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CF União 1-0 SC Covilhã: Tiro de Carvalhas mantém vivas as esperanças da salvação

Marco António Milho · 6 min

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À entrada para a 35.ª jornada da Segunda Liga, defrontavam-se, na Ribeira Brava, duas equipas que procuravam amealhar pontos preciosos para a fuga aos lugares de despromoção. Bastante pressionado nessa luta estava o CF União, quatro pontos abaixo da ‘linha de água’, ao passo que o SC Covilhã se encontrava mais tranquilo, a meio da tabela, embora a sua margem não fosse particularmente confortável.

Face a esse mesmo cenário, desde cedo se tornou nítido que o empate servia as intenções dos serranos. O União, por seu turno, jogava sobre brasas, e também isso se evidenciava cada vez mais, a cada jogada. A frustração começava a fazer-se sentir, até porque até à meia-hora, foram muito poucas as ocasiões criadas por qualquer um dos lados. Só aos 33 minutos os madeirenses fizeram trabalhar o guarda-redes forasteiro, quando Nduwarugira atirou forte, de fora da área, para a defesa vistosa de Vítor São Bento.

O Covilhã geria, enquanto o União procurava assumir o jogo, mas com dificuldades para furar a defensiva serrana. A equipa azul e amarela jogava demasiado para o lado e para trás, demonstrando pouca objetividade.

As verdadeiras ocasiões só apareceram já no final da primeira parte. Aos 44’, Júnior dispôs daquela que era, à altura, a melhor jogada do encontro, mas a concluir, o cabo-verdiano chutou contra São Bento. Na resposta, Reinildo reclamou para si a soberana ocasião do primeiro tempo, atirando por cima, com a bola a rasar ainda o travessão da baliza de Chastre.

Rui Costa apitou, pouco depois, para o fim dos 45 minutos iniciais, e o intervalo pareceu fazer bem à formação caseira. Reentrou melhor o União na segunda parte, conseguindo desde logo duas boas oportunidades, assinadas por Betinho e Flávio Silva, nos primeiros cinco minutos.

O momento do jogo. Livre cobrado por André Carvalhas e um golo de belo efeito

O desfecho, contudo, era quase sempre o mesmo, acabando a bola longe da baliza. Muita vontade, mas pouco engenho e clarividência resumiam o jogo unionista, até pouco depois dos 60 minutos, altura em que chegou a explosão de alegria para os adeptos que marcaram presença no estádio, apesar da tarde fria e chuvosa.

À passagem da hora de jogo, o União conquistou um livre em posição frontal à baliza de São Bento. André Carvalhas não podia ter pedido melhor posição para fazer o gosto ao pé, e na conversão, o médio fuzilou as redes serranas, fazendo o primeiro golo da partida.

Com o tento unionista, adivinhava-se uma inevitável reação do Covilhã, pelo que o jogo se tornou mais aberto e interessante. Os leões da Serra aproximaram-se pela primeira vez nos segundos 45 minutos da área de Chastre, e ainda provocaram alguns calafrios aos homens de Ricardo Chéu.

Foi, no entanto, o União a estar mais perto de dilatar a vantagem, quando já aos 78’, Júnior aproveitou uma escorregadela de Paulo Henrique, e foi sozinho, galgando terreno até à baliza contrária. São Bento fez a mancha e defendeu, já no limite da área, oferecendo o corpo às balas.

Até aos 90 minutos, o Sporting da Covilhã ainda tentou exercer pressão sobre os madeirenses, mas o resultado não se alterou. Com o último apito de Rui Costa chegou o final para um jogo que valeu pelo futebol praticado na segunda parte. Depois da surpreendente vitória na jornada anterior, sobre o Académico de Viseu FC, no Fontelo, o União somou mais três importantes pontos para se manter vivo na luta pela manutenção.

