltaria a jogar oito minutos na Taça de Portugal, contra o FC Arouca. Estes casos, para além de outros, cada vez me convencem mais de que o rótulo de que Rui Vitória é um treinador que aposta na formação não passa de um mito.

Ora, onde quero chegar com estes exemplos? Quero dizer que apostar na formação não é isto. Apostar num jogador não é simplesmente lançá-lo num jogo. É, acima de tudo, conferir-lhe a competição e a continuidade necessárias, de modo a que este possa ganhar ritmo competitivo e evoluir. E, acima de tudo, não devem deixá-los cair após exibições menos conseguidas.

Foto de Capa: Notthingham Forest FC

 

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