A zona centro do país, outrora pintada de outras cores, encontra-se atualmente pintada de amarelo e verde, sendo o CD Tondela o único representante desta região no principal escalão.

Pois bem… nas últimas quatro épocas, até ao mês de novembro, os adeptos tondelenses viviam tempos conturbados e de incerteza, pois o seu clube tardava em dar uma resposta positiva em termos pontuais, estando sempre na cauda da tabela ou perto desta. Este estado de espírito mantinha-se normalmente até perto do final, quando a permanência ficava finalmente assegurada.

Este ano, em período similar, o sentimento é o oposto, já que estão a viver uma experiência totalmente nova. O clube está a realizar a melhor temporada após as primeiras dez jornadas desde que se estreou na Primeira Liga, encontrando-se sensivelmente a meio da tabela e com mais seis pontos que o melhor registo anterior.

Os ventos de Espanha parecem ter trazido alguma acalmia a esta zona do país. Como se sabe, o presidente da SAD veio do país vizinho, assim como o novo treinador, Natxo González. A herança de Pepa e o facto de ser o primeiro treinador estrangeiro da história do clube são motivos suficientes para impor responsabilidade acrescida, mas a primeira imagem do espanhol até está a ser positiva.

Depois de uma pré-época algo sofrível e de um arranque oficial aos solavancos, a equipa parece ter encontrado o equilíbrio suficiente que a leva a ser o melhor conjunto da sua história até este período, no principal campeonato. Algo que não apaga os afastamentos precoces das taças domésticas e que são sempre uma mancha desagradável.

Contudo, o melhor resultado da época verificou-se no passado fim de semana. Foi um dos principais destaques da jornada, desde logo, porque resultou num triunfo caseiro frente a um grande. Na verdade, foi frente a um Sporting CP em crise, mas serviu para impor a primeira derrota de Silas em jogos do campeonato. Até aqui, os jogos em casa não tinham corrido da melhor maneira, sobretudo pela ausência de vitórias, mas a partir deste triunfo, alicerçado pelo valor simbólico que é vencer um dos grandes, o estigma das partidas caseiras pode ter sido eliminado.

O clube beirão deseja continuar o processo de consolidação na Primeira Liga
Fonte: CD Tondela

Não sendo uma equipa que prima por grandes rasgos individuais, funciona geralmente como um bloco compacto, demonstra um nível competitivo alto e tem sido capaz de incomodar adversários teoricamente mais fortes. Cláudio Ramos, Yohan Tavares e Pepelu são os totalistas do plantel e têm sido peças-chave no esquema de jogo. São os homens de máxima confiança do técnico e, os dois últimos, têm tudo para entrar na galeria de notáveis do clube, como por exemplo, Hélder Tavares, Miguel Cardoso, Ricardo Costa ou Tomané – atletas que se destacaram e ajudaram o CD Tondela a consolidar-se na Primeira Liga. Escusado será dizer que o guardião Cláudio Ramos já lá perdura.

O que salta à vista no campeonato tondelense são de facto as três vitórias forasteiras – três até ao momento. O que virá daqui para a frente ninguém sabe, mas a verdade é que os adeptos, neste momento, podem respirar bem melhor em relação aos últimos anos.

Não quer isto dizer que o CD Tondela não venha a ter dificuldades para atingir os seus objetivos. Até porque convém não esquecer que o RC Deportivo de Natxo, na temporada passada, teve um início muito bom e, com o passar do tempo, acabou por cair bastante, tendo este sido despedido antes do seu final. Realidades diferentes, mas sinais factuais que o técnico não quererá ver repetidos, nesta primeira aventura fora do seu país.

Pelo que a equipa conseguiu até agora e olhando para os desempenhos de alguns adversários, penso que os beirões têm condições para alcançar nova manutenção, embora se preveja uma luta intensa, como vem sendo habitual.

Foto de capa: CD Tondela

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