Uma nova vida está prestes a começar no futebol português e o dia 3 de junho é aquele que todos têm guardado na memória, num ano de 2020 que decidiu pregar-nos uma grande rasteira e onde boa parte do período habitualmente reservado à pré-época vai dar lugar à fase final do campeonato. Com o aproximar do futebol vão-se somando as polémicas numa altura em que é essencial, mais do que nunca, a união e coesão entre todas as partes, num futebol português que, a bem da verdade, se mantém fiel ao seu verdadeiro registo.

Com esta paragem prolongada, a integridade da competição ficou manchada e será, naturalmente, um regresso estranho para todos como ficou provado nos campeonatos já retomados. Vários temas têm vindo a ser abordados quando falta muito pouco para o reinício da competição, mas já se sente o cheiro do verdadeiro futebol a chegar, como que parecendo os primeiros jogos de pré-época, que na verdade vão ser bem a doer.

É importante situar a realidade vivida antes da paragem e o que poderá vir a acontecer neste regresso. É claro que tentar fazer previsões se torna numa equação complexa, ainda para mais num momento tão invulgar como este, mas existem aspetos que interessa serem discutidos. O fator casa será um dos principais detalhes a ter em conta, uma vez que existe a perceção de que a ausência de público poderá contribuir para a diluição deste efeito. Por exemplo, o Moreirense FC é a quinta equipa da Liga – a par do FC Famalicão – com mais sucesso nos jogos caseiros e a quarta pior como visitante, sendo aquela que apresenta a maior diferença pontual entre as partidas em casa e fora. Por outro lado, o CD Tondela é a sexta formação com mais sucesso nos jogos forasteiros e uma das piores no seu reduto.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Se o futebol fosse tão linear como os números, poder-se-ia julgar que os cónegos iriam passar por dificuldades nas partidas que restam, caso fosse confirmada a sua deslocação para um novo recinto, algo que não lhes é confortável como mostram os dados. Entretanto, estes pediram uma vistoria ao seu estádio que foi aprovada, num processo que se tornou ridículo, com muito mais dúvidas do que certezas e que a menos de uma semana do reinício da prova, ainda havia casos pendentes para aprovar.

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Não é apenas uma questão de jogar sem adeptos, mas também devido à inesperada interrupção que leva à quebra de rendimento de qualquer equipa e que torna imprevisível prever como estas voltarão. Contudo, será interessante verificar a postura de todos os conjuntos nesta realidade adversa e, no caso específico dos tondelenses, perceber se o João Cardoso continua a ser um terreno hostil ou se conseguirão fugir do rótulo de pior equipa no que diz respeito ao fator casa – a par dos dois últimos classificados – a atuar no seu próprio recinto, agora que não vai estar ninguém nas bancadas.

Nesta questão supérflua das previsões, acredito que o impacto do fator casa irá ser reduzido e tanto as bancadas vazias como a falta de ritmo de jogo irão alterar os comportamentos das equipas e dos próprios árbitros. A estas questões somam-se as presumíveis lesões e a qualidade de jogo que poderá ser mais afetada numa fase inicial, precisamente devido à falta de ritmo.

Sem adeptos nos estádios, estou confiante na melhoria das prestações dos árbitros, pois não vão sentir aquela pressão natural vinda do exterior e poderemos assistir a uma menor proteção aos conjuntos visitados, que são aqueles mais protegidos habitualmente. Menos paragens e situações de conflito, resultando num aumento do tempo útil de jogo é outra questão importante que pode advir desta realidade alternativa, esta com contornos positivos.

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