A nova competição da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) promete, como o nome indica, revelar as novas jóias do futebol nacional. Para isso, conta com a presença dos rivais de Lisboa (SL Benfica e Sporting CP), dos rivais do Minho (SC Braga e Vitória SC) e de outras 10 formações compostas por atletas sub-23.

A ideia é boa no papel. É dado tempo aos jovens promissores para evoluir e o facto de ter um grande apoio da FPF, além da participação de uma estação de televisão na transmissão da prova, faz desta uma competição, na teoria, apetecível.

No entanto, será assim mesmo, na prática? Vejamos; numa altura em que se fala cada vez mais de formação, estes atletas encontram agora mais um degrau entre as camadas jovens e a equipa principal, seja ela de que clube for. Depois do Campeonato Nacional de Juniores, o único passo que os separava da equipa principal seria a equipa “B”. Agora, além da equipa secundária, podem também “rodar” na equipa sub-23.

Casos como João Félix, Diogo Dalot, Gedson Fernandes ou Jovane Cabral sempre existirão: atletas com uma carreira brilhante vaticinada desde cedo e que saltam entre juniores, equipa “B” e equipa principal num piscar de olhos. Curioso, nestes casos não há passagens pelas equipas sub-23, nem seria necessário. Outros exemplos, sem o mesmo brilhantismo, mas de qualidade semelhante, estão condenados ao esquecimento que esta prova traz, muito pela sua (ainda) baixa popularidade.

João Rodrigues, em ação na meia-final da Taça de Portugal da época passada, é agora atleta da equipa sub-23 do Belenenses SAD
Fonte: Caldas SC
Anúncio Publicitário

Outra das questões prende-se com a proveniência dos atletas utilizados. Se os plantéis fossem constituídos apenas por atletas da casa, ou transferidos de outros clubes de patamares inferiores, seria, apesar de tudo, mais compreensível. O que não se entende, no entanto, é apetrechar estes plantéis com atletas que já alinhavam no Campeonato de Portugal ou, pior, na Segunda Liga.

Qual será a vantagem de deixar um plantel da Segunda Liga ou do Campeonato de Portugal, mais exigentes e com outro nível de experiência, e ingressar numa prova que não passa de uma versão melhorada do Nacional de Juniores? Nestes casos, abandona-se a oportunidade de jogar contra defesas ou avançados mais experimentados e perde-se a oportunidade de adquirir “calo”, tão necessário nas primeiras divisões.

Exemplo disso é o caso de João Rodrigues, avançado português de 24 anos. Alinhou nas duas mãos da meia-final da Taça de Portugal da época passada, quando era atleta do Caldas SC. Fez parte da campanha fantástica da equipa das Caldas da Rainha e isso valeu-lhe uma transferência para o Leixões SC, embora tenha sido prontamente emprestado à equipa sub-23 do Belenenses SAD. É um dos melhores marcadores desta nova prova, com seis golos, mas fica a ideia de que merecia mais.

Outro dos melhores marcadores da Liga Revelação, Rodrigo Vilela, também veio do Campeonato de Portugal. Com cinco golos, o ex-Louletano DC é o melhor marcador da equipa sub-23 da Associação Académica de Coimbra – OAF.

Posto tudo isto, não seria melhor redirecionar todo o apoio da FPF para outros campeonatos, que já existem, e que dele bem precisam? Não será a Liga Revelação um desperdício de custos e meios numa prova que, apesar de tudo, nada traz de novo?

 

Foto de Capa: CD Aves

Comentários