A CRÓNICA: VOO DE RICARDO ENTREGA UM PONTO AOS ALGARVIOS

Foi numa das poucas folgas dos aguaceiros intensos e característicos que se têm feito sentir na região minhota que Gustavo Correia, o juiz da partida no Estádio Comendador Joaquim Almeida Freitas, fez soar o apito inicial no duelo que opôs o Moreirense FC e o conjunto algarvio do Portimonense SC, numa partida a contar para a 15.ª jornada da Liga.

Similarmente, as condições do relvado acompanharam as condições climatéricas propensas a um bom espetáculo, e embora não se tenha assistido a uma primeira parte particularmente vistosa, as equipas confirmaram o momento relativamente positivo que atravessam com três golos nos 45 minutos iniciais: vantagem para os cónegos e com direito a reviravolta (2×1).

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A turma de Portimão até começou melhor, aproveitando o posicionamento ofensivo de Fabrício e Aylton Boa Morte numa zona interior do terreno para criar desequilíbrio entrelinhas ou na tentativa de ganhar a bola nas costas da defesa caseira. Apesar de se superiorizar nesse capítulo do jogo, criando dificuldades ao duplo-pivot – Ibrahima e Alex Soares – de Vasco Seabra no que concerne ao controlo do desafio, foi pelo ar que os esforços algarvios tiveram resultados depois de, num lance de bola parada, Lucas Possignolo colocar o Portimonense em vantagem.

Se é verdade que o Moreirense demorou a entrar no jogo, o desbloqueador das dificuldades sentidas até então deu o primeiro ar da sua graça aos 23 minutos da partida. Regressado da China, Rafael Martins marcou o seu primeiro tento desde a sua recente chegada, assinando o empate com um excelente remate fora do alcance de Ricardo. Se o golo atestou a importância do avançado de 31 anos, a forma descomplicada como recuou no terreno para ajudar nas tarefas de construção no meio-campo ofensivo dos axadrezados enalteceu mais ainda a importância que se perspetiva em torno do número 99.

Foi então num momento de ligeira superioridade dos anfitriões que o suspeito que promete ser do costume carimbou a cambalhota no marcador. Steven Vitória voltou a faturar na sequência de uma bola parada, cabeceando para o (2×1) à passagem dos 35 minutos de jogo. Pela primeira vez na vantagem no encontro, o Moreirense conseguiu impor-se de forma visível, criando alguns lances de algum perigo através de jogadas pacientes e notoriamente trabalhadas em laboratório. Por outro lado, os indicadores dados pela equipa forasteira não eram animadores no final do primeiro tempo.

A segunda parte trouxe uma história ligeiramente diferente se a discussão se refletir sobre para onde pesou mais a balança do controlo da partida. A tripla alteração de Paulo Sérgio trouxe irreverência ao jogo do Portimonense, principalmente quando Luquinhas aparecia em primeiro plano. Sem mexer muito naquilo que eram os princípios táticos, os forasteiros realizaram uma segunda parte interessante, remetendo o Moreirense a um jogo conservador, que consistia essencialmente em colocar gelo no jogo e tentar matar a partida em lances de ataque rápido, sempre com a norma do equilíbrio no pensamento do seu treinador.

Oportunidades claras de golo? Não foram tantas quanto isso, de parte a parte até aí se denotou o fator equilíbrio, fator esse visivelmente observável ao logo dos 94 minutos. No campo, Vasco Seabra jogou a primeira grande cartada com a substituição de Yan Matheus por troca com o defesa-central Rosic. Paulo Sérgio respondeu com o melhor marcador da equipa, Beto, que saltou do banco pouco tempo depois. A linha de cinco homens apenas confirmou a incapacidade caseira para suster a ameaça algarvia e criar ocasiões de perigo. No meio de muito indefinição quanto ao resultado final, até porque o jogo se encontrava numa fase de alta tensão e nervosismo de parte a parte, foi já nos últimos capítulos que Dener, novamente na sequência de um cruzamento, finalizou e estabeleceu o empate.

