A CRÓNICA: ULTRAPASSAGEM FEITA COM MURO REFORÇADO

Despromovido na época passada do Campeonato de Portugal, o Lusitano FCV recebia o líder do Grupo Centro da Divisão de Honra da AF Viseu, a AD Sátão, a precisar de vencer para subir aos dois lugares para a fase de apuramento de campeão.

O jogo esteve bastante morno na primeira meia hora. Os visitantes tinham mais bola, mas sem conseguirem criar perigo junto à baliza à guarda de Tony. Contudo, foi a equipa da casa que, na sequência, teve o primeiro lance digno de registo. Calico cabeceou por cima do travessão da baliza adversária.

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Pouco depois azar para a equipa do Lusitano com Bruno Loureiro (ex-Académico de Viseu FC), a ser substituto por não estar nas melhores condições físicas. Logo a seguir, o Sátão podia ter marcado numa jogada individual de Dani Pinto pela esquerda, que acabou por rematar às malhas laterais da baliza.

Quem não marca sofre, como diz o ditado, e foi o que aconteceu. Os anfitriões conseguiram chegar à vantagem através de um canto cobrado pela direita com o lateral Leal a saltar mais alto do que os adversários e a atirar de cabeça para o primeiro golo da partida.

Os visitantes entraram pressionantes a querer chegar ao empate. Contudo, as oportunidades não surgiram e o Lusitano conseguia crescer e estar mais perto de chegar ao 2-0.

Novamente contra a corrente do jogo surgiu mais um golo. Borracha com muito espaço de fora da área rematou rasteiro para o fundo da baliza de Tony. O empate foi o balsamo para a equipa do Sátão crescer. Kokora quase aproveitou um mau passe do guarda redes do Lusitano para fazer o segundo e o avançado ainda teve nova oportunidade depois de ser servido por Diogo Pinto e não conseguir levar a melhor no frente a frente com Tony.

O Lusitano acabou por tentar alterar o rumo da partida com várias substituições, enquanto que o Sátão parecia mais tranquilo com o resultado, sem deixar de atacar.

Já nos descontos (foram dados quatro minutos) quando se pensava que o resultado iria ser um empate, Barry fez de cabeça o golo da vitória do Lusitano que permitiu ultrapassar o adversário na tabela classificativa.

 

A FIGURA

João Paulo Correia – O treinador arriscou e mudou o esquema tático para este jogo. Preocupado com a dinâmica ofensiva do Sátão. A organização da equipa da casa com três centrais retirou espaço no ataque à equipa adversária e permitiu fechar os caminhos da baliza, em especial na primeira parte.

O FORA DE JOGO
Fonte: Pedro Silva/Bola na Rede

Falta de ideias do ataque do AD Sátão – Os visitantes tiveram quase toda a parte com mais posse de bola e mais perto da baliza adversário. No entanto, os jogadores não conseguiram construir lances que desorganizassem a defensiva do Lusitano.

 

ANÁLISE TÁTICA – LUSITANO FCV

João Paulo Ferreira fez uma mudança no esquema tático face ao último jogo (empate frente ao Oliveira de Frades). O técnico reforçou o centro da defesa, com João André, Calico e Tati, e apostou num 5-3-2.

Luís Almeida e Barry eram as referências ofensivas, mas tiveram que muitas vezes vir atrás buscar a bola porque havia uma grande distância entre eles e os médios.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Tony (5)

Calico (7)

Tati (7)

João André (7)

Leal (7)

Gamarra (6)

Iuri Bessa (6)

 Gonçalo Santos (6)

 Bruno Loureiro (6)

Luís Almeida (7)

 Barry (7)

SUBS UTILIZADOS

Chico Simões (6)

Tomé (6)

 Vasco Paredes (6)

Salú (-)

 Kiku (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – AD SÁTÃO

Ricardo Figueiredo manteve a aposta habitual no 4-3-3. A dinâmica do meio campo com os dois extremos, Caué e Dani Pinto, permitiu que a equipa estivesse com mais posse de bola e mais perto da baliza do Lusitano.

