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Com a Liga Portuguesa dominada por completo pelos chamados Três Grandes, ano após ano prevemos, facilmente e à priori, quais as equipas que farão o pódio da principal competição do futebol português, estando a imprevisibilidade destinada, normalmente, ao resto da tabela. Ainda assim, alguns emblemas conseguem interferir na hegemonia clubística portuguesa, ainda que com objetivos diferentes e que por pouco tempo. Um desses clubes é o Vitória Sport Clube, conhecido popularmente como Vitória de Guimarães.

A equipa minhota sempre foi difícil de ultrapassar, mesmo pelos grandes, colecionando boas classificações ao longo da sua história. Mas é mesmo no presente que o percurso do clube vitoriano tem sido notável, ainda que, para merecer esse adjetivo, tenha precisado de passar pelo inferno: os vimaranenses desceram de divisão na época 2005/2006, numa temporada europeia em que nada o faria prever.

Pouco mais de dez anos volvidos, podemos afirmar que há males que vêm por bem. O Vitória empenhou-se na tarefa de voltar rapidamente ao maior escalão de futebol do país e merece todo o mérito que se lhe possa dar nessa tarefa: foi às costas dos associados e adeptos – dos mais devotos que existem no nosso país – e com uma média de assistências recorde na Liga de Honra, que regressou no ano seguinte à Primeira Liga.

O primeiro objetivo estava alcançado. Faltava reerguer o clube vitoriano e fazê-lo regressar aos lugares cimeiros a que estava habituado. Tal como o primeiro objetivo, o segundo foi rapidamente alcançado: no regresso à Primeira Liga, na época 2007/2008, o Vitória conquistava um lugar no pódio, garantindo o terceiro lugar e a qualificação para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Aqui, a memória não é totalmente feliz, sendo os minhotos eliminados com um golo mal anulado a três minutos do fim, golo esse que permitiria a inédita presença do clube vimaranense na fase de grupos da competição.

Mas essa época mostrou ser o ponto de partida para uma estabilidade há algum tempo inalcançada pelo clube. Desde aí, o Vitória de Guimarães conseguiu uma média de classificação de sétimo lugar, o que, apesar de intercalado com resultados europeus e resultados de meio da tabela, demonstra a estabilidade desejada. Até à época atual, destacam-se três lugares europeus – um deles com presença na fase de grupos da Liga Europa –, duas presenças na Supertaça de Portugal e duas presenças na final da Taça de Portugal, com a conquista do troféu em 2012/2013 a ser o ponto alto deste percurso.

E é aqui que se têm de tecer rasgados elogios à equipa vitoriana. É notável a forma como o Vitória se tem aguentado na primeira metade da tabela e com ocasionais resultados europeus, não tendo o poder desportivo e económico de um grande ou mesmo do SC Braga. Sendo um clube com menores recursos financeiros e estando por isso mais recetivo a vender, o Vitória tem sido muitas vezes um “viveiro” de jogadores para os grandes. E é também este ponto que merece ser destacado: ano após ano, a equipa vimaranense consegue reconstruir a sua equipa, mesmo após perder diversos jogadores para clubes maiores.

O ponto alto do Vitória, em 2013 Fonte: Vitória SC
O ponto alto do Vitória, em 2013
Fonte: Vitória SC

É fácil ilustrar esta realidade: em cerca de 2 ou 3 anos – desde a época 2014/2015 –, o Vitória perdeu jogadores-chave como André André, Paulo Oliveira, Hernâni, Bernard Mensah ou Tiquinho Soares para grandes clubes, alguns deles a meio da época. A esses, somam-se 31 jogadores vendidos neste período e quatro treinadores. Ainda assim, os Conquistadores conseguiram, nas últimas duas temporadas, um quinto e um décimo lugar, ocupando, este ano, à data em que escrevo este artigo, um repetido quinto lugar que lhes poderá dar a terceira presença europeia em cinco anos.

Como conseguir resultados? Primeiro, destaca-se a rigorosa eficácia que o Vitória tem nas suas apostas: em jogadores, que tem sabido substituir, mas principalmente em treinadores. Rui Vitória soube gerir muito bem uma equipa feita de jovens, que conseguiu em 2012/2013 a inédita conquista da Taça, e soube, principalmente, resistir às constantes alterações no plantel. E se Sérgio Conceição não conseguiu corrigir a má aposta em Armando Evangelista na temporada passada, Pedro Martins tem-se mostrado o homem certo para o clube, potencializando a juventude e apostando nos jogadores certos, articulando com a direção o regresso de jogadores importantes.

Por último destaca-se a alma. E a do Vitória Sport Clube tem sido gigante. Repare-se apenas na atitude dos minhotos em Alvalade no último domingo e temos um espelho da mentalidade vitoriana. Uma equipa que não levou autocarro, que confiou nas suas qualidades e que saiu de Lisboa com mais um ponto na mala. E já vão 40, com os olhos na Europa e sempre com espírito de Conquistador.

Foto de Capa: Vitória SC

Artigo revisto por: Diana Martins

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