Uma das notícias que marcou a última pausa para as datas FIFA foi a saída de César Peixoto do comando técnico da Académica OAF. Com o clube da cidade dos Estudantes a ocupar a 15ª posição da Segunda Liga com apenas nove pontos conquistados, o antigo jogador demitiu-se do cargo de treinador da Académica, naquela que seria apenas a segunda experiência como treinador, depois de ter deixado impressões positivas na época passada ao serviço do Varzim SC.

Desde que desceu de divisão na temporada 2015/2016, a Académica sempre tem sido dada como um crónico candidato à subida para a Primeira Liga, mas a verdade é que o emblema academista tem mostrado que não possui um projecto sólido e sustentável que faça o clube crescer e regressar ao convívio entre os grandes do futebol português.

Esta espiral descendente começou quando a Briosa ficou em último lugar no campeonato de 2015/2016, com a despromoção à Segunda Liga a levar o então presidente José Eduardo Simões a apresentar a demissão, sendo substituído por Paulo Almeida. No entanto, Paulo Almeida não chegaria a durar uma época completa no clube, demitindo-se durante a temporada seguinte, dando o lugar a Pedro Roxo.

João Carlos Pereira, sucessor de César Peixoto no comando técnico dos Capa e Batina, é o oitavo treinador da Académica na presidência do engenheiro de 39 anos. Pedro Roxo foi eleito quando o clube era orientado por Costinha, seguindo-se três treinadores na época seguinte: Ivo Vieira, Ricardo Soares e Quim Machado. Na época passada, a equipa esteve nas mãos de Carlos Pinto e de João Alves.

César Peixoto não conseguiu impor as suas ideias na Briosa
Fonte: Académica OAF

O técnico luso-angolano de 54 anos, já tinha passado pela Briosa na temporada 2003/2004, passando também por clubes como o CD Nacional, Moreirense FC, Estoril Praia SAD e o CF “Os Belenenses”. Passou ainda por países como o Chipre e a Suíça, tendo nos últimos anos sido o Coordenador geral da Aspire Academy no Catar. No entanto, até que ponto é que esta espiral de cabeças rolantes que tem circulado no clube poderá prejudicar o seu trabalho?

Nas últimas seis temporadas, a de 2016/2017 foi a única em que a Académica não mudou de treinador a meio da época, sendo o espelho de uma instituição histórica, mas que não demonstra qualquer estabilidade nos dias de hoje. E as muitas alterações feitas no plantel no último defeso também dificultam a implementação de ideias, de maneira que não se espera um percurso fácil de João Carlos Pereira no regresso à cidade dos Estudantes.

A ideia que eu tenho, é que Pedro Roxo é um presidente que tem olho para treinadores, mas que não tem capacidade para criar condições que lhes permitam desenvolver e sustentabilizar o seu trabalho, não conseguindo criar um contexto que favoreça a equipa. Este clima de instabilidade que reina na Briosa já paira há alguns anos e a tendência, é que não recupere tão cedo.

Foto de Capa: Académica OAF

artigo revisto por: Ana Ferreira

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