Contudo, Gilbert, no centro do ataque, estava desaparecido algures no meio dos defesas centrais do Lusitano. A entrada de Kokora, na segunda parte, deu poder de fogo na grande área do Lusitano.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Márcio (6)

Rebelo (7)

Chico (6)

Rujnho (6)

Lucas Alvarenga (6)

Calhau (6)

João Luiz (7)

Borracha (7)

Caué (6)

Dani Pinto (7)

Gilbert (5)

SUBS UTILIZADOS

Kokora (7)

Hugo (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Lusitano FCV

BnR: Que análise faz ao jogo? Duas partes completamente diferentes?

João Paulo Correia: Mais na primeira andamos à procura da vitória, jogamos em casa, queríamos ganhar tal e qual como o Satão, uma excelente equipa muito bem orientada, muito bem estruturada e também muito experiente. Não é só o Lusitano como quiseram fazer. Nós andámos atrás da vitória primeira parte. Procurámos, nós em casa temos de fazer por isso. Conseguimos o 1-0.

Na segunda parte, por estratégia, esperámos, por aquilo que o Satão iria fazer, à espera da reação do Satão. Um ou outro jogador meu estavam mais nervosos, nós não temos medo de assumir isso: acabámos o jogo com quatro seniores de primeiro ano e um foi titular. Houve alguma instabilidade de alguns elementos, é normal, mas acabámos com juventude. O Lusitano aposta na formação, foi para isso também que me chamaram. Alguma experiência, mas também a juventude.

De qualquer forma, foi melhor conseguida a primeira parte. A segunda parte foi na expectativa de aguardar do que é que vinha da excelente equipa do Satão, uma equipa que tem rotinas e rotinas da Divisão de Honra de Viseu, ao contrário de alguns jogadores nossos mais experientes que vieram dos Nacionais. Na parte final, arriscámos mais, mudámos um bocado o esquema, deixámos lá algumas peças e fomos felizes.

BnR: O Lusitano alterou o esquema tática, reforçando o centro da defesa. Algo previsto para este jogo em específico ou aposta para o futuro?

João Paulo Correia: Nós temos dois sistemas táticos e depois temos variáveis. Um treinador tem de ter jogadores com características para os assumir. Temos sido felizes noutro. Hoje tentámos jogar assim. Ainda para mais com a entrada do Kokora, nem um minuto depois fazem o empate. Um ressalto e remata, um bom golo. Nós temos de enquadrar as peças que nós temos perante o adversário muito bom mesmo e tentámos encaixar, surpreender um bocadinho, arriscando mais.

 

AD Satão

BnR: Que análise faz a esta partida?

Ricardo Figueiredo: Antes de mais, foi um bom jogo de futebol, uma boa bandeira do que é esta divisão. Foi acima de tudo dividido, a espaços o domínio de uma equipa e da outra. A primeira parte foi muito bem disputada. A segunda, tendo que ir atrás do resultado, tivemos um bocadinho melhor do que o adversário, forçámos bastante o golo. A partir do empate, ficou uma toada de jogo em que tudo podia acontecer e a sorte infelizmente acabou por sorrir ao Lusitano nos minutos finais.

BnR: Surpreendeu a alteração tática do Lusitano com o reforço do centro da defesa?

Ricardo Figueiredo: Não, surpreendido não fui. Tenho, por hábito ser uma pessoa atenta ao que são a constituição das equipas e o modo como sofrem alterações ao longo do jogo, como os treinadores mexem ou não mexe. Nós ficámos à espera, não tendo total certeza de que isso iria acontecer. Não foi algo que nos surpreendeu.

BnR: Não tendo sido surpreendido, a referência ofensiva, Gilbert esteve algo desaparecido do jogo. Foi a entrada do Kokora que permitiu desbloquear o jogo e chegarem ao golo do empate?

Ricardo Figueiredo: Uma coisa é idealizarmos um comportamento, outra coisa é ele sair em jogo. Quem percebe de treino, sabe disto. De facto, na primeira parte, por mais que tivéssemos preparados para essa situação, as coisas não correram da maneira como nós queríamos. A verdade é que, nós corrigimos essa situação, logo na segunda parte, com a inclusão de um médio a chegar na linha do Gilbert. Portanto, acabámos por equilibrar muito bem o nosso pressing a partir daí e, depois sim, entrou o Kokora, que reforçou um bocadinho essa ideia. Acho que foi por aí que crescemos na segunda parte e, por isso, foi uma segunda parte mais bem conseguida da nossa parte.

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