O assunto tomou grande parte das discussões pós-jornada devido ao resultado negativo do FC Porto, no passado fim de semana. A luta pelo título fica assim relançada, e dissipa as dúvidas que existissem em relação à disputa do mesmo até ao final. Importa relembrar, no entanto, que o problema não é recente. O anti-jogo sempre existiu e tem vindo a tomar grande parte dos jogos de futebol nos últimos anos.

Neste último caso, o FC Paços de Ferreira – FC Porto mereceu destaque em todos os jornais e várias análises pelos piores motivos; confirmam-se, de facto, as queixas de Sérgio Conceição em relação ao tempo útil de jogo. Num total de sete minutos de compensação na segunda parte, apenas se jogaram pouco mais de dois e meio. Ou seja, a compensação de pouco serviu. Entre “lesões”, pontapés de baliza e outras reposições de bola em jogo, mal se jogou. Ainda na primeira parte, sob um temporal gelado e bem antes do golo de Miguel Vieira, já a equipa pacense fazia um pouco de tudo para resfriar ainda mais o que se passava no terreno de jogo. No entanto, nenhuma advertência foi feita nem nenhuma ameaça de cartão amarelo foi lançada. Curiosamente, ou não, o mesmo FC Paços de Ferreira foi alvo das mesmas contestações quando recebeu um dos outros candidatos ao título, o SL Benfica. Nessa altura, os encarnados viram-se no mesmo cenário, mas com desfecho diferente; perante um golo sofrido cedo, um adversário que se queixava bastante no chão e que demorava a repor a bola em jogo, a equipa de Rui Vitória não pecou tanto na finalização e conseguiu virar o jogo para um enganador 1-3.

Luiz Phellype fez o golo dos castores, mas um bis de Jonas e um golo nos descontos de Rafa garantiram os 3 pontos aos encarnados
Fonte: FC Paços de Ferreira

O problema não está no facto de ser o SL Benfica ou o FC Porto os clubes prejudicados. Certamente que noutras situações também o Sporting CP, o SC Braga, o CD Aves ou o próprio FC Paços de Ferreira foram prejudicados por este elemento extra futebol. O antijogo será sempre condenável, seja entre que equipas for, seja em que escalão for. O problema está na mentalidade do nosso campeonato e do nosso país. E por “campeonato” e “país”, refiro-me certamente às pessoas que neles atuam, interagem e integram. Numa análise cuidada da página de estatísticas goalpoint.pt, é apresentado um gráfico que traduz na perfeição a ideia que acima refiro; a Liga portuguesa tem demasiadas paragens por lesões. Ou melhor, “pseudo-lesões”. Nas Ligas espanhola e inglesa, para muitos as melhores do mundo, assistem-se apenas a cerca de uma ou duas paragens para assistência por jogo e cerca de seis e oito por cento dos jogos têm quatro ou mais paragens. Significa isto que em Espanha e Inglaterra, quando a assistência é forçada a entrar é porque realmente é necessária, uma vez que é um acontecimento tão raro. Em Portugal verifica-se uma estatística bem diferente; assistimos a cerca de três paragens para assistência por jogo e cerca de um terço dos encontros têm quatro ou mais paragens. Na Liga francesa, campeonato que muitos adeptos portugueses desvalorizam e caracterizam como inferior ao nosso, para-se o jogo apenas duas vezes para assistência e cerca de 14% dos jogos têm quatro ou mais interrupções.