Finda a primeira edição da Liga Revelação, está na hora de fazer um balanço da competição que lançou um novo escalão no futebol português. O escalão de sub-23 foi criado com o pretexto de dar uma nova oportunidade aos jovens de equipas menos cotadas que ficavam sujeitos a não ter colocação após saírem dos juniores. Terminado o campeonato de sub-23, existem vários aspectos que podem ser retirados desta competição. Uns positivos, outros nem por isso.

Começo por um aspecto que já mencionei em artigos anteriores e que abrange as equipas que conjugam uma equipa B com uma de sub-23 (SL Benfica, SC Braga e Vitória SC): a criação das equipas de sub-23 permitiu a esses clubes dar competição a jogadores seniores que teriam pouco espaço nas equipas «B». Assim, surgiram nomes como Diogo Pinto, Reko Silva e Valentin Rémy e permitiu-se também revelar alguns juniores num escalão superior tais como Tiago Gouveia, Miguel Nóbrega e Tomás Handel.

A competição permitiu também dar destaque a jovens jogadores de clubes sem equipas B, como os casos de Pedro Mendes do Sporting CP e também de Carlos Alves e Vitó do Rio Ave FC e ainda permitiu dar destaque a estrangeiros vindos de fora, como por exemplo, o brasileiro Marco Túlio do Sporting CP. E ainda serviu de rampa de lança lançamento para alguns jogadores que já são titulares na equipa principal, tais como Kikas (Belenenses SAD) e Luquinhas (CD Aves).

O título de sub-23 foi discutido até ao último segundo
Fonte: CD Aves

Por outro lado, muitas equipas de sub-23 também se apetrecharam com jogadores que já tinham competido no Campeonato de Portugal Prio, sendo jogadores que já competiram com jogadores mais velhos, o que lhes dá outra estaleca neste escalão. Um desses casos seria a equipa do CD Aves, o que não retira mérito ao técnico Leandro Pires, de construir uma grande equipa com jogadores desconhecidos, sendo que esta conquista lhes dará mais visibilidade, podendo abrir novas portas para o futuro.

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Outro factor positivo que a Liga Revelação trouxe foi o equilíbrio. Finda a Fase Regular, o primeiro e o sétimo classificados estavam separados apenas por oito pontos. E à entrada da última jornada do play-off de apuramento do campeão, havia quatro equipas que ainda podiam conquistar o título. Mas o aspecto que mais contribuiu para esse equilíbrio foi a abordagem ao jogo. A forma como a maioria das equipas na competição procurou disputar os jogos de igual para igual contribuiu para que houvesse muitos golos, constantes cambalhotas no marcador e incerteza no resultado até ao final. Estes aspectos fizeram da Liga Revelação a competição nacional com mais golos marcados e mais tempo útil de jogo.

Passando para os pontos negativos, um deles passa pelo facto de alguns destes clubes geridos por investidores, dessem espaço a jogadores chineses ou africanos que chegaram a Portugal em contornos estranhos. O outro e principal ponto negativo acaba por ser um problema do futebol português em geral, que são as fracas assistências. Apesar de ter havido uma boa divulgação da competição, isso não levou muitos adeptos ao estádio. E a Liga de Clubes precisa de tomar medidas que pensem mais nas pessoas de modo a que haja mais pessoas a ir aos estádios, não só na Liga Revelação, mas em todas as competições nacionais.

No final de contas, o veredicto a que chego é que este projecto tem pernas para andar. Há que repensar alguns aspectos na competição e espero que existam mais equipas com condições financeiras para aderirem à competição.

 

Foto de Capa: CD Aves