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Em Chaves procura-se a chave da consistência exibicional

Rui Pedro Cipriano · 4 min

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Cabeçalho Futebol NacionalApós ter sido uma das equipa-sensação da última temporada, numa primeira fase ao comando de Jorge Simão, numa segunda fase ao comando de Ricardo Soares, o Chaves apresentou-se nesta temporada com o objectivo europeu e apostou forte para esse fim, apostou num treinador conceituado como é Luís Castro, que venceu a Segunda Liga treinando a equipa B do Futebol Clube do Porto e que fez uma excelente época transacta no Rio Ave, apostou num plantel recheado de soluções, o que lhe faltou principalmente na segunda metade da época com as saídas de Assis, Battaglia e Paulinho para o Sporting de Braga, numa equipa com muita experiencia e talento, à “cabeça” como exemplos estão desde logo Ricardo Nunes, Pedro Tiba, Nuno André Coelho etc…

Para além das apostas arrojadas no treinador e no plantel, o Chaves investiu também na sua própria evolução corporativa com a construção de uma nova bancada melhorando significativamente as condições do estádio para os espectadores e para os próprios jogadores, estavam por isso reunidas todas as condições para uma época de sucesso, uma época de afirmação para o Chaves no futebol português, não foi isso que os resultados reflectiram neste inicio de época, o saldo é francamente negativo, seis jogos, quatro derrotas e apenas uma vitória, conquistada nesta semana frente ao Moreirense, é preciso por isso olhar-se para o que se passou e quais terão sido algumas das razões para este arranque tão negativo em Chaves.

Desde logo olhando-se para o calendário que o Chaves encontrou neste arranque de temporada, facilmente percebemos que quatros das derrotas que o Chaves obteve até agora, três foram contra adversários com um orçamento superior e com os quais o Chaves certamente preferiria cruzar-se em momentos mais afastados da temporada, falo nomeadamente do Vitória de Guimarães, Benfica e FC Porto. As duas primeiras jornadas, e respectivas derrotas, frente ao Vitória SC e ao Benfica deixaram o Chaves num estado frágil, pois nenhuma equipa consegue escapar psicologicamente “ilesa” ao facto de estar à terceira jornada com zero pontos, mesmo que estejamos a falar de adversários do quilate de que acabamos de falar, isto é, sem dúvida, outra das razões que ajudam a explicar este mau arranque do Chaves na Primeira Liga, um mau calendário, junto aos maus resultados deixaram definitivamente esta equipa num estado de pressão e fragilidade, o que não permitiu ao clube transmontano, alcançar nos jogos teoricamente mais do campeonato do Chaves, como contra o Feirense e Setúbal, resultados positivos.

O Chaves arrancou muito mal este campeonato, mas qualidade no plantel não falta Fonte: Facebook GD Chaves
O Chaves arrancou muito mal este campeonato, mas qualidade no plantel não falta
Fonte: Facebook GD Chaves

Falando do futebol praticado propriamente dito, devo dizer que muito do futebol que o Chaves tem praticado não têm a real correspondência no número de pontos que têm neste momento, os flavienses estiveram mal defensivamente frente ao Vitória de Guimarães, mas apresentaram-se de outra maneira na segunda parte e com uma pontinha de sorte poderiam ter conquistado um precioso ponto já frente ao Benfica acabariam por perder nos últimos minutos com um golo de Seferovic, num jogo em que até dispuseram de algumas oportunidades para se adiantarem no marcador, a partir daqui aquele estado psicológico que eu falei anteriormente parece ter-se apoderado da equipa transmontana e o Chaves faz um jogo muito fraco em Setúbal onde o empate até acabou por ser um mal menor, sofre uma derrota no Dragão frente a um adversário superior “sem espinhas” e em casa frente ao Feirense onde voltou a demonstrar bom futebol, mas novamente com fragilidades defensivas o que numa equipa bem orientada como é o Feirense não são perdoadas.

O cenário no final da quinta jornada era negro e os alarmes soavam em Trás-os-Montes, um ponto em cinco jogos colocavam o Chaves numa clara posição de despromoção, o que punha desde logo em causa todo o investimento e esforço que foi feito na construção deste projecto e deste plantel. A pressão era por isso acrescida para um resultado positivo frente ao Moreirense em casa, era preciso um Chaves como se viu na última temporada, a mandar em casa, e foi isso que se viu, os flavienses dominaram o jogo do início ao fim e não deram hipóteses ao Moreirense, chapa três.

Em Chaves ainda há quem sonhe em receber a Liga Europa na próxima época Fonte: GD Chaves
Em Chaves ainda há quem sonhe em receber a Liga Europa na próxima época
Fonte: GD Chaves

A equipa de Luís Castro finalmente deixou só de usar as ideias e passou a pô-las em prática também, um pontapé na crise que já vinha arrastando o Chaves e que mesmo assim não retira a equipa flaviense da zona de despromoção, mas dá outro “alivio”, era a única equipa sem qualquer vitória na Primeira Liga, passada esta fase e dado o ponto final na crise de resultados, o desafio agora é encontrar a estabilidade exibicional e ir subindo uns lugares na classificação, bem mais acima onde a qualidade do plantel do Chaves deveria estar, é minha convicção de que o Chaves irá aproveitar agora esta sequência de dois jogos, contra Estoril e Tondela, até à ida a Alvalade, para amealhar mais uns pontos e quem sabe conseguir roubar pontos ao líder, Sporting.

O objectivo europeu, embora ainda possa ser cedo para dizê-lo, mas com um Marítimo e Rio Ave em tão boa forma, penso que seja já impossível de consegui-lo através do campeonato, fica a oportunidade de se cumprir esse “sonho” ainda através da Taça de Portugal, uma competição onde o Chaves até tem tido boas prestações nos últimos anos, veremos o que a época irá trazer até Trás-os-Montes, mas ver o Chaves qualificado para a Liga Europa com este plantel não seria de todo uma surpresa para mim.

Foto de Capa: GD Chaves

Rui Pedro Cipriano

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