A CRÓNICA: “BAILINHO DA MADEIRA” AO RITMO DO “TON(M)DELA”

Para o último jogo do ano civil de 2020, CD Nacional e CD Tondela, subiram ao relvado do Estádio da Madeira para disputar a jornada 11 da Liga. Para este encontro, Luís Freire ambicionava um Nacional com garra e vontade, que possibilitasse finalizar um ano atípico, com uma vitória. Todavia, o Tondela não quereria certamente, entregar de ´mão beijada´ o triunfo aos madeirenses.

Assim, foi os alvinegros que entraram com o pé no acelerador e logo aos 35 segundos, João Vigário cruzou para a finalização de Rúben Micael.

No entanto, o ritmo do Nacional amorenou nos minutos seguintes e o ´maior das Beiras´ conseguiu responder bem ao golo sofrido, com várias ocasiões de perigo junto da baliza de Daniel Guimarães. Nem por isso, os madeirenses se deixaram encostar às cordas, e também tentavam a sua sorte.

Aos 27 minutos, numa transição ofensiva rápida dos madeirenses, Bebeto, ex-jogador do CS Marítimo, fez uma falta sobre João Camacho, levando assim, o segundo cartão amarelo, sendo expulso. Não obstante, o Tondela não permitiu, que tal situação os prejudicasse, até porque o Nacional não demonstrou capacidade para fazer ´comichão´ ao guarda-redes Babacar Niasse, a não ser no único minuto de compensação da primeira metade, quando o capitão madeirense, João Camacho rematou para defesa apertada do guardião senegalês.

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Ao intervalo, ambos os treinadores fizeram alterações, mas em termos táticos pouco ou nada mudou.

Nos primeiros cinco minutos da segunda parte, as equipas médicas das duas equipas, quase que não saia de campo, tardando assim o reatamento da partida. Ainda assim, o Nacional veio mais desperto para o início da segunda metade e teve duas grandes oportunidades nos minutos seguintes, à lesão de Rafael Barbosa.

Com um Nacional claramente por cima na partida, o segundo golo tardava em não acontecer, até que à passagem do minuto 68´, numa boa transição ofensiva dos alvinegros, Rúben Micael abriu na direita, onde Rúben Freitas cruzou, Rochez permitiu a defesa de Niasse e na recarga o colombiano Riascos fuzilou as redes tondelenses.

Até final do jogo, o placard não se alterou, apesar de ter sido um jogo muito partido até final, com muitas insistências de parte-a-parte, havendo ainda, tempo para uma expulsão, a de Khacef, que tinha entrado aos 72 minutos para o lugar de Salvador Agra, deixando o Tondela, momentaneamente, reduzido a nove.

 

A FIGURA

Rúben Micael – Foi dos pés do madeirense que nasceu o primeiro golo do encontro, naquele que foi provavelmente o golo mais rápido da Liga, na presente época. Sendo ele, o médio de características mais ofensivas no meio-campo “alvinegro”, foi por ele que passou muito do jogo ofensivo dos “insulares”, estando mesmo evolvido no lance do segundo golo quando à meia volta faz um passe a rasgar para a ala direita, que está na sequência do golo de Riascos.

 

O FORA DE JOGO

Bebeto – Foi expulso antes sequer da meia hora de jogo, e visto que a sua equipa até estava a jogar bem, foi um golpe nas aspirações do Tondela, para o resto da partida. O brasileiro de 30 anos, já tinha cartão amarelo e numa transição defensiva da equipa de Viseu, derrubou “infantilmente” o madeirense João Camacho, vendo assim o duplo amarelo e consequentemente a expulsão.

Apesar da boa resposta do Tondela a esse factor ainda na primeira metade, a verdade é que na segunda metade do encontro a equipa nunca conseguiu ser aquilo que foi nos primeiros 45´minutos, muito por culpa de estar a jogar com menos um.

 

ANÁLISE TÁTICA – CD NACIONAL

Para esta partida frente ao CD Tondela, Luis Freire fez quatro alteração relativamente ao 11 que tinha jogado com o Porto para a jornada dez da Liga, decidindo-se manter o seu tradicional 4-3-3, com o marroquino Azouni a “6” e o madeirense Rúben Micael, assim como, Nuno Borges, à sua frente.

O CD Nacional entrou com tudo e fez o golo aos 35 segundos, com uma variação no flanco esquerdo, com João Vigário a cruzar para os pés de Rúben Micael. Contudo, nos minutos seguintes o Tondela cresceu, e o Nacional optava por sair longo, fosse dos pés do guarda-redes, fosse dos centrais. Nos primeiros 45 minutos, a nível defensivo, o Nacional, foi uma equipa incapaz de combater o tipo de jogo do adversário, e optou quase sempre pela saída longa.

