A CRÓNICA: NÃO HOUVE SUSTO, COMO DA OUTRA VEZ

Estávamos nós à beira Tejo plantados, tal como o Campo Engenheiro Carlos Salema, e a única coisa que realmente aconteceu de relevante durante todos os primeiros 45 minutos neste Clube Oriental de Lisboa e FC Famalicão foi o frio que se ia sentindo espinha a dentro. O relvado estava pior do que o ano de 2020 e os protagonistas iam sentindo dificuldade em mostrar as suas qualidades no tapete verde, em Marvila.

Aliás, até há uma coisa que podemos salientar: o facto de provavelmente ser Natal antecipado para algum miúdo que more perto do estádio. É que houve aquelas bolas que verdadeiramente foram “para as couves”. Fora isso, parecia que estávamos numa jornada do Campeonato de Portugal e, no intervalo, o placard (imaginário) marcava um justo zero a zero.

O jogo recomeçou e, finalmente, com motivos de destaque. No primeiro erro da partida para o Clube Oriental de Lisboa, foi João Caminata que, involuntariamente, fez assistência para Gil Dias mandar uma verdadeira bomba daquelas que mata uma Mosca. Pelo menos, nesta eliminatória, o FC Famalicão não sofria da ansiedade de estar em desvantagem na eliminatória com uma equipa do Campeonato de Portugal.

Os golos pareciam estar guardados para esta segunda parte. Depois de um canto de Gil Dias, novo golo para os famalicenses. O lance foi tão estranho que ficou a dúvida até na bancada de imprensa se tinha sido autogolo, ou se algum jogador do Famalicão tinha encostado. O certo é que havia já uma vantagem mais agradável.

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Eu não disse que os golos eram para a segunda parte? Pois é. Houve mais um novo lance estranho na grande área do Oriental, e Diogo Queirós acabou por encostar para o terceiro na partida. Se o jogo parecia não estar ainda resolvido, então agora estava tudo pronto para se estender a passadeira “azul” ao Famalicão, que estava apto para seguir para a próxima eliminatória.

O frio que pautou toda a primeira parte foi descongelado por Gil Dias (faz sentido agora o título, não?). Com a desvantagem, o Clube Oriental de Lisboa ficou mais exposto e começou a trabalhar para os golos. É um resultado mais do que justo. Aliás, foi o melhor resultado que se conseguiu arranjar com o relvado assim. FC Famalicão está na próxima fase da Taça de Portugal e o Oriental foca-se agora no Campeonato de Portugal.

 

A FIGURA

Gil Dias – Sempre a participar em todas as ações do Famalicão, tanto a defender como a atacar. Desbloqueou a partida com uma verdadeira bomba para a baliza dos lisboetas e ainda esteve envolvido no segundo golo da partida. Mesmo num campo em que as condições não eram as melhores, conseguiu impor a sua qualidade técnica e também o seu posicionamento defensivo e ofensivo, algo que foi crucial durante todo o jogo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Bola na Rede

O relvado – Foi mesmo o pior daquilo que vimos em jogo. Dizer que era um batatal não era de todo um erro. Já tinha sido referido por João Pedro Sousa, em conferência de imprensa, que seria um grande obstáculo para as duas equipas. Os mais tecnicistas estiveram apagados – ou era à bomba, ou à bola alta.

 

ANÁLISE TÁTICA – CLUBE ORIENTAL DE LISBOA

A equipa de Marvila apostou num sistema tático muito móvel, rodando sempre entre um 4-4-3 e um 4-4-1-1. A aposta mais avançada foi Douglas que, normalmente, estava apoiado por Rafa Santos e por uma linha de quatro médios a criar uma solidez no meio campo muito boa. Já a nível ofensivo, o sistema adotado foi um 4-4-3, no qual a frente de ataque estava composta por Caminata, Varudo e Douglas. Além da tentativa de surpreender os famalicenses com o contra-ataque, houve momentos em que o Oriental conseguiu criar uma jogada com mais calma.

