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Cabeçalho Futebol NacionalNoutros tempos não se podia dizer que um jogador formado no clube tinha qualidade suficiente para integrar o plantel principal. Cresci num tempo em que, apesar de algumas conquistas por parte das nossas selecções jovens, existiam muitos tabus e preconceitos para com os nossos jovens talentos.

A maioria dos clubes que actuavam na Primeira liga, preferiam contratar jogadores já feitos a outros clubes, que pudessem dar experiência de modo a ajudar a equipa a alcançar os seus objectivos.

Tendo os conta que, nesse tempo, os jovens jogadores eram vistos como jogadores de valor duvidoso, os clubes da Primeira Liga preferiam apostar em jogadores que dessem mais garantias em termos de mentalidade e de maturidade, isso fazia com que o futuro de muitos jovens se tornasse numa incógnita. Muitos certamente terão ficado pelo caminho. E outros terão optado por uma carreira profissional desligada do futebol.

No caso dos jovens formados nos três grandes, estes tiveram a equipa B como rampa de lançamento para o futebol sénior na viragem de século (SL Benfica e FC Porto a partir de 1999 e Sporting CP a partir de 2000), e, com estas, os jovens jogadores da cantera poderiam ter mais aspirações para concretizarem o seu sonho de se tornarem profissionais.

Fonte: Football Database
Fonte: Football Database

No entanto, construir uma equipa B era um projecto de risco e que custava muito dinheiro. Primeiro, porque era necessário investir de modo a que os jovens tivessem as condições necessárias para poderem progredir no clube, quer a nível de infraestruturas, quer a nível de formação; e depois, porque se estes não conseguissem dar o passo seguinte na carreira, sendo emprestados a um clube da Primeira Liga e/ou por uma certa quantia de dinheiro, estes acabavam por dar prejuízo ao clube.

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Aliado a esse forte investimento a que a manutenção das equipas B é submetida, a mudança de regulamentos da Liga, que ordenava que se um clube da primeira divisão quisesse ter uma equipa B, esta jogaria na terceira divisão, os três grandes acabariam por extinguir as respectivas equipas B ao fim de alguns anos, visto que consideravam que a terceira divisão não tinha o nível de competitividade necessário para um jogador da cantera poder evoluir e ambicionar chegar ao plantel principal.

No entanto, a 27 de Abril de 2012, os regulamentos da Liga de Clubes voltariam a mudar: os seis primeiros classificados do decorrente campeonato teriam uma equipa B a competir na Segunda Liga a partir da época seguinte. Estas medidas acabaram por ser um upgrade às equipas B, pois, para além dos jovens formados nos três grandes voltarem a ter uma rampa de lançamento, estes começariam desde logo a jogar no futebol profissional, de modo a que tivessem o estímulo competitivo necessário para crescer.

O Sporting Clube de Portugal foi o primeiro clube nacional a dedicar-se seriamente na formação dos seus próprios jogadores. Muito antes da implementação das equipas B, o Sporting já era um clube prestigiado na Europa pelos jovens talentos que formou tais como Paulo Futre, Luís Figo, Emílio Peixe, Beto e Simão Sabrosa. Com um Departamento de recrutamento e formação actualmente liderado por Aurélio Pereira, há muito tempo que o Sporting investiu nas infraestruturas e nas filosofias necessárias para formar e lançar jovens na equipa principal.

Nos tempos da primeira equipa B, existente entre 2000 e 2004, houve vários jogadores oriundos da Academia de Alcochete a serem promovidos à equipa principal, tais como Ricardo Quaresma, Hugo Viana e Cristiano Ronaldo. Após a sua extinção, a solução encontrada pelo clube leonino foi o estabelecimento de parcerias com clubes da segunda divisão para ofereceram jogadores por empréstimo, de modo a que os seus jovens atletas pudessem fazer a sua transição até à equipa principal.

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