Cabeçalho Futebol NacionalHá um pormenor da classificação da Liga Portuguesa que pode escapar até ao mais atento adepto português, o facto de termos, neste momento, um leque de algumas equipas que estão, ou estarão muito perto de estar, a lutar por “nada” ainda com algum campeonato pela frente. Isto porque o último lugar de acesso à Liga Europa, esta temporada, será o quarto lugar, onde se encontra destacado o Sporting de Braga, por uma diferença de 10 pontos para o quinto classificado, Rio Ave, já sem direito a acesso à Europa.

Fruto de diversas vicissitudes, destaco ainda assim uma razão, que já foi por mim abordada aqui neste site, que é a redução do número de equipas portuguesas na Europa. Com a descida de Portugal no ranking da UEFA para o sétimo lugar atrás da Rússia, Portugal perdeu vários privilégios aos quais já nos tínhamos acostumado, desde logo aquele que chama mais à atenção, claramente, a perda de uma equipa na Liga dos Campeões. Não menos importante, mas muito menos referida, é também a retirada de uma vaga europeia, e as consequências que este facto acarreta para a própria competitividade de uma Liga com 18 equipas (!). Com três dos cinco lugares europeus de acesso por época a serem atribuídos aos três grandes, isto não quer dizer que não possam surgir surpresas, mas a história e principalmente os orçamentos demonstram-nos que um dos três grandes ficar de fora da Europa é raro, sobram apenas duas vagas, sendo que uma será atribuída através da Taça de Portugal, deixam-nos por isso com um quinto classificado, que na ótica de uma Liga Portuguesa é um excelente lugar, fora das competições europeias.

Logo na primeira temporada em que ocorre esta redução podemos desde já verificar os efeitos indesejáveis disso mesmo. Com os três grandes praticamente assegurados na Europa em 2018/2019, um Sporting de Braga, que ainda afastado dos três grandes, se consegue destacar dos outros e por último uma meia-final da Taça de Portugal entre Desportivo das Aves e o Caldas SC, os lugares europeus para 2018/2019 estão praticamente atribuídos.

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O que nos deixa à entrada do mês de Fevereiro, com ainda 3 meses de campeonato restantes, várias equipas confortáveis na tabela classificativa sem nada por que lutar. Olhando para a tabela classificativa atual podemos desde logo constatar que desde o quinto lugar, Rio Ave com 33 pontos, até ao oitavo lugar, Marítimo com 29 pontos, existe aqui um leque de quatro (Rio Ave, Chaves, Vitória SC e Marítimo) equipas que neste momento poderiam estar a protagonizar, aquela que foi até esta temporada se iniciar, a luta pela última vaga de acesso às competições europeias, apimentando assim o nosso campeonato. Não existindo essa vaga de acesso aquilo que temos são quatro equipas que estão praticamente salvaguardadas do cenário de descida de divisão e entram em campo com o objetivo de conquistar “apenas” mais três pontos para a sua classificação atual. Não digo que lutar pela vitória a cada jogo não seja motivação suficiente, mas sabemos que a longo-prazo a tendência na cabeça dos jogadores é para se desligarem um pouco dos jogos, e este é que é o problema para a nossa Liga e para a competitividade da mesma.

Equipas como o Vitória SC, que está temporada esteve presente nas competições europeias, podem tão cedo não regressar à Europa   Fonte: Vitória SC
Equipas como o Vitória SC, que está temporada esteve presente nas competições europeias, podem tão cedo não regressar à Europa
Fonte: Vitória SC

Ninguém negará o excelente campeonato que o Rio Ave de Miguel Cardoso e o Chaves de Luís Castro estarão a fazer até ao momento, mas a falta desta “cereja” no topo do bolo retira-lhes algum protagonismo e certamente que os próprios treinadores também desejariam ter a Liga Europa para motivar os seus jogadores em todos os jogos e impedir as faltas de concentração e de empenho que possam ocorrer.

É com enorme tristeza pessoal, como adepto do futebol português, que olho para este triste facto de este “segundo” campeonato português, leia-se a luta dos clubes extra-três grandes pela Europa, estar praticamente acabada pela redução do número de equipas europeias. Perde o futebol português, perde a competitividade da Primeira Liga, perdem as equipas pequenas e perde o adepto português que cada vez tem menos razões para ver um jogo da sua Liga que não somente a luta pelo título.

O futuro não é muito animador e com o Braga cada vez mais a assumir-se como um quarto grande a nível de orçamento, pode acontecer que lutar pela Europa para os clubes pequenos signifique “somente” lutar pela Taça de Portugal. Recuperar o sexto lugar do ranking da UEFA exige-se, para o bem do futebol português.

 

Foto de Capa: Rio Ave FC