Dança de treinadores. Porquê?

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Uma das questões mais importantes na gestão de uma equipa de futebol é, sem qualquer sombra de dúvida, a escolha acertada do seu treinador. É um processo delicado e difícil, que deve ser levado muito a sério pelas administrações dos clubes.

No entanto, sucedem-se os casos onde os treinadores são contratados, para apenas alguns meses depois serem despedidos. Porquê? O que é que leva a esse desfecho? Será que alguns maus resultados colocam em causa todo um trabalho de prospecção, que em princípio terá sido realizado aquando da contratação?

O Real Madrid, sob o comando de Florentino Pérez, é possivelmente o exemplo para o qual todos devem olhar, mas que ninguém deve seguir. Carlo Ancelotti foi despedido em 2015 por não ter conquistado qualquer troféu naquela época. Os créditos da conquista da “Décima” possivelmente esgotaram-se e Florentino decidiu rescindir com o italiano, que esteve dois anos no comando da equipa. O senhor que se segue? Rafa Benítez, que durou apenas até ao início de janeiro de 2016.

“Zizou” com a Taça de 2016
Fonte: UEFA

O treinador espanhol foi substituído por Zizou, o que se veio a revelar uma excelente aposta, nomeadamente devido à conquista de três Ligas dos Campeões e de um campeonato espanhol. Em junho de 2018, Zizou e o Real Madrid chegaram a acordo e o francês abandonou o Bernabéu. As verdadeiras razões não são do conhecimento público, contudo especulou-se que Florentino e Zizou não estavam de acordo em relação a dispensas e a contratações. Para ocupar o seu lugar, foi contratado Lopetegui, com mucha ilusion, que durou apenas até ao final de Outubro. Para o seu lugar foi contratado Solari, que durou apenas até Março, e para o substituir foi contratado… Nada mais nada menos que Zinedine Zidane.

Em ambas as situações descritas, o presidente do Real Madrid não contratou melhor do que aquilo que já tinha. Mas, uma vez que decidiu dispensar os seus treinadores, será que fez bem o trabalho de casa para que a próxima contratação fosse acertada? Será que contratou uma pessoa cujo perfil se coadunasse com a equipa de futebol? Será que as saídas dos jogadores foram devidamente colmatadas? Será que a estrutura já existente trabalhou em comunhão com a nova equipa técnica? Será que o novo treinador teve uma palavra a dizer, ou teve de comer e calar? Será que o plantel ficou devidamente equilibrado e capaz de lutar por títulos?

No caso de Lopetegui, a incompetência da direção madridista foi gritante. Saiu Cristiano Ronaldo e não entrou ninguém. Tanto que ficaram famosas as declarações do pai do treinador espanhol: “Roubaram 50 golos ao meu filho”. O desequilíbrio do plantel foi fatal e a humilhação por 5-1 imposta pelo Barça em Camp Nou selou o destino: despedimento. Contudo, nem Solari, nem depois Zizou conseguiram evitar uma época vergonhosa e desastrosa do Real.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Em Portugal temos o Sporting. José Peseiro, Tiago Fernandes, Marcel Keizer, Leonel Pontes e agora Silas. Tudo isto no espaço de 11 meses e já 3 nesta época. Mas o que pode um treinador fazer quando encara uma época com 6 extremos e 1 ponta de lança? Mais uma vez, podemos falar de total incompetência e amadorismo na preparação da época. Que culpa teve Keizer? A verdade não a sabemos, mas não é crível que o holandês tivesse concordado com este cenário. Concordando ou não, o seu destino foi escrito à quarta jornada do campeonato: despedimento. E impõe-se a pergunta: será motivo para, tão cedo ainda na época desportiva, despedir a pessoa com quem se planeou a temporada? Isto assumindo que a preparação e planeamento da época foi elaborada entre a equipa técnica e a estrutura.

É hora de assumir responsabilidades. Não apenas os treinadores, mas também os entendidos com responsabilidades que trabalham nos clubes de futebol. Porque estes não podem passar sempre entre os pingos da chuva! E os treinadores não podem ser sempre as bestas!

Artigo de opinião de Miguel Batista

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

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