83 minutos e as turmas de Vasco Seabra e Paulo Sérgio voltavam a estar da mesma forma como tinham subido ao relvado. A adrenalina sentia-se no Comendador Joaquim Almeida Freitas quando as duas equipas tinham enormes dificuldades para ameaçar as redes contrárias. Os duelos físicos e as segundas bolas, um pouco à imagem de todo o jogo, pautaram os minutos finais e quando parecia que teríamos um ponto para cada lado, Dener derrubou Galego na grande área, deixando a equipa verde e branca a 11 metros da vitória. Com o mesmo sobrenome, Steven foi o jogador encarregue de concretizar a grande oportunidade do Moreirense para levar os três pontos, mas da marca dos 11 metros, Ricardo agigantou-se, impediu o bis ao capitão do Moreirense e foi o máximo responsável por colocar o Portimonense de volta ao caminho dos pontos na condição de visitante.

A “sorte” do jogo ditou outra história desta vez para o Moreirense e um ponto saboroso para o Portimonense se atentarmos ao facto de ser o primeiro desde 17 de outubro de 2020 enquanto equipa visitante. Com este resultado, entendido como justo por quem pôde visionar a partida, ambas as equipas continuam separadas por três pontos, na 7.ª e 12.ª posição, com especial destaque para a exibição positiva de Rafael Martins na equipa que ronda os lugares cimeiros da tabela e ainda de Luquinha, Boa Morte e Ricardo em grande do lado de lá da barricada.

 

A FIGURA

Ricardo – Foi com uma defesa na marca de grande penalidade que Ricardo voltou a exibir-se em grande estilo. Depois de ter conseguido fazer algo idêntico aquando da sua passagem no Paços de Ferreira, desta vez foi com as cores do Portimonense que vestiu a capa de herói e voou para o remate de Steven Vitória, saindo por cima no lance capital do encontro e garantindo um ponto bastante importante para os de Portimão. Falamos do primeiro ponto em meses enquanto equipa forasteira, o que exalta a importância desta defesa e que psicologicamente pode servir de mote para o Portimonense alargar o seu bom momento para o capítulo onde tem mais dificuldades, os jogos na condição de visitante.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Fadh Moufi – Não foi uma exibição para mais tarde recordar para o marroquino de 24 anos. Outrora associado ao FC Porto e a outros clubes de nomeada, Moufi pegou de estaca no Portimonense, sendo uma carta importante para Paulo Sérgio. Hoje, simplesmente, não foi o seu dia. Não comprometeu, mas também não acrescentou e viu-se obrigado a abandonar o desafio por opção técnica, talvez não devido a uma questão individual, mas sim em termos das mudanças que o técnico português quis operar para a segunda parte. Moufi, ainda com 24 anos, é um lateral que promete para o futuro, a ver vamos se os acontecimentos de hoje foram apenas um acidente de percurso para o ex-Tondela.

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

A equipa cónega apresentou-se com três alterações em relação ao último jogo que realizou a contar para a Liga. A disposição tática observada contemplava um 4-4-2 no momento defensivo. Inicialmente, os pupilos de Vasco Seabra sentiram alguma dificuldade em corrigir as lacunas evidenciadas pela disposição estratégica do Portimonense na zona central do terreno. Pese embora ter começado a perder, estando notoriamente por baixo na partida, os golos serviram de fonte de motivação para as peças mais influenciadoras do jogo cónego começarem a aparecer, desinibidas e bastante práticas na função de distribuição no processo de criação e no posicionamento defensivo em situações em que a bola pertencia aos seus adversários, mas essa situação confortável de jogo não durou de forma linear durante o que restou de partida.

Na segunda parte, os de Moreira de Cónegos nunca conseguiram o controlo total da partida, potenciando os lances de contra-ataque e tentando garantir alguma consistência defensiva, ainda com a organização estabelecida inicialmente e com as linhas mais recuadas. A saída a três da equipa contrária revelou-se um problema e o golo de Dener castigou o Moreirense, já com uma linha de cinco – entrada de Rosic – e a tentar garantir algum conforto num jogo essencialmente físico e decisivo em questões como a reação à perda, posicionamento sem bola e as sempre importantes segundas bolas.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato – 5

