A CRÓNICA: CHUVA DE DESPERDÍCIO NO JAMOR

O Belenenses SAD empatou a zeros com o Rio Ave FC, no Estádio do Jamor. O encontro acabou por mostrar a ineficácia e a boa postura defensiva de ambas as equipas.

Numa primeira parte sem qualquer golo, a equipa que criou mais perigo foi sempre o Rio Ave. O principal dado a destacar foi a grande defesa de Kritciuk, após uma finalização de Carlos Mané, isolado no corredor direito. O Belenenses SAD também teve algumas investidas, mas não chegou a criar um grande perigo.

A segunda parte significou um grande crescimento para o Belenenses SAD e um Rio Ave FC que tentou sufocar ao máximo nos instantes finais, com a entrada de Francisco Geraldes e Gelson Dala. Estes segundos quarenta e cinco minutos significaram mais oportunidades para as duas equipas, mas sempre desperdiçadas de forma inesperada.

Com este resultado, o Belenenses SAD fica em 12.º lugar da Primeira Liga, à condição, com mais um ponto do que o Boavista FC e o FC Famalicão. Já o Rio Ave fica também à condição no sétimo lugar.

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A FIGURA

Setor defensivo das equipas – Este deve ser um dos poucos rescaldos em que nem se sabe bem se a culpa do resultado é da “figura” ou do “fora de jogo”. O setor defensivo das duas equipas acabou por estar à altura, sobretudo o do Belenenses SAD, que tirou qualquer hipótese à linha mais ofensiva do Rio Ave FC.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Eficácia do ataque de ambas as equipas – Aqui está o outro possível culpado. A eficácia fez mesmo falta nesta noite gelada no Jamor. Uma prova desse desacerto nas balizas foi uma oportunidade desperdiçada por Gelson Dala perto do apito final, quando já todos gritavam golo.

 

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

A equipa de Petit apareceu com um 4-4-2 que se desdobrou muitas vezes no habitual 3-4-3. Quando a equipa apostava no primeiro esquema tático, tal como se viu no início do encontro, Cassierra tinha o apoio de Afonso Sousa na frente de ataque. Já no 3-4-3 que se formava de forma mais evidente quando o Rio Ave tinha bola, via-se dois alas mais abertos, sendo que Silvestre Varela ocupava o corredor direito, com o corredor esquerdo a ficar a cargo de Afonso Sousa. A zona intermediária ficava entregue a Afonso Taira, sendo que, à vez, cada um deles adiantava-se na pressão ao adversário. Relativamente à linha defensiva, a nota de destaque na alteração do sistema tático ia para Cafú Phete, que ocupava a lateral direita, quando o Belenenses SAD desdobrava em 4-4-2.

Na primeira parte, vimos uma equipa com dificuldades em ferir o Rio Ave FC. A aposta recaiu numa posse de bola rápida e em tentativas de transições com a busca em Silvestre Varela e um apoio central de Cassierra para incomodar a defesa vilacondense.

No segundo tempo, viu-se uma equipa muito mais solta e atrevida no momento ofensivo. Ainda conseguiram conquistar uma grande penalidade, mas o VAR converteu num livre direto que foi à barra de Kieszec. A equipa ia crescendo e começou a ferir verdadeiramente a baliza de Kieszek. Edi Semedo veio posteriormente trazer mais mobilidade ao ataque. No final, fica então a nota para um Belenenses SAD que não concretizou, mas travou bem as investidas do Rio Ave FC.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kritciuk (7)

Tiago Esgaio (7)

Tomás Ribeiro(7)

Cafú Phete (7)

Henrique Buss (7)

Rúben Lima(6)

Bruno Ramires (6)

Afonso Taira (6)

Silvestre Varela (5)

Afonso Sousa (7)

Cassierra (6)

SUBS UTILIZADOS

Edi Semedo (6)

Francisco Teixeira (-)

Robinho (-)

Cauê (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

A equipa de Mário Silva apresentou-se num 4-3-3 com a novidade André Pereira na frente de ataque. O ponta de lança português acabou por se tornar o apoio na zona central ofensiva para a verticalidade ofensiva por Carlos Mané e Lucas Piazón. Pelé e Felipe Augusto apresentaram-se numa dupla de médios mais recuados, mas com a missão de desenvolver a construção de jogo dos vilacondenses, muitas vezes com passes mais a mudar o flanco de jogo. Diego Lopes apareceu como o médio mais ofensivo e apresentou uma grande mobilidade ao chegar a atuar na posição de ponta de lança com André Pereira a seguir para a ala direita.

Na primeira parte, viu-se um Rio Ave FC com uma construção dinâmica e com algumas boas oportunidades para chegar à vantagem. Sempre que teve uma oportunidade, a equipa de Mário Silva não perdeu a oportunidade de lançar o contra-ataque, beneficiando sobretudo da velocidade de Carlos Mané.

No segundo tempo, e com as posteriores entradas de Gelson Dala e Francisco Geraldes, os vilacondenses procuraram agitar o jogo. Geraldes deu logo uma magia que não tinha sido vista no Jamor esta noite. No final, fica então a nota para um Rio Ave FC que dececionou em termos ofensivos e não conseguiu trazer os três pontos de Oeiras.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Kieszek (7)

Ivo Pinto (7)

Toni Borevkovic (7)

Aderllan Santos

Pedro Amaral

Filipe Augusto (7)

Pelé (7)

Diego Lopes (4)

Lucas Piazón (5)

Carlos Mané (6)

André Pereira (5)

SUBS UTILIZADOS

Gelson Dala (6)

Francisco Geraldes (7)

Bruno Moreira (-)

Tarantini (-)

Meshinho (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Belenenses SAD

BnR: Queria pedir-lhe uma análise a este empate frente ao Rio Ave FC. E como avalia a estreia a titular de Afonso Sousa?

Petit: Foi um empate, podíamos ter saído daqui com outro resultado, mas do outro lado estava uma equipa com qualidade e bem trabalhada pelo seu treinador. Uma primeira parte em que não houve muitas oportunidades. Nós tivemos uma oportunidade do Rúben [Lima] e eles têm dois lances com um contra-ataque do [Carlos] Mané e uma bola do [Afonso] Taira, que perde na área e eles têm dois remates. Foi um jogo bom em termos de intensidade e de duas equipas a querer e procurar. E uma segunda parte completamente diferente. Disse aos jogadores que, se mantivéssemos esta intensidade, as oportunidades iam surgir, e tivemos sete situações que podíamos ter feito.

O Afonso é um miúdo que tem trabalhado, está numa realidade completamente diferente, vinha de uma Segunda Liga. Hoje, acabou por fazer um bom jogo dentro de aquilo que foi pedido. É um jogador irreverente que traz outras coisas à equipa como os outros jovens.

Rio Ave FC

BnR: O que é que falhou para o Rio Ave não conseguir os três pontos?

Mário Silva: Acho que nos faltou eficácia. Em algumas situações que criámos, poderíamos ter tido outro desfecho, mas do outro lado também estava uma equipa competitiva, forte, agressiva, que eu sabia que nos ia dificultar a tarefa. Não estivemos confortáveis como gostávamos em termos de qualidade de jogo.

Artigo revisto por Mariana Plácido