As substituições foram feitas na tentativa de refrescar e dar mais opções atancantes do que propriamente pensadas para conseguir reduzir a vantagem que o Oriental tinha no jogo. Contudo, as substituições entraram meio que desorientadas em campo. Um aspeto a referir (e não propriamente tático voluntário) foi que o “esquema tático” acabou, quando o Oriental sofreu o primeiro golo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Hugo Mosca (6)

Bruno Simão (5)

Dudu (5)

Marinheiro (5)

Tomás Silva (5)

Ruizinho (5)

David Crespo (5)

Caminata (5)

Varudo (4)

Rafa Santos (7)

Douglas (6)

SUBS UTILIZADOS

Márcio Augusto (5)

Rafa Pinto (5)

Ruben Gouveia (5)

Camará (5)

Hélio Roque (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

A equipa de João Pedro Sousa apresentou-se num 4-4-3 com a aposta dos laterais Edwin Hernandez e Gil Dias muito subidos, fazendo sempre a troca com os extremos Velenzuela e Jhonata da Silva – e ganhando assim superioridade numérica em muitas das ações ofensivas. Uma particularidade interessante é o facto de Gustavo Assunção ter sido o jogador que mais trabalhou e construiu a partir de trás no meio de campo. A aposta foi sempre a velocidade dos jogadores famalicenses, porque o campo não permitia muito mais.

Na segunda parte, com todas as substituições, o FC Famalicão continuou com a mesma ideia de jogo e acabou por pouco ou nada alterar a estratégia que João Pedro Sousa implementou para este jogo contra o Oriental.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Júnior (5)

Edwin Hernandez (6)

Srdan Babic (6)

Diogo Queirós (7)

Gil Dias (8)

Gustavo Assunção (6)

Joaquin Pereyra (5)

Carlos Valenzuela (6)

Ivan Pajuelo (5)

Marcelo Trotta (4)

SUBS UTILIZADOS

Bruno Jordão (6)

Guga (5)

Jorge Ferreira (5)

Daniel Cabrera (5)

Henrique Trevisan (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Clube Oriental de Lisboa

BnR: Havia uma estabilidade no meio campo, principalmente com a presença do Rafa Santos atrás do Douglas. Acredita que esta condicionante foi importante para que, durante toda a primeira parte, o Famalicão tivesse criado perigo?

Rui Gregório: Houve vários motivos para esse empate na primeira parte. Foi a entrada forte, com personalidade e olhar de frente o adversário. Este jogo teve uma estratégia e o próximo terá outra. Houve ali um momento em que dois jogadores nossos podiam ter feito uma falta e o lance parava logo. Mas, como isso não aconteceu, acabámos por sofrer o golo. No global, a equipa esteve competente e é um resultado que se aceita. Não vou aqui dizer se é justo ou injusto. É algo que se aceita. Ainda assim, estou satisfeito com os meus jogadores, porque estiveram organizados quanto baste, e o golo aconteceu num lance que atirou a equipa abaixo. Os outros dois golos foram de cantos. Nós estávamos avisados. Eles foram lá e, em dois cantos, fizeram dois golos. É assim o jogo.

FC Famalicão

BnR: Apesar do estado do campo, que já tinha referido na antevisão que seria um obstáculo para os dois clubes, o que disse aos jogadores sobre os locais do campo a ter cuidado? Avisou-os sobre terem de ter consciência do que podiam fazer para não perder o estilo de jogo que o FC Famalicão normalmente aplica?

João Pedro Sousa: Essencialmente, perceber que não podíamos entrar em situações de riscos, como habitualmente fazemos nos jogos da Liga. Por exemplo, atrairmos o adversário. Com as condições que o relvado tinha, não o poderíamos fazer. Sabíamos das condições e fomos mais pragmáticos durante todo o jogo. Tanto na zona de finalização, como também cá atrás, na defesa. Nunca poderíamos perder o nosso estilo de jogo, como bem disse. Foi uma boa vitória.

Artigo revisto por Mariana Plácido

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