A Europa parece ser, de facto, a palavra de ordem no balneário do SC Braga para esta época. Vive-se um cenário em que parece que foi feita uma espécie de revolução, em que só lhes agrada jogar as competições europeias. Como se as competições domésticas não fossem relevantes, não fossem significantes para o currículo. Chegamos ao fim do ano e o desempenho do SC Braga no campeonato é sofrível, é algo que não pode ser bem aceite, tendo em conta o caminho traçado pelo clube e dada a qualidade do plantel à disposição. Porque qualidade é o que não falta. A recente eliminação na Taça de Portugal não pode ser vista como um falhanço, visto que foi no terreno do atual campeão nacional.

Na verdade, o SC Braga é aquele indivíduo que só se contenta em viajar pela Europa e cá vive triste, amargurado. O percurso europeu está a superar as expectativas, mas o clube precisa de estabilizar internamente em termos classificativos, algo que as seis derrotas registadas até ao momento não ajudam. Esta é uma situação difícil de explicar e é natural que surjam as mais diversas perguntas.

Será que não existe estofo para competir duas vezes por semana? Será que o foco está, exclusivamente, virado para os compromissos internacionais?

O SC Braga é uma equipa competente em transição e não se tem adaptado bem frente a adversários mais fechados, sendo que os adversários europeus expõem-se mais do que os daqui, mas o que é certo é que o estado de espírito dos guerreiros se altera quando saem de Portugal. Será essencial manter esse mesmo foco daqui para a frente e melhorar a atual imagem instável vivida na Liga. Porque, a meu ver, este era um ano em que existiam condições para o clube caminhar pelo terceiro lugar.

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Sá Pinto colocou-se a jeito com este registo e ainda nesta segunda-feira foi anunciada a sua saída do comando técnico, numa decisão que acredito que já estaria há muito tomada e como sinal do descontentamento do andar da carruagem. A solução encontrada foi dentro de portas, com Rúben Amorim a assumir o cargo principal. Os minhotos terão, a partir de agora, um novo rumo e penso que só a vitória na final de Braga equilibraria a balança de uma época algo confusa, num final de ano agitado.

Os guerreiros não têm estado bem no campeonato, onde contam seis desaires
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Os desaires recentes contra os dois últimos classificados deixam sempre marcas e poderão ter sido a última gota de água. Marcas essas que precisam de ser ultrapassadas e nem o expectável apuramento para a final four da Taça da Liga deve apagar.

Numa prova disputada em casa, as expectativas são altas e a responsabilidade aumenta, o que também pode funcionar contra a turma bracarense. Por um lado, joga no seu habitat natural e conta com o apoio dos seus adeptos, por outro, sabe que a tarefa será bastante exigente, pois estão em prova dois dos três grandes e o seu maior rival, e existe a hipótese de dar continuidade ao registo negativo no plano interno. E ela joga-se já dentro de um mês e com uma nova equipa técnica…

Porém, a procura pela conquista de um troféu disputado dentro de portas estimula os interesses do universo arsenalista e um eventual sucesso pode funcionar como um suplemento motivacional para o resto da temporada, e ainda como resposta à prestação menos positiva em solo nacional, o que faz com que a Taça da Liga se afigure como uma necessidade para o tal universo.

Deseja-se o remendar da imagem através desta via, ou seja, a exigência tem de ser elevada. A atual competição preferida (Liga Europa) pode esperar, pois o foco deve estar na recuperação no campeonato e na conquista da Taça da Liga – que deve passar a ser uma prioridade.

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes