Lito Vidigal, elemento do emblemático “clã Vidigal” que já marcou uma era no futebol português e principalmente no Oliveira de Elvas, é o timoneiro de um dos clubes que tem feito sensação no primeiro terço do campeonato, o Boavista FC. Para alguns pode ser surpresa, mas para aqueles que têm acompanhado o seu percurso, talvez não.

Lito Vidigal estreou-se na Primeira Liga na temporada 2008/2009, liderando um CF Estrela da Amadora que se encontrava à beira da ruptura. Sem ganhar um tostão, conseguiu fazer um excelente trabalho, ganhando seis dos onze jogos em que orientou a equipa da Reboleira.

Saído do clube, daria um pequeno passo atrás na carreira, orientado o Portimonense SC na Segunda Liga, até que na época seguinte regressaria novamente à Primeira, sendo o escolhido para substituir Manuel Fernandes na UD Leiria, ainda na primeira metade da época. Ao serviço do clube da cidade do Lis, o técnico luso-angolano realizou uma época positiva, conduzindo o conjunto leiriense a um tranquilo nono lugar, na época de regresso do clube à Primeira Liga.

O seu regresso à Primeira Liga dar-se-ia apenas quatro anos depois, tornando-se em 2013/2014 no terceiro treinador do CF “Os Belenenses”, após as saídas de Mitchell Van der Gagg e de Marco Paulo. Aí, Lito Vidigal conquistou onze pontos nas sete jornadas que restavam do campeonato e que se viriam a tornar vitais para a manutenção do Belenenses da Primeira Liga.

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Na época seguinte, a equipa daria continuidade à grande recta final da época anterior, disputando os lugares de acesso à Liga Europa. Porém, desentendimentos com a direcção liderada por Rui Pedro Soares acabariam por ditar o despedimento do técnico luso-angolano já no último terço do campeonato. Apesar disso, os azuis do Restelo conseguiriam regressar às competições europeias, oito anos após a última presença.

Na época seguinte, Lito Vidigal faria história no FC Arouca. Na terceira época do clube beirão na Primeira Liga, Lito Vidigal conduziu o clube a um extraordinário quinto lugar, bem como a uma inédita qualificação para as competições europeias. Na época seguinte, apesar do começo difícil devido à participação nas pré-eliminatórias da Liga Europa, a equipa viria a ter uma recuperação notável, até que uma proposta choruda do Maccabi Tel Aviv FC o levaria para a capital israelita. A sua saída do FC Arouca acabaria por ditar o descalabro no clube, que acabaria por descer de divisão. Dos 32 pontos conquistados, 27 foram sob a orientação do técnico luso-angolano.

Lito Vidigal fez história em Arouca
Fonte: FC Arouca

Depois de deixar Israel, seguiram-se passagens não muito bem-sucedidas no CD Aves e no Vitória FC, onde encontrou contextos complicados que complicaram a sua reafirmação na Primeira Liga, até que surgiu o Boavista FC, onde tem conseguido relançar a carreira.

Apesar das provas dadas, Lito Vidigal é um treinador pouco consensual para aqueles que acompanham o campeonato. A meu entender, isso deve-se ao facto de Lito Vidigal ter um estilo de jogo “resultadista” e que não prima pela prática de um futebol positivo que valorize o jogo e o jogador.

Na minha opinião, o seu auge na carreira deu-se no CF “Os Belenenses” e no FC Arouca, onde para além dos ótimos resultados, também conseguiu revelar alguns jogadores, como os casos de Tiago Silva, Fábio Sturgeon e Deyverson Silva no Belenenses; e de Hugo Basto, Jorge Íntima e Walter González.

Nesta equipa do Boavista, a estrutura base é maioritariamente constituída por jogadores que já estavam na Primeira Liga, com excepção do lateral-esquerdo Marlon, que tem sido uma das revelações do campeonato. Isto faz-me acreditar que o segredo por detrás dos jogadores revelados no Belenenses e no Arouca esteja em Jorge Maciel, o treinador que era então o braço-direito de Lito Vidigal, e que se é actualmente o adjunto de Christophe Gauthier no Lille OSCM depois de três meses bem-sucedidos na equipa de sub-23 do SL Benfica.

Tudo isto mostra que Lito Vidigal é um treinador de resultados e não um treinador de ideia. Tem um estilo pouco vistoso, do qual eu confesso que não sou apreciante, mas que é bastante eficaz e que faz com que o técnico luso-angolano deixe a sua marca na Primeira Liga.

Foto de Capa: Boavista FC

artigo revisto por: Ana Ferreira