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Cabeçalho Futebol NacionalPanzer, tal como podemos encontrar em qualquer enciclopédia, é uma abreviação de “Panzerkampfwagen”, podendo esta palavra ser traduzida por “veículo blindado de combate”, ou, mais conhecida entre os demais, por tanque.

Olhando para o “combate” dentro das quatro linhas, poderíamos dividir os homens da frente de ataque de uma qualquer equipa, em 3 tipos de avançados:

– Os pequeninos, ou de média estatura: normalmente rápidos ou tecnicistas, que procuram espaços dentro da área, mas que são capazes de vir “mais atrás” procurar a bola, às vezes até longe da grande área, caindo outras vezes em zonas mais exteriores, nas alas, fazendo diagonais, jogando por vezes um pouco atrás do avançado (quando a equipa adopta o 4x4x2) ou permutando por vezes com os outros dois homens da frente (quando a equipa adopta mais o 4x3x3).
– Os altos, os chamados “homens de área”, também apelidados por alguém como “pinheiros”: têm na área adversária o seu habitat preferido, procurando ganhar espaços numa luta constante contra os defesas, sendo alvo de marcações apertadas.
Estes avançados, quando de qualidade suficiente, têm feito miséria no nosso futebol, ou bastará lembrar-nos de Mário Jardel, ou mais recentemente de Bas Dost ou de Mitroglou.
– Os de porte físico “assustador”. Autênticos armários, de um poder físico invejável, que fazem desse mesmo poder uma das suas principais armas no ataque à baliza adversária. Estes jogadores são por vezes apelidados de autênticos “tanques”, tal é a sua força física.

É sobre este último tipo de avançados que gostaria de prestar a minha atenção. Poderia falar de jogadores como Aboubakar ou Marega, dois exemplos de poder físico (impressionante mesmo o de Marega), mas estes são jogadores capazes de cair mais para uma ala, tentar inventar uma finta (mesmo que às vezes pareçam um pouco atabalhoadas), procurar espaços fora da grande área. Assim, vejo sobretudo dois jogadores do nosso futebol com a estampa física e a qualidade suficientes para serem verdadeiros “tanques de guerra”. Falo-vos de Maurides e de Willian Oliveira, jogadores do Belenenses e do Desportivo de Chaves, respectivamente.

Maurides, aquando na sua ida para o Figueirense, no início da época 16/17, época em que regressaria ao futebol português, para representar o CF "Os Belenenses" Fonte: gaucha.clicrbs.com.br
Maurides, aqui no Figueirense, no início da época 16/17, época em que regressaria a Portugal para representar o CF “Os Belenenses”
Fonte: gaucha.clicrbs.com.br

Maurides Roque Júnior, 23 anos, 1.89 m e 86 kg, actua no Belenenses desde Janeiro de 2016. Willian Alves de Oliveira, 25 anos, 1.82 m e 84 kg, representa o Desportivo de Chaves desde a época 2016/2017.

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Maurides é daqueles pontas de lança que chamam a nossa atenção: alto, forte, parecendo lento, mas muitas vezes com uma facilidade e rapidez de execução surpreendentes. Posiciona-se sobretudo na área, vivendo em constantes batalhas com os centrais adversários. Uma promessa do Internacional de Porto Alegre, vai ainda muito a tempo de construir uma bela carreira no futebol Europeu, onde vingou Maicon – esse mesmo, o defesa central que actuou no Futebol Clube do Porto é irmão deste jovem ponta de lança. Se observarmos mais atentamente, facilmente concluímos que a estampa física é semelhante. O “ligeiro” mau feitio talvez tenhamos de esperar para ver se também é genético.

Nos últimos jogos do Belenenses, Tiago Caeiro tem feito dupla com Maurides, e esse parece-me ser o melhor esquema para um jogador como Maurides: um colega ao lado que como ele lute por um mínimo espaço, numa zona do terreno onde até o centímetro quadrado é vendido a peso de ouro.

Maurides é um tanque que me faz sempre imaginar que se ele fosse para cima dos adversários com a bola controlada, provavelmente, estes seriam atropelados tal como um panzer atropela com facilidade carros ou outros veículos de menos estatura e peso.

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