Matheus Silva – 5

Steven Vitória – 6

Ferraresi – 5

Afonso Figueiredo – 4

Yan Matheus – 5

Alex Soares – 5

Ibrahima – 5

Walterson – 4

Filipe Soares – 5

Rafael Martins – 7

SUBS UTILIZADOS

Rosic- 4

Lucas Rodrigues- 4

Galego- 5

David Simão – 4

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC

O conjunto orientado por Paulo Sérgio entrou por cima na partida. Explorando algumas fragilidades posicionais através da ação “vagabunda” de Aylton Boa Morte e Fabrício entre o meio-campo e a linha mais recuada do Portimonense. A liberdade desta dupla permitiu criar situações de desequilíbrio em diversos sítios do terreno, contudo, apesar de constatar alguns efeitos, o Portimonense nunca foi uma equipa absolutamente esclarecida no jogo.

A disposição tática nunca mexeu muito ao longo do desafio. O Portimonense, a par e passo, foi criando perigo em lances de insistência e meio que aos “trambolhões”. Aylton Boa Morte e Luquinhas foram os principais núcleos do jogo ofensivo dos alvi-negros. As bolas nas costas foram uma constante explorada pela equipa de Paulo Sérgio, que, no momento da verdade, foi mais forte nos lances de bola parada, fulcrais para o Portimonense quebrar o enguiço fora de portas.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo – 5

Fahd Moufi – 4

Lucas Possignolo – 6

Maurício – 5

Anzai – 5

Dener – 6

Ewerton – 5

Willyan – 4

Aylton Boa Morte – 6

Fabrício – 4

Bruno Moreira – 4

SUBS UTILIZADOS

Candé- 4

Luquinhas- 6

Anderson- 4

Beto- (-)

Salmani- (-)

 

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Moreirense FC

Bola na Rede: O Portimonense colocou Boa Morte e Fabrício em zonas muito interiores, explorando o espaço entrelinhas ou as costas da defesa. Apesar de ambos os golos terem surgido de bola parada, entende que esse pormenor tático foi essencial para o Moreirense não ter conseguido manter o equilíbrio de forma consistente e passar por alguns calafrios?

Vasco Seabra: Nós estávamos preparados para que isso pudesse acontecer, por isso não foi preocupante. Nós na primeira parte, nos primeiros 15, 20 minutos tivemos mais dificuldade, mas sinceramente até acho que foi mais um jogo de profundidade e ganho de segunda bola, seguido de cruzamento para a área. Na segunda parte é verdade que nós baixamos, mas acabou por não ser tantos calafrios quanto isso. Nós acabamos por baixar e não ter o estanque do jogo mais à frente como pretendíamos mas não senti que tivesse sido por terem jogadores entrelinhas porque nós estávamos preparados para reagir àqueles momentos com os nossos alas e médios a controlarem esse espaço, e fizemos efetivamente depois, com a linha de 5, com os nosso centrais a pressionarem entrelinhas para que o nosso lateral para pressionar fora e não permitisse cruzamentos. Essas foram as nossas intenções e o nosso objetivo.

Portimonense SC

Bola na Rede: Mister, o Portimonense volta a pontuar fora de casa passados três meses. O que retira desta partida que pode ser aproveitado e enaltecido para futuras preparações de jogos na condição de visitado?

Paulo Sérgio: Uma coisa que eu tenho de trabalhar muito é o seguinte, eu por vezes não estou satisfeito com a resposta antes de sermos agredidos. Parece que por vezes temos de estar a sofrer para pormos tudo aquilo que temos lá dentro. Isso não é bom. Ser necessário estar a perder para conseguir exprimir aquilo que tu és capaz. Vamos trabalhar, vamos conversar. Por outro lado, a equipa entrou muito bem, mas reagiu mal ao golo que marcou. Depois a correr atrás do prejuízo, apresentou discernimento e qualidade para encontrar as melhores soluções, sem dar um “chutão” de qualquer maneira. Temos de entrar um pouco por aqui, ser iguais a nós próprios do primeiro ao último minuto. Isto acontece derivado a alguma inexperiência, vários jogadores estão a jogar na Primeira Liga pela primeira vez, estrangeiros, jovens. As coisas levam o seu tempo

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