Vivemos uma fase de expectativa que sempre marca cada Verão. À falta de calor, encontramos o tórrido mercado nacional, onde cada compra merece sempre o especial comentário mais ou menos expectante de cada um dos nossos queridos adeptos.

Esta semana gostaria de falar em algo que me parece ser recorrente época após época: os jogadores que, na sua grande maioria, encontram na encruzilhada das suas carreiras um de dois caminhos – o caminho da valorização pessoal e desportiva ou o caminho do banco, onde os milhões vão sendo, mês após mês, depositados nas suas contas já recheadas. E ao que me tem sido dado a conhecer, cada vez mais o segundo caminho é o atalho preferido pelos demais.

Quantos são os jogadores que preferem ser suplentes dos seus clubes e rejeitam a quase certa titularidade noutros clubes (ligeiramente) mais modestos desportivamente e (menos ligeiramente) um pouco mais modestos monetariamente? Basta relembrar, por exemplo, o caso de Navas, crónico suplente do Real Madrid, que, e mesmo cheinho de dinheiro, prefere prosseguir a carreira a aquecer o banco merengue, que vir para um clube que lhe garantiria a luta por títulos e um lugar cativo na baliza do actual campeão nacional. Já nem vou a Bruma, que esse caso é tão gritante que prefiro não comentar.

Eu sei que o dinheiro é fundamental, para mais na carreira de curta duração dos jogadores de futebol. Mas não seria melhor dar um passo atrás para dar dois em frente? Ou quase em fim de carreira, e com milhões e milhões a encherem os bolsos, não seria mais ‘gratificante’ jogar, fazer parte efectiva de um plantel, de um grupo e de eventuais conquistas? Pelos vistos, para a grande maioria, não.

Navas é um bom exemplo do que é preferir os milhões em prol de uma carreira ‘no activo’
Fonte: Real Madrid CF

Dyego Souza saiu para a China, de olhos em bico com os milhões que vai receber. Já não é novo, aproveitou para enriquecer, mas seria a sua última chance? Como ficará a sua carreira? Então o homem até era chamado à selecção nacional. Afinal que visibilidade terá para o futuro? Quantos jogadores por esse mundo decidem, ainda mais novos que Dyego, ir ganhar milhões para o fim do mundo futebolístico, descorando a possibilidade de evoluirem no ‘mundo desenvolvido do futebol’?

Para terminar dou somente estes três exemplos: André Silva foi para Milão, Adrien para o Leicester City FC e Renato para Munique. Três jogadores que saíram não há muito tempo dos nossos ‘grandes’ para a Europa rica do futebol mundial. Pergunta: não teria sido melhor terem ficado? Compensou encher os bolsos e deixar as suas carreiras um pouco em ‘standbye’?

André Silva, um menino goleador, se tem esperado não teria conseguido ir para um clube que lutasse por títulos e que estivesse mais sereno em vez de ir a correr para este gigante italiano adormecido há anos e anos? Adrien troca o Sporting por um clube que mesmo sendo campeão inglês não luta, em todas as ‘normais’ épocas, por nada mais do que um campeonato tranquilo? E Renato? Com a Europa a seus pés, achou que Munique era o local certo? Acreditou o médio português que conseguiria ser titular no campeão alemão, num campeonato difícil para a maioria dos nossos jogadores, e onde pontificavam, por exemplo e para a sua posição, Xabi Alonso, Vidal e Tiago Alcântara? Onde poderia estar Renato agora?

Posto isto, cada vez tenho mais a certeza de que, entre a carteira e a carreira, o que conta mesmo é o dinheiro. As carreiras vão, mas, por norma, o dinheiro ficará por mais alguns anos…

Foto de Capa: SC Braga

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