Depois de uma temporada em que escapou à despromoção nos derradeiros momentos do campeonato, o CD Feirense volta a estar em grande perigo de cair para a II Liga, desta feita estando no último lugar, com apenas 14 pontos e sem ganhar desde agosto. Apesar de Nuno Manta Santos ter sido despedido como consequência da má temporada, dificilmente a culpa da situação dos fogaceiros será do técnico que conseguiu deixar o clube três anos consecutivos na Primeira Liga, algo nunca antes alcançado.

O susto da temporada passada parece ter agradado aos responsáveis do Feirense, que não aprenderam com os erros e voltaram a não investir devidamente no plantel. No verão, as contratações não acrescentaram brilhantismo à equipa, nem fizeram subir a qualidade do plantel, com a administração da SAD do Feirense a apostar em jogadores que vinham de temporadas de sub-rendimento nos seus antigos clubes, como Vítor Bruno – não deixou saudades no Boavista FC-, ou Fábio Sturgeon – nunca se afirmou no Vitória SC.

De resto, o único nome sonante a chegar ao Estádio Marcolino de Castro foi Edinho, que chegou à Feira após marcar dez golos ao serviço do Vitória FC. Mas será que o melhor que uma equipa como o Feirense consegue é um avançado de 36 anos? Dificilmente, principalmente se se tiver em conta o caso de Etebo.

Bem se sabe que os clubes mais pequenos têm sérias dificuldades em criar plantéis competitivos com orçamentos limitados, mas toda a situação do Feirense torna-se absurda porque este verão venderam o extremo nigeriano ao Stoke City FC por… sete milhões de euros. Para onde foi tanto dinheiro? Para a equipa principal não foi de certeza, deixando várias interrogações sobre os moldes do negócio entre os fogaceiros e os potters.

Filipe Martins substituiu Nuno Manta Santos no comando da equipa
Fonte: CD Feirense

Sem canalizar essa verba para reforços sonantes no verão, seria de esperar algum investimento maior em janeiro para dar uma oportunidade ao Feirense de se manter na Primeira Liga, mas nem a lutar pela permanência entraram reforços de qualidade, nem se abriram os cordões à bolsa, preferindo-se jogadores a custo zero ou emprestados: chegaram Aly Ghazal e Kuca, dois jogadores mais experientes, André Moreira e Ofori, dois jovens com potencial, mas emprestados, e o trio desconhecido Petkov, Mateus Anderson e Tomás Bozinoski, continuando a faltar desequilibradores e construtores de jogo que consigam dar inspiração à equipa ofensivamente e na transição, além de um ponta de lança de qualidade para competir com Edinho e João Silva.

A má gestão do plantel não se ficou pela falta de qualidade dos reforços, mas também pelo afastamento de Flávio Ramos, um dos melhores centrais da equipa e jogador crucial na época passada, que foi encostado até aceitar renovar contrato, perdendo-se a capacidade defensiva que podia muito bem permitir ao Feirense estar mais tranquilo na tabela classificativa.

Caso aconteça o pior e se confirme a descida do Feirense, dificilmente a culpa será de Filipe Martins, de Nuno Manta Santos ou até dos jogadores. Uma equipa como o Feirense podia e devia ter dado um salto qualitativo que permitisse uma temporada mais descansada, mas o constante medo em investir no plantel é um claro prego no caixão de um clube que se habituou a não dar ovos e pedir omeletes, ao ponto que a qualidade individual baixou tanto que nem com milagres se consegue respirar em Santa Maria da Feira.

No final de contas, de que vale fazer milhões no mercado quando não se tenta investir no plantel? Fica a questão para os responsáveis do Feirense responderem.

Foto de Capa: CD Feirense

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