Ao intervalo, o jovem treinador ´alvinegro´, Luis Freire, fez entrar o nigeriano Alhassan para a saída do cabo-verdiano Nuno Borges, que já tinha amarelo e podia ser expulso a qualquer momento, ao mesmo tempo que aproveitava para meter mais dimensão física em campo.

Na segunda metade, o Nacional veio com uma alteração na forma de jogar e preferiu sair curto, muito à custa de Alhassan que se juntou aos centrais para construir o jogo dos madeirenses. As nuances táticas do Nacional mudaram para a segunda parte e a equipa passou a praticar um futebol de muito melhor qualidade, fazendo o 2-0 através de Riascos, numa jogada de grande envolvimento coletivo, onde o ataque rápido sobressaiu.

Até final, o Nacional esteve contido defensivamente, com boas coberturas defensivas e nem as investidas dos homens de Viseu, fizeram quebrar a muralha chamada Daniel Guimarães.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Daniel Guimarães (7)

Rúben Freitas (6)

Lucas Kal (5)

Júlio César (5)

João Vigário (7)

Nuno Borges (5)

Azouni (5)

Rúben Micael (7)

João Camacho (6)

Rochez (6)

Brayan Riascos (7)

SUBS UTILIZADOS

Alhassan (6)

Chico Ramos (4)

Kenji Gorré (4)

Vicent Thill (3)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD TONDELA

O espanhol Pako Ayestarán, viajou até à Madeira com o objetivo de não sofrer golos e até quem sabe, levar uma vitória na bagagem. Para isso, o CD Tondela entrou em campo com um 4-4-2.

Apesar do golo sofrido no primeiro lance do jogo, o Tondela não se encolheu e foi para a frente tentar a todo o custo encostar o Nacional às cordas. Depois do primeiro minuto, viu-se um Tondela organizado ofensivamente a ocupar bem os espaços e praticar um bom futebol, sempre em triangulação, sobretudo pelo seu lado esquerdo ofensivo, onde Murillo, Rafael Barbosa e Filipe Ferreira estavam a criar muito perigo junto dos defensas “alvinegros”.

Aos 27 minutos, Bebeto foi expulso e deixou a equipa mais exposta aos ataques do Nacional. Todavia, a formação de Viseu não se deixou abater e com uma boa ocupação dos espaços e uma boa organização, manteve o resultado em 1-0 até ao intervalo, tendo inclusivamente, oportunidades suficientes para empatar.

Ao CD Tondela tudo acontecia e logo no reinício da partida, Rafael Barbosa viu-se forçado a deixar o encontro devido a uma lesão na coxa, passando o Tondela a jogar num 3-4-2, com Salvador Agra na direita, Murillo na esquerda e Mario Gonzalez e Rúben Fonseca, que entrará para o lugar do número “70”, dos “auriverdes”. Os “tondelenses” não deitaram “os braços ao chão”, e bem tentaram chegar à baliza do Nacional com perigo, mas sem grande êxito.

Aos 72´minutos o lateral argelino, Khacef entrou e a equipa reajustou-se em 4-4-1, sempre em busca de algo mais na partida, embora ofensivamente não se viu um Tondela tão organizado e compensado, mostrando no lance do segundo golo dos ´nacionalistas´ o porquê de ser a pior defesa do campeonato.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Niasse (6)

Bebeto (3)

Yohan Tavares (5)

Enzo Martinez (5)

Filipe Ferreira (SC) (5)

Salvador Agra (5)

Jaume (4)

Jaquité (5)

Jhon Murillo (5)

Rafael Barbosa (6)

Mario Gonzalez (5)

SUBS UTILIZADO

Abdel Medioub (4)

Rúben Fonseca (4)

Khacef (2)

João Mendes (3)

Tiago Almeida (3)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD Tondela 

BnR: Acha que se não fosse a expulsão de Bebeto aos 27 minutos, o Tondela podia ter dado a volta ao marcador?

Pako Ayestarán: Não podemos dizer que a culpa é deste ou daquele. A culpa de não vencermos, é nossa. Entramos desconcentrados e levamos o golo no primeiro momento do jogo. Apesar de termos jogado bem, não conseguimos finalizar as ocasiões flagrantes que tivemos, a verdade é essa. Infelizmente, é o 5º ou 6º vez esta época, que temos de lidar com uma expulsão, mas isso não pode ser justificação para perdermos os jogos.

CD Nacional

Não foram colocadas questões ao técnico do CD Nacional, Luís Freire.

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