CF União

Chastre, Tiago Moreira, Allef Nunes, Miguel Lourenço, Sylla, Nduwarugira (Ciss, 64’), André Carvalhas (Bruno Morais, 75’), Danilo Dias (Peterson, 91’), Júnior, Flávio Silva e Betinho

SC Covilhã

Vítor São Bento, João Dias, Zarabi, Abalo, Paulo Henrique, Makouta (Adul Seidi, 66’), Boubakary Diarra (Vitó, 79’), Índio (Gilberto, 55’), Fatai, Renato e Reinildo Mandava

A FIGURA

Fonte: Bola na Rede

André Carvalhas – O experiente médio voltou a dar motivos para sorrir aos adeptos do União. Carvalhas já tinha caído nas boas graças dos adeptos unionistas, depois de, em 2014/15, quando jogava no CD Tondela, ter marcado um golo aos 93 minutos, frente ao SC Freamunde, que deu aos madeirenses o segundo lugar, e a subida à Primeira Liga. Anos mais tarde, já com a camisola azul e amarela, o jogador formado no SL Benfica apontou, de livre, um belo golo que valeu um importante resultado para as contas dos insulares.

O FORA DE JOGO

Fonte: Bola na Rede

Primeira parte – O futebol praticado na etapa inicial do encontro foi francamente pobre, graças à inoperância dos jogadores unionistas, mas também à predisposição calculista da formação serrana. A grande ocasião de perigo só chegou ao fim dos primeiros 45 minutos, e até então, o jogo era um deserto de ideias. A segunda parte trouxe mais vontade, e melhor futebol, sobretudo na fase final. Ficou a impressão de que, se tivesse arriscado no ataque mais cedo, o Covilhã talvez pudesse ter saído da Madeira com outro resultado. Certamente que, pelo menos, o futebol agradecia…

BnR na Conferência de Imprensa:

SC Covilhã

BnR: Acha que se a sua equipa tivesse assumido um jogo mais ofensivo desde o início teria conseguido outro resultado?

José Augusto: O objetivo era a vitória. Queríamos jogar para os três pontos, mesmo com as nossas limitações. Nunca foi jogar para o empate, porque quem o faz arrisca-se a perder. Tentámos de várias maneiras, com várias soluções, tentámos dar mais rapidez às transições na fase final, mas pecámos na hora da decisão. Não fizemos o golo e o gesto técnico do André Carvalhas fez a diferença.

Outras respostas: “Acho que foi um jogo equilibrado, que se definiu num pormenor de um jogador com qualidade. Ao nível das oportunidades as equipas estiveram iguais. O União teve mais ‘nervo’ na primeira parte, mas o jogo foi equilibrado e acho que o pormenor do André Carvalhas é que fez a diferença.”

CF União

BnR: Uma vitória que dá alento e coloca o União mais perto da tão desejada permanência.

Ricardo Chéu: Sim, dá alento. Independentemente dos resultados o discurso sempre foi o mesmo: jogo a jogo, e no final fazemos as contas. Foi uma época difícil para o União, mas neste momento as coisas estão equilibradas e vamos dar uma resposta. Está aí a prova. Somos uma equipa de guerra. Não deitamos a toalha ao chão e acreditamos que vai ser possível. Já muita gente nos quis fazer o funeral, mas acreditem que o União vai ficar na Segunda Liga.

Outras respostas: “Já sabíamos que íamos sofrer até ao fim. Menos na qualidade, mais no querer, e às vezes queremos tanto que nos falta discernimento. Foi o que aconteceu. Podíamos ter feito o segundo golo que acabava com o jogo. Tivemos mais oportunidades que o adversário. Até ao nosso golo, o Covilhã só teve uma no final da primeira parte, que nasceu de um erro defensivo, que temos pagado caro esta época.”

“Fomos humildes o suficiente para perceber que o jogo não dava para mais. Depois de fazer o golo tínhamos o objetivo de não sofrer. Sabíamos que tínhamos capacidade para marcar, porque temos marcado a quase todas as equipas. Sabíamos que o golo ia aparecer, mais tarde ou mais cedo. Depois tentámos não cair no erro que nos tem custado caro noutras alturas.”

“Não acho que haja um ‘bloqueio’ quando a equipa joga em casa. Nos jogos fora a quipá sente-se confortável porque a iniciativa está do outro lado. Isso viu-se contra o Académico, onde tivemos várias oportunidades. Aqui as equipas vêm jogar mais fechadas, mas isso é igual em todo o lado. A Segunda Liga é assim.”

“Temos de estar unidos, e só peço aos adeptos que deixem as críticas para o fim e para o treinador. Eu assumo essa responsabilidade. Se houver falta de atitude, aí sim, pode-se apontar o dedo, mas não tem sido o caso. Temos mais um jogo em casa e gostava que os adeptos comparecessem para apoiar os jogadores.”

Marco António Milho

Redação Bola na Rede · ver artigos